Antônio de Castro Mayer
Antônio de Castro Mayer
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|---|---|
| Bispo da Igreja Católica | |
| Bispo emérito de Campos | |
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| Atividade eclesiástica | |
| Diocese | Diocese de Campos |
| Nomeação | 3 de janeiro de 1949 |
| Predecessor | Otaviano Pereira de Albuquerque |
| Sucessor | Carlos Alberto Etchandy Gimeno Navarro |
| Mandato | 1949 - 1981 |
| Ordenação e nomeação | |
| Ordenação presbiteral | 30 de outubro de 1927 Roma por Basilio Cardeal Pompilj |
| Nomeação episcopal | 6 de março de 1948 |
| Ordenação episcopal | 23 de maio de 1948 por Carlo Chiarlo |
| Brasão episcopal | ![]() |
| Dados pessoais | |
| Nascimento | Campinas 20 de junho de 1904 |
| Morte | Campos, Rio de Janeiro, Brasil 25 de abril de 1991 (86 anos) |
| Nacionalidade | brasileiro |
| Progenitores | Mãe: Francisca de Castro Pai: João Mayer |
| Funções exercidas | Bispo coadjutor de Campos (1948-1949) |
| Assinatura | |
| dados em catholic-hierarchy.org Bispos Categoria:Hierarquia católica Projeto Catolicismo | |
Antônio de Castro Mayer (Campinas, 20 de junho de 1904 – 25 de abril de 1991) foi um bispo da Diocese de Campos, no estado do Rio de Janeiro. Participou do Concílio Vaticano II e destacou-se como crítico do progressismo em um ambiente pós-conciliar. Foi o fundador e líder da União Sacerdotal São João Maria Vianney.
Diversas de suas Cartas Pastorais contra o progressismo e em defesa dos dogmas e da fé católica em sua diocese, tornaram-se best-sellers no Brasil na época e foram traduzidas para diversas línguas.
Em 1969, quando o Papa Paulo VI promulgou a revisão do Missal Romano, a Diocese de Campos manteve a celebração da Missa Tridentina, permitindo que os padres continuassem a utilizar a forma anterior.
Após 1981, quando Dom Mayer torna-se Bispo emérito, seu sucessor na Diocese de Campos, Dom Carlos Navarro, afastou e suspendeu todos os padres ligados à celebração da Missa do Rito de Papa Pio V. Esses sacerdotes, então, reuniram-se na União Sacerdotal São João Maria Vianney, sob a liderança e orientação de Dom Mayer. Posteriormente, Dom Mayer e a União Sacerdotal estabeleceram uma parceiria com a Fraternidade Sacerdotal São Pio X, sob Dom Marcel Lefebvre, participando das sagrações episcopais em Écône, em 1988. Dom Mayer faleceu em 1991, sendo sucedido na liderança da União Sacerdotal por Dom Licínio Rangel.
Infância e ministério presbiteral

Filho de John Mayer, imigrante alemão natural da cidade de Stettfeld, na Baviera,[1][2] e de Francisca de Castro Mayer, de uma família numerosa — 12 filhos — e profundamente católica, Antônio de Castro Mayer ficou órfão do pai aos 7 anos incompletos. Aos 12 anos, ingressou no Seminário Menor do Bom Jesus de Pirapora. Em 1922, iniciou os estudos no Seminário Maior, em São Paulo, e, devido ao seu desempenho destacado, foi enviado a Roma por Dom Duarte Leopoldo e Silva para completar a sua formção eclesiástica na Pontíficia Universidade Gregoriana. No dia 30 de outubro de 1927, foi ordenado sacerdote pelo Cardeal Basilio Pompilj, Vigário Geral de Sua Santidade o Papa Pio XI. Pouco depois, obteve na mesma universidade o grau de doutor em teologia.
Após seu retorno ao Brasil, Antônio de Castro Mayer atuou como professor no Seminário de São Paulo, durante 13 anos, lecionando Filosofia, História da Filosofia e Teologia Dogmática. Em 1940, foi nomeado assistente geral da Acção Católica, cujo presidente era Plínio Corrêa de Oliveira. Em 1941 é nomeado cônego catedralício do Cabido Metropolitano de São Paulo e, 1 ano depois, tornou-se Vigário Geral. Em 1945, assumiu o cargo de Vigário Ecónomo da Paróquia de São José do Belém, dedicando-se simultaneamente às cátedras de Religião e Doutrina Social da Igreja, respectivamente na Faculdade de Direito e no Instituto Sedes Sapientiae, ambos pertencentes à Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.
