António Maria Pereira Carrilho

 Nota: Para o advogado português, veja António Maria Pereira.
António Maria Pereira Carrilho
Nascimento
10 de Setembro de 1835

Morte
16 de Novembro de 1903

NacionalidadePortugal Portugal
OcupaçãoEmpresário, jornalista e deputado
CargoDirector-geral da Contabilidade Pública
Secretário-Geral do Ministério da Fazenda
Presidente da C. R. C. F. Portugueses

António Maria Pereira Carrilho (Lisboa, 10 de Setembro de 1835 - Paris, 16 de Novembro de 1903) foi um empresário, jornalista, deputado e funcionário público português.

Biografia

Nasceu na cidade de Lisboa, em 10 de Setembro de 1835, filho do militar Luiz Pereira Carrilho.[1]

Como este não tinha possibilidades financeiras para garantir uma boa educação ao seu filho, integrou-o na carreira comercial, tendo começado a trabalhar como um caixeiro despachante na Alfândega de Lisboa.[1] Ganhou em 1860 o concurso para o posto de amanuense de segunda classe no Ministério da Fazenda, tendo gradualmente ascendido dentro da organização do governo até atingir o posto de director-geral da Contabilidade Pública, em 1884.[2] Naquele posto foi responsável por valorosos serviços ao país,[1] tendo sido um dos principais responsáveis pelo desenvolvimento das finanças públicas.[3] Teve um papel destacado durante o processo do convénio, em 1902, durante o qual percorreu várias capitais da Europa em negociações com os credores estrangeiros, tendo conseguido obter um resultado favorável para a economia nacional.[4] Devido ao seu importante contributo durante o convénio, foi convidado a assumir a pasta do Ministério da Fazenda, que no entanto recusou.[1] Foi secretário-Geral do Ministério da Fazenda, e fez parte da comissão executiva e do conselho de administração da Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses.[1] tendo presidido a esta última.[5] Foi o responsável pela reconstituição financeira da empresa em 1894, quando esta se encontrava no ponto mais acentuado da sua crise económica, tendo conseguido chegar a acordo com os credores, situação que posteriormente voltou a enfrentar aquando do processo do convénio.[3]

Pertenceu ao conselho do Rei de Portugal, e foi nomeado como par do reino após a sua conduta durante o convénio.[1] Foi deputado às cortes em várias legislativas,[1] pelo Partido Regenerador, no qual exerceu como secretário da comissão da Fazenda, e o relator para o orçamento de estado.[2] Segundo a revista Brasil–Portugal, «em conjuncturas difficeis e melindrosas ora para a situação financeira do Thesouro, ora para as negociações com os credores externos, ora para os interesses da Companhia Real, tem o Sr. Carrilho desempenhado nas grandes capitais europeias a missão de representar ora a Companhia ora o Governo; e a fórma porque d'esse alto cargo se desempenha sempre é tão correcta e tão util que n'outra conjunctura a seguir a seguir é elle de novo o escolhido para identica missão».[5]

Teve também uma carreira destacada na imprensa portuguesa, tendo estado integrado na redacção de diversos periódicos, nomeadamente os Progressista, Opinião e Gazeta do Povo, para os quais escreveu vários artigos sobre temas financeiros.[1] Em 1861 começou igualmente a colaborar no jornal portuense Diário Mercantil, onde fazia a correspondência diária e publicou artigos sobre política.[1] Foi igualmente um dos fundadores da Gazeta do Povo, e em 1888 criou o jornal O Economista.[1] Excerceu igualmente como escritor e tradutor, tendo publicado em Portugal os livros Histoire du chevalier des Grieux et de Manon Lescaut, de Antoine François Prévost, A Vida aos Vinte anos e Diana de Lys, de Alexandre Dumas (filho), e Memorias de Garibaldi, de Camillo de Leydanier.[1] Escreveu igualmente a obra Indice alphabetico e extracto de todos os documentos officiaes de execução permanente, estatisticos, commerciaes e industriaes, publicados no Diario de Lisboa no ano de 1866, e em Janeiro de 1873 publicou o estudo Portugal em 1872: vida constitucional de um povo de raça latina, no Mémorial Diplomathique, de Paris.[1] Editou igualmente vários relatórios sobre o Ministério da Fazenda, os orçamentos de estado, e a Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses.[1] Segundo o Diário Ilustrado, Pereira Carrilho era um «conhecedor da nossa intricada legislação sobre contabilidade», cuja «informação era valiosa para tudo quanto dependesse do seu grande cabedal contabilistico.»[2]

Foi condecorado com a grã-cruz da Ordem de Cristo quando as obrigações da Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses começaram a ser cotadas nos mercados estrangeiros, e devido à sua participação no convénio o governo francês concedeu-lhe o oficialato da Legião de Honra.[2]

Faleceu em 16 de Novembro de 1903, na cidade de Paris, onde tinha sido submetido a um tumor na língua, no dia anterior.[2] As exéquias foram realizadas na Igreja de Saint Lambert, em Vaugirard, com a presença de representantes dos ministérios franceses da Fazenda e dos Estrangeiros.[1] O corpo foi depois transportado de comboio desde a gare ferroviária de Austerlitz até Lisboa, onde chegou no dia 28 de Novembro.[1] As cerimónias fúnebres tiveram lugar na Igreja de São Domingos, com a presença de vários representantes da Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses e do Ministério da Fazenda, e o corpo foi sepultado no Cemitério do Alto de São João.[1] Aquando da sua morte, foi considerado pelo jornal Ocidente como «um dos homens mais em evidencia entre nós», tendo realçado a sua carreira ao serviço do governo português,[1] enquanto que o Diário Ilustrado descreveu-o como um «trabalhador incansavel», que «se elevou devido ao seu zelo inquebrantavel pelo serviço publico».[2] A Gazeta dos Caminhos de Ferro recordou-o como um «homem a quem o paiz e os seus caminhos de ferro tanto devem», realçando o seu contributo para as finanças do país e da Companhia Real.[3]

Referências

  1. a b c d e f g h i j k l m n o p q «Conselheiro Pereira Carrilho» (PDF). Occidente. Ano 26 (898). Lisboa. 10 de Dezembro de 1903. p. 7. Consultado em 25 de Dezembro de 2025 – via Hemeroteca Municipal de Lisboa 
  2. a b c d e f «Conselheiro Antonio Maria Pereira Carrilho» (PDF). Diario Illustrado. Ano 32 (11033). Lisboa. 17 de Novembro de 1903. p. 1. Consultado em 25 de Dezembro de 2025 – via Biblioteca Nacional de Portugal 
  3. a b c «Pereira Carrilho». Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 16 (383). Lisboa. 1 de Dezembro de 1903. p. 393. Consultado em 27 de Dezembro de 2025 – via Hemeroteca Municipal de Lisboa 
  4. «Conselheiro Antonio Maria Pereira Carrilho». Occidente. Ano 25 (838). Lisboa. 20 de Abril de 1902. p. 82. Consultado em 29 de Dezembro de 2025 – via Hemeroteca Municipal de Lisboa 
  5. a b «Conselheiro Antonio Maria Pereira Carrilho» (PDF). Brasil-Portugal. Ano III (66). Lisboa. 16 de Outubro de 1902. p. 1. Consultado em 26 de Dezembro de 2025 – via Hemeroteca Municipal de Lisboa