Anomochilus monticola

Anomochilus monticola

Estado de conservação
Espécie deficiente de dados
Dados deficientes (IUCN 3.1) [1]
Classificação científica
Domínio: Eukaryota
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Reptilia
Ordem: Squamata
Subordem: Serpentes
Família: Anomochilidae
Género: Anomochilus
Espécie: A. monticola
Nome binomial
Anomochilus monticola
Das, Lakim, Lim & Hui, 2008[2]

A Anomochilus monticola é uma espécie de serpente da família Anomochilidae. Endêmica do Parque Kinabalu, no norte de Bornéu, habita florestas tropicais montanas e submontanas a altitudes de 1.450 a 1.513 m. Descrita pelo herpetologista Indraneil Das e colegas em 2008, a espécie é uma serpente robusta e cilíndrica, com cabeça pequena e cauda curta e cônica. É a maior espécie de seu gênero, com comprimento total de 521 mm. Sua coloração é predominantemente azul-escura iridescente, com ventre marrom-escuro, grandes manchas bege acinzentado claro ao longo da parte inferior, uma faixa laranja-cromo ao redor da cauda, uma barra amarelo-cremosa no focinho e pequenas pintas bege acinzentado nas laterais. Diferencia-se das outras espécies do gênero por seu tamanho maior, ausência de listras laterais e falta de manchas claras no dorso.

A espécie é noturna e fossorial (adaptada à vida subterrânea). Provavelmente se alimenta de minhocas, serpentes e lagartos sem patas. Sua reprodução não foi observada, mas outras espécies do gênero depositam ovos, algo incomum para sua superfamília Uropeltoidea, na qual a maioria das espécies dá à luz filhotes vivos. A Lista Vermelha da IUCN classifica A. monticola como deficiente de dados devido à escassez de informações sobre sua distribuição e ameaças.

Taxonomia e sistemática

A espécie foi descrita pela primeira vez pelo herpetologista Indraneil Das e colegas em 2008, com base em um espécime fêmea coletado no Parque Kinabalu, Bornéu, em 2004. Espécimes previamente coletados haviam sido incorretamente identificados como Cylindrophis ruffus. O epíteto específico monticola vem do latim e significa "habitante das montanhas", em referência à localidade-tipo, o Monte Kinabalu.[2]

A. monticola é uma das três espécies do gênero Anomochilus, o único gênero da família Anomochilidae. Essa família é uma das três da superfamília Uropeltoidea, junto com Uropeltidae e Cylindrophiidae.[3] Estudos genéticos indicam que a família Cylindrophiidae é parafilética em relação à Anomochilidae, e algumas autoridades fundem a última na primeira.[4][5]

Descrição

Assim como outras espécies do gênero, A. monticola tem corpo cilíndrico, com cabeça pequena e arredondada e cauda curta e cônica.[2][3] É a maior serpente do gênero Anomochilus, com comprimento rostro-cloacal de 507–509 mm e comprimento total médio de 521,2 mm.[2][6] Sua coloração é predominantemente azul-escura iridescente no dorso, com uma faixa laranja-cromo ao redor da cauda e uma barra amarelo-cremosa no focinho. O ventre é uniformemente marrom-escuro, com grandes manchas claras bege acinzentado dispostas em pares, da garganta à cauda. Pequenas pintas bege acinzentado também estão presentes nas laterais.[2] A cabeça é contínua com o pescoço e, apesar da natureza fossorial da espécie, o focinho não possui reforços para escavação.[3] O dorso é liso, com escamas ligeiramente maiores que as do ventre.[2]

A. monticola possui 19 fileiras de escamas (excluindo as escamas ventrais) no meio do corpo, 258–261 escamas midventrais (ao longo da linha média do ventre) e 7–8 escamas subcaudais (entre a cloaca e a ponta da cauda). Diferencia-se de outras serpentes fora de seu gênero por sua cabeça e olhos pequenos, grandes escamas na testa, uma única escama nasal adjacente à segunda escama supralabial, ausência de escamas loreais e pré-oculares, uma única escama pós-ocular e falta de sulco mental.[2]

Pode ser distinguida das outras duas espécies do gênero, também presentes em Bornéu, por seu tamanho significativamente maior e por características de coloração e escamação. Difere de A. weberi pela ausência de listras claras nas laterais e por ter uma escama parietofrontal não pareada na testa. Diferencia-se de A. leonardi pela ausência de manchas claras nas escamas vertebrais e pelo número de escamas midventrais (258–261 em monticola, contra 214–252 em leonardi).[2]

Distribuição e habitat

A espécie A. monticola é conhecida apenas no Parque Kinabalu, em Sabah, Bornéu Malaio, onde foi registrada em florestas tropicais submontanas e montanas a altitudes de 1.450–1.513 m. Provavelmente habita tanto florestas perturbadas quanto primárias.[2][1] As duas localidades conhecidas onde os espécimes foram coletados ficam próximas a um riacho rochoso e a uma estrada pavimentada. É uma serpente fossorial e encontrada na serrapilheira.[2]

Ecologia e conservação

A serpente é noturna e fossorial.[2] Sua ecologia é pouco estudada, e há escassas informações sobre sua dieta e hábitos reprodutivos.[6] A ausência de sulco mental sugere que a cobra se alimenta de invertebrados alongados, como minhocas, e possivelmente de vertebrados pequenos e esguios, como serpentes e lagartos sem patas.[3] A reprodução da espécie não foi estudada, mas sabe-se que outras espécies de Anomochilus depositam ovos, diferentemente da maioria das Uropeltoidea, que dão à luz filhotes vivos.[3][6]

A espécie é classificada como deficiente de dados pela União Internacional para a Conservação da Natureza devido à falta de informações sobre sua distribuição e ameaças. Sua área de ocorrência conhecida está inteiramente dentro do Parque Kinabalu, uma área protegida.[1]

Referências

  1. a b c Iskandar, D.; Jenkins, H.; Das, I.; Auliya, M.; Inger, R.F.; Lilley, R. (2012). «Anomochilus monticola». Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas. 2012: e.T191983A2023863. doi:10.2305/IUCN.UK.2012-1.RLTS.T191983A2023863.enAcessível livremente. Consultado em 19 de maio de 2025 
  2. a b c d e f g h i j k Das, Indraneil; Lakim, Maklarin; Lim, Kelvin K. P.; Hui, Tan Heok (2008). «New species of Anomochilus from Borneo (Squamata: Anomochilidae)» (PDF). Journal of Herpetology (em inglês). 42 (3): 584–591. doi:10.1670/07-154.1 
  3. a b c d e O'Shea, Mark (2023). Snakes of the World: A Guide to Every Family (em inglês). Princeton: Princeton University Press. pp. 91–93. ISBN 9780691240671. OCLC 1356003917 
  4. Gower, D. J.; Vidal, N.; Spinks, J. N.; McCarthy, C. J. (2005). «The phylogenetic position of Anomochilidae (Reptilia: Serpentes): first evidence from DNA sequences». Journal of Zoological Systematics and Evolutionary Research (em inglês). 43 (4): 315–320. doi:10.1111/j.1439-0469.2005.00315.x 
  5. Li, Peng; Wiens, John J. (2022). «What drives diversification? Range expansion tops climate, life history, habitat and size in lizards and snakes». Journal of Biogeography (em inglês). 49 (2): 237–247. doi:10.1111/jbi.14304 
  6. a b c Das, Indraneil (2010). Field Guide to the Reptiles of South-East Asia (em inglês). London: New Holland Publishers. 257 páginas. ISBN 978-1-4729-2057-7. OCLC 455823617