Antônio Martins

Antônio Martins
Município do Brasil
Vista parcial da cidade a partir do Mirante e Santuário São José
Vista parcial da cidade a partir do Mirante e Santuário São José
Vista parcial da cidade a partir do Mirante e Santuário São José
Gentílico antoniomartinense
Localização
Localização de Antônio Martins no Rio Grande do Norte
Localização de Antônio Martins no Rio Grande do Norte
Localização de Antônio Martins no Rio Grande do Norte
Antônio Martins está localizado em: Brasil
Antônio Martins
Localização de Antônio Martins no Brasil
Mapa de Antônio Martins
Coordenadas 🌍
País Brasil
Unidade federativa Rio Grande do Norte
Municípios limítrofes Norte: Martins, Frutuoso Gomes e Serrinha dos Pintos;
Sul: Pilões, Alexandria e João Dias;
Leste: Almino Afonso e Catolé do Rocha (Paraíba);
Oeste: Marcelino Vieira e Pau dos Ferros.
Distância até a capital 375 km
História
Fundação 31 de outubro de 1938 (87 anos)
Emancipação 26 de março de 1963 (62 anos)
Administração
Prefeito(a) JESSICA IRIS FERREIRA DE OLIVEIRA (PSD, 2025–2028)
Vereadores 9
Características geográficas
Área total [1] 244,897 km²
População total (IBGE/2024[2]) 6 738 hab.
Densidade 27,5 hab./km²
Clima Semiárido
Altitude 366 m
Fuso horário Hora de Brasília (UTC−3)
CEP 59870-000
Indicadores
IDH (PNUD/2010[3]) 0,578 baixo
Gini (2020) 0,51
PIB (IBGE/2021[4]) R$ 65 526,16 mil
PIB per capita (IBGE/2021[4]) R$ 9 149,14
Sítio antoniomartins.rn.gov.br (Prefeitura)
antoniomartins.rn.leg.br (Câmara)

Antônio Martins é um município do estado do Rio Grande do Norte, no Brasil. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no ano de 2010 sua população era de 6 907 habitantes. Área territorial é de 245 km². O município foi desmembrado de Martins em 8 de maio de 1962, por meio da lei estadual nº 2.754. Esta lei foi declarada inconstitucional pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte, sendo porém, a criação e emancipação do município ratificada em 26 de março de 1963, por meio da lei estadual de nº 2.851, e a nova entidade instalada solenemente a 4 de abril do mesmo ano.

História

A história de Antônio Martins começou a ser escrita pelos indígenas Icozinhos e Janduís, que deixaram por todo território municipal, marcas de suas passagem em diversos sítios arqueológicos da região, sendo os mais conhecidos o da Ramada, Junco, Timabúba e o da Vila Pintada.

No ano de 1870, quando era conhecida como Sítio Boa Esperança e contava apenas com uma pequena casinha na penúltima década do século XIX. Em 1898, já tinha aproximadamente 26 casas de taipa e choupanas de palha espalhadas pelos cimos das elevações no terreno acidentado, aclives serranos do Martins. Justino Ferreira de Souza chegou em maio de 1898, que seria depois Justino de Boa Esperança, agricultor, arquiteto, homeopata, hoteleiro, sacristão, autoridade policial, animador. A primeira confiança nos destinos do futuro povoado que seria município, esquecido da existência humilde do povoado.A primeira morada construída por Justino era rebocada, caiada, no mesmo local onde nasceria a cidade. Antes nada existia. O cemitério foi feito em 1899.

Antiga capela de Santo Antônio, construída em 1901

Em 1900, seu pensamento era construir a capela, porém a grande seca o impediu, só acontecendo em 1901, quando foi iniciada, ajudada pela esmola dos pobres que trabalhavam ao redor. Numa ocasião Francisco de Paulo, um pobre da região, vendeu o único alqueire de milho para reverter em auxílio da capelinha. Durante quatro anos todo o esforço possível foi compensado, a capela construída custou quatro contos de réis. Em 21 de fevereiro de 1902,foi celebrada a primeira missa, dita pelos padres Abidon Milanês e Tertuliano Fernandes, os serviços internos vieram de agosto de 1901 a fevereiro de 1902. Exteriormente findaram em agosto de 1905. Na festa de inauguração veio a banda de Catolé do Rocha, muito elogiada pelo mestre Justino. Seu Padroeiro é Santo Antônio.

