Anita Guerreiro

Anita Guerreiro
Anita Guerreiro
Nome completoBebiana Guerreiro Rocha Cardinali
Nascimento
Morte
7 de dezembro de 2025 (89 anos)

ResidênciaBairro Alto, Lisboa
Nacionalidadeportuguesa
CônjugePepe Cardinalli (2 filhos)
OcupaçãoActriz e fadista

Bebiana Guerreiro Rocha Cardinali, que utilizava o nome artístico Anita Guerreiro (Pena, Lisboa, 13 de novembro de 1936Carnide, Lisboa, 7 de dezembro de 2025), foi uma atriz e fadista portuguesa.

Carreira

Bebiana Guerreiro Rocha Cardinalli nasceu na cidade de Lisboa, freguesia dos Anjos a 13 de novembro de 1936. Na infância viveu com o pai e a madrasta[1].Aos sete anos já dava nas vistas, cantando entre familiares e amigos na coletividade Sport Clube do Intendente, situada no bairro onde cresceu.

Em dezembro de 1952 concorre ao "Tribunal da Canção", um passatempo radiofónico do programa "Comboio das Seis e Meia", na época um enorme sucesso. Sobre este dia escreveu-se na imprensa: “Havia um cronómetro a contar o tempo dos aplausos recebidos por cada concorrente…. e Anita dispensou-o – tal a alegria do público a ovacioná-la com a surpresa da artista feita que não figurava no programa, mas enchia a sala com uma bela e sentida voz…”. (“Plateia”, 01 de Dezembro de 1970). O produtor do programa, Marques Vidal, surpreendido com a qualidade da sua prestação retirou-a do concurso e fê-la estrear-se no Café Luso com o nome artístico Anita Guerreiro. [2][3]

Em 1954 a "Voz de Portugal" destacava Anita Guerreiro na secção “Cantam Estrelas”: "...pelo que já vimos e ouvimos, é bem digna das nossas palavras de estímulo, é bem merecedora da nossa simpatia compreensiva." (A Voz de Portugal, 01 Agosto de 1954). Neste jornal figura também uma das primeiras criações de sucesso de Anita Guerreiro, “Menina Lisboa”, com letra de Francisco Radamanto e música de Martinho D´Assunção.

Em 1955, Anita Guerreiro apresenta-se no palco do Teatro Maria Vitória, nas revistas "Ó Zé Aperta o Laço” (Companhia Eugénio Salvador), onde se estreia e “Festa é Festa”. De novo o jornal “A Voz de Portugal” destaca a protagonista que revela em entrevista: “Se não fosse artista, gostaria de ser milionária, mas como isso é impossível, continuarei a ser artista para servir o Fado e o Teatro, sempre com a intenção de bem servir o público.” (“A Voz de Portugal”, 01 de Março de 1956).

Seguiram-se dezenas de outras participações em revistas. Neste palco, Anita Guerreiro distingue-se na divulgação do fado e de canções com temas populares e “alfacinhas”, interpretados com grande autenticidade e natural talento, fazendo de Anita uma das mais aplaudidas figuras do teatro de revista.

Anita Guerreiro, 1967

Embora com menor divulgação, Anita Guerreiro participou no filme Lisbon (1956) de Ray Milland, onde interpretou o tema "Lisboa Antiga" (Amadeu do Vale – José Galhardo / Raul Portela).

No histórico Parque Mayer, Anita Guerreiro funda e dirige a casa típica Adega da Anita, por onde passam grandes figuras do circuito fadista. Mais tarde encerra o espaço e parte com o marido para Angola, por onde se mantêm cerca de 3 anos. Após o seu regresso a Lisboa integra o elenco do Teatro Capitólio, no teatro de revista, Anita Guerreiro dá início a um dos pontos mais altos da sua carreira.

Do seu repertório constam grandes sucessos, e como afirmou recentemente: "Tive a sorte e, desde o início, apareceram pessoas a oferecer-me músicas e poemas. O que canto é tudo meu." (“DN”, 26 Julho de 2005).

Anita Guerreiro popularizou na sua voz vários êxitos, dos quais destacamos o fado-canção "Cheira a Lisboa” (Carlos Dias/César Oliveira) que em 1969 estreou na revista “Peço a Palavra”, no Teatro Variedades. Estas interpretações, em tempos áureos do Parque Mayer, conduziram-na ao Prémio Estevão Amarante para Melhor Artista de Revista (1970). Quase simultaneamente, em terras africanas, é-lhe atribuída a Guitarra de Oiro para além de prémios de interpretação e o primeiro prémio de fado (Festival da Canção de Luanda).