Episcopado
Em 6 de março de 1948, Dom Antônio de Castro Mayer é elevado pelo Papa Pio XII à dignidade de bispo titular de Priene e coadjutor — isto é, com direito a sucessão — da Diocese de Campos. No dia 23 de maio do mesmo ano, o Núncio apostólico no Brasil, Dom Carlo Chiarlo, presidiu a cerimônia de sagração, tendo como assistentes Dom Ernesto de Paula, bispo de Piracicaba, e Dom Geraldo de Proença Sigaud, bispo de Jacarezinho, na Igreja de Nossa Senhora do Carmo, em São Paulo. Em 1949, tornou-se bispo diocesano de Campos.
Desde a sua investidura episcopal em 1948, Dom Antônio percorreu toda a diocese para conhecer in loco a situação espiritual e material de seus diocesanos. Pôde, assim, dirigira reorganização da vida paroquial, tanto no interior quanto nas cidades. Conseguiu também resolver antigos problemas que paralisavam a atividade das Ordens Terceiras Franciscana e Carmelita, conferindo novo esplendor às Igrejas situadas em suas propriedades.
Em 1950, Dom Antônio de Castro Mayer fundou o mensário Catolicismo, que tornou-se referência no Brasil e no exterior como exemplo de imprensa católica em defesa da ordem política contra o comunismo e o liberalismo, e da ordem religiosa contra o modernismo e o progressismo. Colaboraram na publicação Plínio Corrêa de Oliveira, José Azeredo dos Santos, Fernando Furquim de Almeida, ao lado de sacerdotes como Geraldo de Proença Sigaud, futuro arcebispo de Diamantina. Nesse período, escreveu a Carta Pastoral sobre problemas do Apostolado Moderno, que teve ampla repercussão nacional e internacional, ao evidenciar as raízes de uma futura crise da Igreja.
Em 1956, inaugurou o Seminário Menor da Diocese na vila — hoje cidade — de São Sebastião de Varre-Sai. Em 1967, obteve permissão para o funcionamento do Seminário Maior, com cursos de Filosofia e Teologia, posteriormente transferidos para Campos.[3]
| “ | Tal obra começou sob a proteção e as bênçãos de Nossa Senhora? Não há de fracassar! |
” |
Suas Pastorais sobre Nossa Senhora, a insistência em suas homilias e retiros sobre a recitação do Rosário — ou, ao menos, do terço cotidiano —, a promoção da campanha do Terço Contínuo, a devoção às 3 Ave-Marias, bem como a ênfase na pregação da oração e da penitência, na Consagração ao Imaculado Coração de Maria e na devoção aos Primeiros Sábados, atestam a importância que sempre atribuiu ao papel de Maria Santíssima na economia da salvação, na superação da crise contemporânea e no exercício de sua atividade episcopal. Aliás, como primeiro ato episcopal, instituiu em Campos a obrigatoriedade de se rezar 3 Ave-Marias após cada Sacrifício Incruento da Missa.
Durante o Concílio Vaticano II, Dom António de Castro Mayer destacou-se como um dos líderes da ala conservadora — o Coetus Internationalis Patrum. Após a sua participação no Concílio, retornou à diocese, onde manteve-se irredutível na preservação a tradição católica; especialmente no campo da ortodoxia, mas também, na ortopráxis — a manifestação prática da primeira, razão pela qual dedicou-se com tanta firmeza a conservar as formas litúrgicas, a fim de transmitir corretamente os conceitos. A Diocese de Campos foi a única manter, mesmo após a promulgação da Missa revisada pelo Concílio Vaticano II, a celebração da Missa Tridentina.

No dia 1º de novembro de 1981, celebrou pela última vez o Pontifical da Catedral de Campos dos Goytacazes:
| “ | A Dom Antonio de Castro Mayer, zeloso, sábio e prudente Bispo de Campos, a gratidão dos fiéis pelos 33 anos dedicados à causa da fé e à salvação das almas. |
” |
Brasão e lema

Brasonamento: Escudo eclesiástico oval, de arminho, carregado com um leão rampante de Jalde, portando na espádua uma cruz grega de goles. O leão encontra-se inserido em uma orleta dupla de Goles. O escudo assenta-se sobre uma tarja branca e repousa sobre uma cruz trevolada de ouro. O conjunto é encimado pelo chapéu eclesiástico, com os seus cordões pendentes em cada flanco, terminados por seis borlas cada lado, tudo em verde — cor distintiva do clero secular. Sobre a ponta inferior da cruz, brocante, um listel de traz o lema Ipsa Conteret — "Ela te esmagará a cabeça" —, em letras de jalde.[4]
Interpretação: O escudo segue as normas da heráldica eclesiástica. O campo de arminho representa o forro do manto protetor de Nossa Senhora, conforme a antiga tradição bretã. Pela simbologia do própio animal — que prefere morrer a manchar-se na lama — o arminho traduz alta dignidiade e nobreza.