Em 1903, foram iniciadas as feiras, sendo interrompidas em 1904 e reiniciadas em 1905, desaparecendo e só voltando em 1929. Durante esse período a população foi crescendo, adensando-se, ampliando o número de residências, plantações e interesses diversos. Em 1920, 81 casas com 327 moradores já estavam permanentes em Antônio Martins. Rotas de comboios, pista de subida para Martins e estrada tradicional para Mossoró. Em 1938, passou a distrito de Vila de Martins. O nome Demétrio Lemos surgiu no ano de 1943, denominação e homenagem ao coronel do exército Demétrio do Rego Lemos (1867-1843), natural de Martins e falecido no Rio de Janeiro.

Em 1943, Vila Boa Esperança era vila próspera e atraente, vitoriosa, anunciando o acesso municipal. Em 29 de outubro de 1948, inaugurou-se a estação da estrada de ferro de Mossoró ligando ao litoral norte-rio-grandense e a Souza, aos sertões paraibanos da Ribeira do Rio Peixe e para o Ceará.

Antônio Martins Fernandes de Carvalho (1905-1957) nasceu na cidade de Martins e faleceu no Moquém, distrito de Demétrio Lemos. Médico pela Faculdade do Rio de Janeiro em 1932, clínico em Martins e radiologista em Natal, prefeito de Portalegre em 1953, realizou útil e operosa administração, incompleta por haver como deputado federal Suplente, tomado parte nos trabalhos parlamentares, defendendo com entusiasmo e competência vários projetos proveitosos a zona oeste do Rio Grande do Norte. Era um homem fino no trato, acolhedor e amável, de grande comunicação e simpatia pessoal. Seu nome foi dado a Demétrio Lemos ou Boa Esperança, numa homenagem justa e sincera do amigo Jocelim Vilar, na época deputado.

Geografia

De acordo com a divisão do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) vigente desde 2017,[5] que agrupa os municípios em regiões geográficas, Antônio Martins pertence à região imediata de Pau dos Ferros, dentro da região intermediária de Mossoró.[6] Até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, fazia parte da microrregião de Umarizal, na mesorregião do Oeste Potiguar.[7] Ocupa uma área de 244,897 km²[1] (0,4637% do território potiguar) e se limita a norte com Martins, Frutuoso Gomes e Serrinha dos Pintos, a sul Pilões, Alexandria e João Dias, a leste Almino Afonso e Catolé do Rocha (Paraíba) e a oeste Marcelino Vieira e Pau dos Ferros.[8] A cidade está distante 353 km de Natal, capital estadual,[9] e a 2 092 km de Brasília, capital federal.[10]

O relevo do município, com altitudes entre 200 e 400 metros, é constituído pelo Planalto da Borborema, onde se localizam as áreas de maior altitude, originárias do período Pré-Cambriano, e pela Depressão Sertaneja-São Francisco, que abrange terrenos de transição entre a Chapada do Apodi e o Planalto da Borborema. Antônio Martins está situado em área de abrangência de rochas metamórficas formadas durante o Pré-Cambriano médio, com idade entre um bilhão e 2,5 bilhões de anos. Predomina o solo podzolítico vermelho amarelo equivalente eutrófico, com drenagem bastante acentuada, relevo de suave a ondulado, alto nível de fertilidade e textura média, que pode ser ou não formada por cascalho.[8] Há também, em porções menores, o luvissolo (solo bruno não cálcico) e os solos litólicos.[11]