Apesar de todo o sucesso que obteve na sua carreira artística, nomeadamente no teatro de revista, Anita Guerreiro teve necessidade de se afastar durante um longo período de tempo. Regressou em 1982 ao Teatro Variedades, na revista "Há...mas são verdes". Nesse período de afastamento, Anita Guerreiro manteve-se a cantar Fado, gravando e atuando no estrangeiro, em longas temporadas na Europa, Canadá e nos Estados Unidos da América, locais onde recebeu os aplausos do público, nomeadamente das comunidades de emigrantes. Reflexo desse êxito são os Óscares de Popularidade que Anita recebeu em 1987 e 1988, em Fall River (E.U.A.).

No seu retorno a Portugal, Anita Guerreiro volta à interpretação, desta vez com grande destaque para a televisão, onde participou nos elencos de algumas telenovelas e séries portuguesas, destaque para "Primeiro Amor" (1995), "Roseira Brava" (1996), "Uma Casa em Fanicos" (1998), "A Loja do Camilo" (1999), "Nunca Digas Adeus" (2001), "Os Batanetes" (2004), e mais recentemente “Sentimentos” (2009). Pelo meio, regressa ao cinema em 1997, para um papel no filme "Morte Macaca" de Jeanne Waltz.

Num tributo à carreira de Anita Guerreiro, a Movieplay lança em 1994 um CD, integrado na coleção "O Melhor dos Melhores", com alguns dos seus maiores sucessos: "Festa é Festa" (Carlos Dias/Aníbal Nazaré), "Chico Marujo de Alfama" (António José/Ferrer Trindade), “Lisboa Ribeirinha” (António José/Rocha Oliveira), entre muitos outros.

Entre os aplausos, que soavam na casa de fados Faia, e da qual Anita Guerreiro integrava o elenco, as homenagens sucederam-se, como a ocorrida em Outubro de 2006 pela Junta de Freguesia dos Anjos.[4]

Grande referência no seu percurso foi a presença em inúmeras peças de teatro de revista.

Viveu parte da sua vida nos Estados Unidos, país onde casou e teve dois filhos.

Foi madrinha de diversas marchas populares em Lisboa, incluindo da “Marcha dos Mercados” entre 2006 e 2015. Recebeu uma homenagem em 2014 no Porto onde celebrou os seus 60 anos de carreira

Pertenceu ao elenco do restaurante O Faia, no Bairro Alto, em Lisboa.

Anita Guerreiro faleceu, durante o sono, a 7 de dezembro de 2025, aos 89 anos, na Casa do Artista, na freguesia de Carnide, em Lisboa, local onde residia desde 2018. [5]

Reconhecimento e Prémios

A cidade, a que Anita Guerreiro tantas vezes presta homenagem, retribui o devido reconhecimento, e em outubro de 2001, o Município de Lisboa, entrega-lhe o Pelourinho de Prata da Cidade.[6]

A par desta sua popularidade, Anita é também convidada para Madrinha de várias marchas populares de Lisboa, nomeadamente a "Marcha dos Mercados".

A 17 de fevereiro de 2004 realiza-se no Teatro Municipal de São Luiz um tributo à voz emblemática da cidade de Lisboa, num espetáculo comemorativo dos 50 anos de carreira da fadista e que antecedeu a homenagem. Neste espetáculo estiveram presentes nomes como António Calvário, António Rocha, Fernanda Baptista, Marina Mota, Natalina José, entre outros que se juntaram à justa consagração. [7]10 anos mais tarde, em 2014, é novamente homenageada pelos seus 60 anos de carreira, numa homenagem produzida por Daniel Martins, em Ermesinde. [8][9]

Também em retrospetiva da sua vasta carreira, a Movieplay lança em 2005 o CD "Anita Guerreiro - Antologia 50 Anos de Teatro em Revista (1955-2000)",com 30 dos seus maiores êxitos interpretados na Revista portuguesa. [2]

Em 2022, viu o seu nome ser adicionado ao Passeio da Fama na Praça da Alegria, em Lisboa, pela Junta de Freguesia de Santo António. [10]

