António de Magalhães (jesuíta)
O padre António de Magalhães (Cortiçô, Fornos de Algodres, 5 de Julho de 1677 - Pequim, 24 de Março de 1735) foi 1º embaixador da China em Portugal.[1][2]
Família
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Nascido na Casa do Cabo, freguesia de Cortiçô, Fornos de Algodres, a 5 de Julho de 1677 e falecido em Pequim a 24 de Março de 1735, sendo sepultado no cemitério de Chala. Era filho de João Rebello de Magalhães, fidalgo da Casa Real, senhor da Casa do Cabo em Cortiçô e de D. Bernarda Teixeira da Silva Delgado, natural da cidade do Porto, neto paterno de Tomé Rebello de Campo, natural de Viseu e de D. Ana de Magalhães, natural de Bairros (Castelo de Paiva), neto materno do Lic. Roque Teixeira da Silva, natural do Porto (licenciado em Leis, advogado no Porto e tesoureiro da Câmara) e de Maria dos Anjos Delgado Pinto, natural de Arrifana de Sousa (Penafiel). O Padre Magalhães era irmão do Abade das Chãs de Tavares, João Rebelo de Magalhães licenciado em Cânones (Universidade de Coimbra), era sobrinho-neto do Dr. António de Magalhães, ouvidor da Capela Real, deputado do Santo Ofício e desembargador do arcebispado de Lisboa e ainda primo do padre Sebastião de Magalhães, religioso de prestígio e confessor do Rei.
Antecedentes
Missionário em Macau desde 1696 e em Pequim a partir de 1716. Em 1720 António de Magalhães, foi encarregado pelo imperador da China Kangxi de ser portador de um presente para o rei D. João V de Portugal.[3] e outro para o Papa Clemente XI.. A embaixada saiu da China a 3 de Março de 1721. Essa embaixada trazia presentes para o rei contidas em 60 caixas cuja avaliação foi de 300.000 cruzados. Só as 7 pérolas foram estimadas cada uma em 14.000 cruzados e entre outras coisas contavam-se flores artificiais feitas pelo próprio Imperador. A recepção à embaixada teve lugar no dia 22 de Dezembro.
A Viagem
A embarcação que o levou, a "Rainha dos Anjos" levava 136 objetos de porcelana e vidro esmaltado da Era Kangxi (1662-1722). Hoje, existe apenas um vaso daquele período, exposto no Museu Imperial da China, o principal daquele país. Com as peças, que seriam dadas ao Papa Clemente XI e ao rei português, Kangxi queria mostrar ao Ocidente como eram desenvolvidas as técnicas artísticas que patrocinava. Os presentes também tinham significado político, depois de quase duas décadas de hostilidades entre o Ocidente e Kangxi. Em 1705, o papa tinha enviado à China o italiano Maillard de Tournon, com a missão de levar a fé católica a Pequim. Kangxi o recebeu cordialmente, mas, ao saber que o Vaticano reprovava rituais típicos da sociedade chinesa, mandou prendê-lo. Tournon morreu atrás das grades em 1710. Clemente XI não desistiu da China. Em 1720, mandou Carlo Ambrogio Mezzabarba para espalhar o catolicismo pelo império de Kangxi. Desta vez, porém, instalou-o em Macau, uma colônia portuguesa - e, portanto, fiel ao Vaticano. Mezzabarba causou melhor impressão que seu antecessor. Kangxi lhe deu presentes e nomeou um embaixador, o padre jesuíta Antônio de Magalhães, para representá-lo em Portugal. Magalhães e Mezzabarba voltariam para terras lusitanas em 1722, na Rainha dos Anjos. A viagem marítima entre Lisboa e o Oriente durava três meses. O Rio de Janeiro tornou-se escala indispensável no trajeto, conhecido como "volta larga". A nau já estava atracada aqui há pouco mais de um mês. Para participar de um jantar no Mosteiro de São Bento, o capitão do navio ordenou a um dos marinheiros que fosse à dispensa pegar algumas louças. Da ordem ao incêndio passaram-se apenas algumas horas. Mezzabarba, em terra firme, testemunhou atônito à queima da embarcação e dos valiosos presentes que transportava. Os tripulantes e guardas fugiram a nado, em direção a barcos que se aproximavam para oferecer ajuda. Na cidade, dizia-se que o marinheiro que esqueceu a vela teria se escondido no Colégio dos Padres da Companhia de Jesus, para logo depois desaparecer, sem deixar rastro.

O Padre Magalhães foi depois embaixador de Portugal à China (1725).
Referências
- ↑ «Padre António de Magalhães 張安多 (1677 – 1735)». nenotavaiconta. Consultado em 3 de agosto de 2022
- ↑ Ramos, João de Deus (1991). História das relações diplomáticas entre Portugal e a China. Macau: Instituto Cultural de Macau. OCLC 26520356
- ↑ Pinto, Óscar Caeiro. «Dos Campo Coelho, de Viseu aos Rebello de Magalhães, de Cortiçô». Raízes e Memórias (27)