Esses solos são cobertos pela caatinga hiperxerófila, típica do sertão, sem folhas na estação seca, com espécies de pequeno porte e cactáceas. Entre as espécies mais encontradas estão o facheiro (Pilosocereus pachycladus), o faveleiro (Cnidoscolus quercifolius), a jurema-preta (Mimosa hostilis benth), o marmeleiro (Cydonia oblonga), o mufumbo (Combretum leprosum) e o xique-xique (Pilosocereus polygonus).[8] Antônio Martins está situado na bacia hidrográfica do rio Apodi/Mossoró,[12][13] sendo cortado pelos riachos Bom Água, Corredor, Mata Seca, da Picada e dos Porcos.[8] Dentre os reservatórios, o maior é o açude Corredor, a sete quilômetros da cidade, construído pelo Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS) em 1914 e ampliado em 1984, com uma capacidade total para 4,643 milhões de metros cúbicos (m³).[14]

O clima é semiárido (Bsh segundo Köppen),[15] com chuvas concentradas no primeiro semestre do ano. O índice pluviométrico varia de 680 mm/ano no sítio Areias/Açude Corredor a quase 900 mm/ano na cidade. No sítio Areias, onde as medições são feitas desde julho de 1962, o maior acumulado de chuva em 24 horas chegou a 128,2 mm em 23 de março de 1981, enquanto na cidade, onde o monitoramento pluviométrico teve início somente em maio de 2004, esse recorde é de 110 mm em 8 de março de 2020, seguido por 102,5 mm em 29 de março de 2010.[16] A partir de outubro de 2021, quando entrou em operação uma estação meteorológica automática da EMPARN na cidade, a menor temperatura foi de 16,3 °C em 25 de julho de 2024 e 2 de agosto de 2024, enquanto a maior chegou a 39,3 °C em 31 de outubro de 2023.[17]

Dados climatológicos para Antônio Martins
Mês Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Ano
Temperatura máxima recorde (°C) 37,1 37,6 35,8 34,8 36,1 35 34,8 36,8 38,7 39,3 38,6 37,5 39,3
Temperatura mínima recorde (°C) 19,6 20,2 19,9 19,6 18,4 18 16,3 16,3 17,8 18,8 18,8 19,3 16,3
Precipitação (mm) 69 92,6 176,8 166,5 77,4 37,7 24 4,7 2 3,1 4,5 20,6 678,9
Fonte: EMPARN (médias de precipitação: 1962-2020 - Sítio Areias;[16] recordes de temperatura: 29/10/2021-presente)[17]

Política e administração

Palácios Joaquim Carvalho Neto (esquerda) e Francisco Pedro Neto (direita), que abrigam, respectivamente, a prefeitura (poder executivo) e a câmara de vereadores (legislativo)

A administração municipal se dá através dos poderes executivo e legislativo. O primeiro é representado pelo prefeito, auxiliado pelo seu gabinete de secretários.[18] O primeiro prefeito constitucional de Antônio Martins foi Joaquim Inácio de Carvalho Neto, empossado em 1964, ano da instalação do município, e ainda exercendo o cargo por outros dois mandatos (1973 a 1977 e 1983 a 1989).[19]

O poder legislativo, por sua vez, é constituído pela câmara municipal, formada por nove vereadores. Cabe à casa elaborar e votar leis fundamentais à administração e ao executivo, especialmente o orçamento municipal (conhecido como Lei de Diretrizes Orçamentárias).[18]

Existem também alguns conselhos municipais em atividade: alimentação escolar,[20] assistência social,[21] cultura,[22] direitos da criança e do adolescente,[23][24] direitos do idoso,[24] educação,[20] FUNDEB,[20] habitação,[25] saúde[26] e tutelar.[23][24] Antônio Martins é um dos termos judiciários da comarca de Martins (o outro termo é Serrinha dos Pintos).[27] De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral, Antônio Martins pertence à 38ª zona eleitoral do Rio Grande do Norte e possuía, em dezembro de 2016, 5 948 eleitores, o que representa 0,248% do eleitorado estadual.[28]