Foi distinguida com:

  • 1970 - Prémio Estevão Amarante, para Melhor Artista de Revista [11][12]
  • 1987 e 1988 - Óscares de popularidade, Fall River, nos Estados Unidos [11]
  • 2001 - É homenageada pelas das Colectividades de Lisboa e é galardoada com o Pelourinho de Prata, pela Camara Municipal de Lisboa [6]
  • 2004 - Medalha de mérito grau ouro, do município de Lisboa, pelos 50 anos de carreira [13][6]
  • 2009 - Mascaras de Ouro do Teatro Maria Vitória
  • Prémio Guitarra de ouro [14]

Televisão

Na televisão integrou o elenco de várias séries e telenovelas, entre elas: [15]

Teatro

Fez parte do elenco de várias revistas:

Filmografia

No cinema integra o elenco dos filmes:

Cantou com sucesso os temas: [13]

  • Cheira Bem, Cheira a Lisboa [13]
  • Fado da Sardinhada
  • Santo António Veio a Alfama
  • Sou Tua
  • Tristezas não Pagam Dívidas
  • Senhora da Saúde
  • Calçadinha à Portuguesa
  • Hermínia de Lisboa

Discografia

Entre a sua discografia encontram-se: [62][63][64]

  • 1970 - Cheira a Lisboa, LP, Álbum [65]
  • 1970 - Cheira a Lisboa ‎(7″, EP) [65]
  • 1970 - Marcha de Benfica / São João Bonito ‎(7″, Single)
  • Sérgio e Anita Guerreiro, Estoril (EP 7") [63][66]
  • Tia Anica [63]
  • 1973 - Anita Guerreiro (LP 12") [67]
  • 1979 - Anita Guerreiro ‎(LP, Álbum) [68][65]
  • 1982 - Miúdo de Esquina ‎(7″, Single) [65]
  • 1994 - Anita Guerreiro, Colecção O melhor dos melhores, Movieplay [69]
  • 1995 - Melodias de Sempre, Vol 1 e 2, Movieplay [70]
  • 2005 - 50 Anos de Teatro de Revista 1955-2005, antologia, Movieplay [2][71]
  • 2005 - Marchas Populares de Lisboa 2005, EGEAC [72]