O leão rampante figura-se no campo de arminho assim como Jesus Cristo encontra-se em Maria Santíssima: Aquele que é o "Rei dos Animais" representa fortaleza, bravura e nobreza. Foi símbolo dos reis da Casa de Davi (cf. Ap 5,5) e brasão da Tribo de Judá (cf. Gn 49,9). Portanto na espádua a cruz (cf. Ez 9,4), simboliza Jesus Cristo e, por extensão, os cristãos — soldados de Cristo. Sendo de jalde expressa nobreza, autoridade, generosidade, ardor e clarividência espiritual.
A cruz da espádua simboliza a religião cristã, que o bispo tem o dever de defender. Sendo de goles simboliza o fogo da caridade que inflama o coração do bispo, bem como o valor e o socorro prestado aos necessitados.
As orletas são sinal de brisura, ou seja a diferenciação de uma origem comum pela qual o Bispo deve derramar seu sangue, se necessário; representa ainda golpes de espada no soldado cristão, na luta pela Igreja; sendo que por seu esmalte goles (vermelho) têm o significado acima descrito.
O lema foi tirado do livro do Gênesis (Gn 3,15), onde Deus anuncia a vitória da Virgem Maria sobre o Dragão, assegurando o triunfo final da Igreja.
Sobre o modernismo que rondava a Igreja na fase pré-Vaticano II:
Esta tendência – a conciliar os extremos inconciliáveis, de encontrar uma linha média entre a verdade e o erro, se manifestou desde os primórdios da Igreja. (...). Condenado o arianismo, esta tendência deu origem ao semi-arianismo. Condenado o pelagianismo, ela engendrou o semipelagianismo. Condenado em Trento o protestantismo, ela suscitou o jansenismo. E dela nasceu igualmente o modernismo condenado pelo Beato Pio X, monstruosa confluência do ateísmo, em uma escola apostada em apunhalar traiçoeiramente a Igreja. A Seita Modernista tinha por objetivo, permanecendo dentro dela, falsear-lhe por argúcias, subentendidos e reservas a verdadeira doutrina, que exteriormente fingia aceitar. Esta tendência não cessou ainda; pode-se mesmo dizer que ela faz parte da História da Igreja.[5]
Tradidi quod et accepi
Com a chegada do novo Bispo, Dom Carlos Alberto Navarro, — posteriormente arcebispo de Niterói —, os sacerdotes que mantinham uma orientação mais tradicionais foram afastados. A pedido destes padres, Dom António de Castro Mayer decidiu apoiá-los, fundando, assim, a União Sacerdotal São João Maria Vianney.
Em colaboração com o Monsenhor Marcel Lefebvre, Dom António de Castro Mayer realizou diversas advertências ao Papa acerca da crise que, segundo ambos, a Igreja Católica atravessava. Participou como co-sagrante nas consagrações episcopais levadas a cabo realizadas por Lefebvre, em 30 de Junho de 1988, em Écône, na Suíça. Em consequência desse ato, sofreu excomunhão latae setentiae — por não haver mandato pontifício[6] —, declarada pela Congregação para os Bispos[7] e posteriormente confirmada pelo Papa, por meio do Motu Proprio Ecclesia Dei, que tratava de Marcel Lefebvre, António de Castro Mayer e os outros 4 bispos sagrados.[8]

O seu último ato público foi a ordenação sacerdotal de padre Manoel Macêdo de Farias, em Varre-Sai, em 18 de dezembro de 1988, pouco após o seu retorno das sagrações de Écône. A partir de então, o enfraquecimento de suas forças já não lhe permitiu novas atividades. Faleceu em 25 de abril de 1991 e foi sepultado na cripta da Capela da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo.
| “ | Vivemos –- ninguém nega –- uma terrível crise na Igreja, que atinge profundamente o sacerdócio católico. A perpetuidade do Santo Sacrifício da Missa, a administração dos Sacramentos, |
” |
Dom Licínio Rangel sucedeu a Dom António de Castro Mayer como superior da União Sacerdotal São João Maria Vianney. Em 2001, a referida união foi regularizada pela Santa Sé, passando a constituir a Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney.