Referências

  1. a b IBGE. «Consulta por Município». Consultado em 19 de junho de 2017 
  2. Erro de citação: Etiqueta <ref> inválida; não foi fornecido texto para as "refs" nomeadas IBGE-Antônio_Martins-RN
  3. Erro de citação: Etiqueta <ref> inválida; não foi fornecido texto para as "refs" nomeadas Atlas_Brasil_Antônio_Martins-RN
  4. a b Erro de citação: Etiqueta <ref> inválida; não foi fornecido texto para as "refs" nomeadas IBGE_PIB
  5. IBGE (2017). «Divisão Regional do Brasil». Consultado em 29 de março de 2019. Cópia arquivada em 25 de setembro de 2017 
  6. IBGE (2017). «Base de dados por municípios das Regiões Geográficas Imediatas e Intermediárias do Brasil». Consultado em 29 de março de 2019 
  7. IBGE (1990). «Divisão regional do Brasil em mesorregiões e microrregiões geográficas» (PDF). Biblioteca IBGE. 1: 44–45. Consultado em 29 de março de 2019. Cópia arquivada (PDF) em 25 de setembro de 2017 
  8. a b c d IDEMA. «Perfil do seu município: Antônio Martins» (PDF). Consultado em 25 de maio de 2017. Cópia arquivada (PDF) em 25 de maio de 2017 
  9. «Distância entre Natal e Antônio Martins». Consultado em 25 de maio de 2017 
  10. «Distância entre Antônio Martins e Brasília». Consultado em 25 de maio de 2017 
  11. EMBRAPA. «Mapa Exploratório-Reconhecimento de solos do município de Antônio Martins, RN» (PDF). Consultado em 25 de maio de 2017. Cópia arquivada (PDF) em 25 de maio de 2017 
  12. SEMARH-RN. «Bacia Apodi/Mossoró». Consultado em 25 de maio de 2017. Arquivado do original em 1 de fevereiro de 2014 
  13. «Semarh realiza eleição dos membros do Comitê da Bacia do rio Apodi-Mossoró». Jornal de Hoje. 15 de janeiro de 2013. Consultado em 25 de maio de 2017. Cópia arquivada em 22 de fevereiro de 2015 
  14. SEMARH-RN. «Ficha Técnica do Reservatório Corredor». Consultado em 25 de maio de 2017. Cópia arquivada em 25 de maio de 2017 
  15. «Municípios localizados no Semi-árido». Consultado em 25 de maio de 2017. Arquivado do original em 12 de agosto de 2014 
  16. a b EMPARN. «Relatório pluviométrico». Consultado em 7 de fevereiro de 2022 
  17. a b EMPARN. «Relatório de variáveis meteorológicas». Consultado em 1 de abril de 2023 
  18. a b «Lei orgânica municipal» (PDF). Consultado em 23 de janeiro de 2026. Cópia arquivada (PDF) em 23 de janeiro de 2026 
  19. «Joaquim Inácio de Carvalho Neto» (PDF). Consultado em 25 de maio de 2017. Cópia arquivada (PDF) em 25 de maio de 2017 
  20. a b c «3 - Educação». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. 2014. Consultado em 17 de novembro de 2017. Cópia arquivada em 18 de novembro de 2017 
  21. «7 - Assistência social». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. 2012. Consultado em 17 de novembro de 2017. Cópia arquivada em 18 de novembro de 2017 
  22. «6 - Cultura». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. 2012. Consultado em 17 de novembro de 2017. Cópia arquivada em 18 de novembro de 2017 
  23. a b «5 - DIREITOS HUMANOS». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. 2014. Consultado em 17 de novembro de 2017. Cópia arquivada em 18 de novembro de 2017 
  24. a b c «9 - Segurança Pública». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. 2012. Consultado em 17 de novembro de 2017. Cópia arquivada em 18 de novembro de 2017 
  25. «5 - Habitação». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. 2011. Consultado em 17 de novembro de 2017. Cópia arquivada em 18 de novembro de 2017 
  26. «4 - Saúde». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. 2014. Consultado em 17 de novembro de 2017. Cópia arquivada em 18 de novembro de 2017 
  27. «Comarca: Martins». Poder Judiciário do Rio Grande do Norte. Consultado em 25 de maio de 2017. Cópia arquivada em 5 de julho de 2008 
  28. «Estatísticas do eleitorado – Consulta por município/zona». Tribunal Superior Eleitoral. Consultado em 25 de maio de 2017