Anel de Polícrates

O Anel de Polícrates é um episódio lendário da Grécia Antiga, sobre um anel que teria sido de Polícrates, tirano de Samos.[1]

O mito

Segundo o historiador Heródoto, o rei Amasis achava que Polícrates estava a fazer tanto sucesso que isso acabaria por lhe trazer má sorte, e aconselhou-o a livrar-se da coisa que ele mais prezasse, para assim evitar uma viragem desfavorável do destino. Polícrates seguiu o conselho e atirou para o mar um anel incrustado de joias; no entanto, alguns dias depois um pescador apanhou um peixe grande que quis oferecer ao tirano. Enquanto os cozinheiros de Polícrates preparavam o peixe para ser comido, descobriram o anel dentro dele.

Polícrates contou a Amasis a sua boa sorte, e Amasis imediatamente rompeu a aliança entre eles, acreditando que um homem tão afortunado acabaria por ter um fim desastroso. Dentro da obra de Heródoto, esta história serve para desenvolver temas gerais sobre a mutabilidade da fortuna e sobre como julgar o sucesso. A maior parte das referências posteriores a Polícrates na literatura e noutras formas de arte tem-se centrado nesta história.[2]

Legado cultural

O Anel de Polícrates (em alemão: Der Ring des Polykrates) é uma balada lírica escrita em junho de 1797 por Friedrich Schiller e publicada pela primeira vez no anuário Musen-Almanach de 1798. Trata-se de uma reflexão sobre como o maior sucesso pode, por si só, ser motivo de medo de desastre. Schiller baseou-se nos relatos sobre o destino de Polícrates, tirano de Samos, nas Histórias, Livro III, de Heródoto.[3]

O conto de Machado de Assis "O Anel de Polícrates", publicado em 1882, faz referência à história. O personagem Xavier, após ter a ideia original de comparar a vida a um cavalo xucro, resolve testar sua sorte usando o método do anel de Polícrates, ou seja, espalhando a ideia e vendo se um dia retornaria, no sentido de que as pessoas, ao contá-la, atribuiriam a ele a autoria.[4]

O mito inspirou um poema dramático em quatro atos de Eugénio de Castro, publicado em 1907. Conta a história de um tirano que atirou um anel com o selo de Salomão no mar, mas este voltou às suas mãos pelas entranhas de um peixe. Foi baseado em um trecho da obra de Heródoto de Halicarnasso.[5][6][7]

A ópera de 1916 Der Ring des Polykrates, do compositor austríaco Erich Wolfgang Korngold, reconta a história de Polícrates como uma fábula moderna.[8]

Referências

  1. Brockington, Mary. "Discovery in the Morrois: Antecedents and Analogues." The Modern Language Review 93, no. 1 (1998): 1-15. doi:10.2307/3733618.
  2. Herodotus 3.40-42
  3. Musen-Almanach für das Jahr 1798, Cotta, 1797
  4. MONTESINI, Cláudia de Fátima. A (re)leitura da cultura clássica em “O Anel de Polícrates”. 2008. Disponível em: https://www.filologia.org.br/machado_de_assis/A%20%28re%29leitura%20da%20cultura%20cl%C3%A1ssica%20em%20O%20Anel%20de%20Pol%C3%B3cretes.pdf . Acesso em: 28 dez. 2025.
  5. BOLETIM da Academia das Ciências de Lisboa. Lisboa: Academia das Ciências de Lisboa, 1931. p. 475.
  6. CASCUDO, Luís da Câmara. Dicionário do folclore brasileiro. Rio de Janeiro: Instituto Nacional do Livro, 1979. 811 p. p. 735.
  7. VASCONCELOS, José Leite de. Contos populares e lendas. Lisboa: [s.n.], 1963. p. 350.
  8. KORNGOLD, Erich Wolfgang. Der Ring des Polykrates (opera), Op. 7. Classical Archives, 2008. Disponível em: http://www.classicalarchives.com/work/40823.html#tvf=tracks&tv=about. Acesso em: 5 ago. 2010.