Por meio do decreto de protocolo n.º 126/2009, emitido em 21 de janeiro de 2009, a Congregação para os Bispos revogou, a pedido dos interessados, a excomunhão dos quatro bispos sagrados por Monsenhor Marcel Lefebvre e Dom Antônio de Castro Mayer. O decreto inclui a seguinte cláusula:
"Com base nas faculdades que me foram expressamente concedidas pelo Santo Padre Bento XVI, em virtude do presente Decreto removo aos Bispos Bernard Fellay, Bernard Tissier de Mallerais, Richard Williamson e Alfonso de Galarreta a censura de excomunhão latae sententiae declarada por esta Congregação no dia 1 de Julho de 1988, enquanto declaro desprovido de efeitos jurídicos, a partir da data de hoje, o Decreto então emanado."[9]
O teólogo Wayne Nichols interpretou essa cláusula como uma revogação da excomunhão de 1988 também em favor dos bispos Dom Antônio de Castro Mayer e Monsenhor Marcel Lefebvre.[10] Já o padre John Zuhlsdorf comentou que, como resultado do novo decreto, os 4 bispos da Fraternidade Sacerdotal São Pio X poderiam novamente confessar-se validamente; contudo, os dois bispos excomungados em 1988 — Dom Antônio de Castro Mayer e Monsenhor Marcel Lefebvre — já não teriam mais essa oportunidade.[11]
Ver também
- Administração Apostólica São João Maria Vianney
- Consagrações de Écône
- Fraternidade Sacerdotal de São Pio X
Referências
- ↑ SP, Arquidiocese de Campinas. «Dom Antônio de Castro Mayer † – Arquidiocese de Campinas SP». arquidiocesecampinas.com. Consultado em 21 de outubro de 2023
- ↑ «Biografia de Dom Antônio de Castro Mayer». Fraternidade Sacerdotal São Pio X no Brasil. Consultado em 21 de outubro de 2023
- ↑ Biografia de D. Antônio no site do Mosteiro da Santa Cruz Arquivado em 29 de novembro de 2010, no Wayback Machine.
- ↑ «Cópia arquivada». Consultado em 3 de janeiro de 2016. Arquivado do original em 6 de junho de 2017
- ↑ D. Antônio de Castro Mayer, ― Carta Pastoral Sobre o Problema do Apostolado Moderno, 1953, p. 7
- ↑ C.I.C. 1382 - O bispo que confere a alguém a consagração episcopal sem mandato pontifício, assim como aquele que recebe dele a consagração, incorre em excomunhão latae sententiae reservada à Santa Sé.
- ↑ Decreto de excomunhão, 1 de julho de 1988
- ↑ Motu Proprio Ecclesia Dei Aflicta
- ↑ Removida a escomunhão a quatro Bispos da Fraternidade São Pio X, 21 de janeiro de 2009
- ↑ Against the Rebellious 'resistance': A Response to the “Sermon” by Fr. Joseph Pfeiffer, May 27, 2012
- ↑ QUAERITUR: decree about excommunications of SSPX bishops
Bibliografia
- Benjamin Cowan (6 de abril de 2021), «Chapter One - The Beauty of Inequality: Brazilian Activism, Catholic Traditionalism, and the Makings of Modern Conservatism», Moral Majorities across the Americas: Brazil, the United States, and the Creation of the Religious Right (em inglês), p. 17-59, OL 25466686W, Wikidata Q108027462
- Mérida, Vinícius Couzzi; Júnior, Paulo Jonas dos Santos; Figueira, Pedro Henrique Caetano (4 de novembro de 2024). «CATOLICISMO À DOM ANTÔNIO DE CASTRO MAYER:por uma questão de consciência». INTERAÇÕES. 19 (2): e192t02. ISSN 1983-2478. doi:10.5752/P.1983-2478.2024v19n2e192t02
| Precedido por Dom Otaviano Pereira de Albuquerque |
![]() Bispo de Campos 1949 - 1981 |
Sucedido por Dom Carlos Alberto Etchandy Gimeno Navarro |
| Precedido por Fundação da União |
União Sacerdotal São João Maria Vianney 1982 - 1991 |
Sucedido por Dom Licínio Rangel |