Referências

  1. «Boletim Informativo da Casa do Artista Volume XXV, Edição II» (PDF). Abril de 2018. Consultado em 10 de Maio de 2018 
  2. a b c Portugal, Rádio e Televisão de (21 de maio de 2005). «Antologia de 50 anos de teatro de revista de Anita Guerreiro sai em Junho». Antologia de 50 anos de teatro de revista de Anita Guerreiro sai em Junho. Consultado em 7 de dezembro de 2025 
  3. «Anúncio a concerto de fado no Café Luso». casacomum.org. Consultado em 15 de novembro de 2025 
  4. «Museu do Fado». Museu do Fado. Consultado em 7 de dezembro de 2025 
  5. «Morreu a fadista e atriz Anita Guerreiro». SIC Notícias. 7 de dezembro de 2025 
  6. a b c «Anita Guerreiro Cheira a Lisboa». Municipio de Lisboa. 29 de maio de 2015. Consultado em 7 de dezembro de 2025 
  7. Fonseca, Sofia (7 de dezembro de 2025). «Morreu a fadista e atriz Anita Guerreiro». Diário de Notícias (em inglês). Consultado em 7 de dezembro de 2025 
  8. «Jornal A Voz de Ermesinde - 21-02-2014 - Cultura - Fadista e atriz Anita Guerreiro festejou os seus 60 anos de carreira em Ermesinde». www.avozdeermesinde.com. Consultado em 7 de dezembro de 2025 
  9. «Fotos: Anita Guerreiro festeja 60 anos de carreira». Lux. Consultado em 7 de dezembro de 2025 
  10. «Passeio da Fama na Praça da Alegria tem mais 25 nomes». Municipio de Lisboa. 27 de março de 2022. Consultado em 7 de dezembro de 2025 
  11. a b «Nova Antena: Número 103 - Exposição Temporária - Museu Virtual RTP». museu.rtp.pt. Consultado em 7 de dezembro de 2025 
  12. «Anita Guerreiro – Parte I». Consultado em 7 de dezembro de 2025 
  13. a b c «Morreu a fadista Anita Guerreiro». Expresso. 7 de dezembro de 2025. Consultado em 7 de dezembro de 2025 
  14. «"Cheira a Lisboa". Anita Guerreiro, a fadista que gostava de ser atriz». Notícias ao Minuto. 7 de dezembro de 2025. Consultado em 7 de dezembro de 2025 
  15. «Anita Guerreiro - Pessoas Cinema Português». cinemaportuguesmemoriale.pt. Consultado em 8 de dezembro de 2025 
  16. «Polícias - Filmes». cinemaportuguesmemoriale.pt. Consultado em 8 de dezembro de 2025 
  17. «Vidas Proibidas - Ballet Rose - Filmes». cinemaportuguesmemoriale.pt. Consultado em 8 de dezembro de 2025 
  18. «Liberdade 21 - 1ª temporada - Filmes». cinemaportuguesmemoriale.pt. Consultado em 8 de dezembro de 2025 
  19. «Anúnicio da revista Zé Aperta o Laço, no Diário de Lisboa, de 5 de Fevereiro de 1955». casacomum.org. Consultado em 15 de novembro de 2025 
  20. «Anúnicio da Revista Zé Aperta o Laço, no Diário de Lisboa de 7 de Março de 1955». casacomum.org. Consultado em 15 de novembro de 2025 
  21. «Anúncio da revista Rir até às lágrimas, no Diário de Lisboa de 13 de Maio de 1955». casacomum.org. Consultado em 15 de novembro de 2025 
  22. «Anúncio da revista Festa é Festa, no Diário de Lisboa, de 23 de Outubro de 1955». casacomum.org. Consultado em 15 de novembro de 2025 
  23. «Anúncio da revista Fonte Luminosa, no Diário de Lisboa de 13 de Abril de 1956». casacomum.org. Consultado em 15 de novembro de 2025 
  24. «Anúncio da revista O Reboliço, no Diário de Lisboa, de 6 de Outubro de 1956». casacomum.org. Consultado em 7 de dezembro de 2025 
  25. «Anúncio da revista O Reboliço, no Diário de Lisboa, de 28 de Setembro de 1956». casacomum.org. Consultado em 7 de dezembro de 2025 
  26. «Anúncio da revista Toca a Música!, no Diário de Lisboa, de 2 de Março de 1957». casacomum.org. Consultado em 15 de novembro de 2025 
  27. «Anúncio de O João Valentão, no Diário de Lisboa, de 24 de Maio de 1957». casacomum.org. Consultado em 7 de dezembro de 2025 
  28. «Anúncio do espectáculo "Curvas Perigosas", no Diário de Lisboa, de 10 de Outubro de 1957». casacomum.org. Consultado em 15 de novembro de 2025 
  29. «Anúncio da revista Pernas à Vela, no Diário de Lisboa, 8 de Março de 1958». casacomum.org. Consultado em 7 de dezembro de 2025 
  30. «Anúncio de "Há Feira no Coliseu!", no Diário de Lisboa, de 6 de Agosto de 1959». casacomum.org. Consultado em 15 de novembro de 2025 
  31. «06537.075.16532». Anúncio da revista Isto é Delas, no Diário de Lisboa, de 29 de Novembro de 1959. Consultado em 7 de dezembro de 2025 
  32. «Anúncio da Revista é Sempre Revista, no Diário de Lisboa, de 12 de Fevereiro de 1960». casacomum.org. Consultado em 7 de dezembro de 2025 
  33. «Anúncio do espectáculo "Taco a Taco", no Diário de Lisboa, de 4 de Abril de 1960». casacomum.org. Consultado em 15 de novembro de 2025 
  34. «MatrizNet: Revista "Mulheres de Sonho", da Companhia Eugénio Salvador, nos Coliseu dos Recreios». www.matriznet.dgpc.pt. Consultado em 15 de novembro de 2025. Cópia arquivada em 27 de fevereiro de 2024 
  35. «Critica ao espectáculo "Mulheres de Sonho", no Diário de Lisboa, de 24 de Setembro de 1960». casacomum.org. Consultado em 15 de novembro de 2025 
  36. «Anúncio do espectáculo "Chá-Chá-Chá", da Companhia Eugénio Salvador, no Diário de Lisboa, de 23 de Dezembro de 1960». casacomum.org. Consultado em 15 de novembro de 2025 
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