Amphisbaena mitchelli
Amphisbaena mitchelli
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| Estado de conservação | |||||||||||||||||||
![]() Pouco preocupante (IUCN 3.1) [1] | |||||||||||||||||||
| Classificação científica | |||||||||||||||||||
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| Nome binomial | |||||||||||||||||||
| Amphisbaena mitchelli (Procter, 1923) | |||||||||||||||||||
| Sinónimos[2] | |||||||||||||||||||
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Amphisbaena mitchelli, popularmente chamada cobra-de-duas-cabeças,[3] é uma espécie de anfisbênia da família dos anfisbenídeos (Amphisbaenidae), endêmica do Brasil.[1] Foi descrita por Joan Beauchamp Procter em 1923.[4][5]
Eponímia
O epíteto específico mitchelli homenageia Sir Peter Chalmers Mitchell (1864–1945), jornalista e zoólogo britânico.[6]
Descrição
Espécie de porte médio para Amphisbaena (com 145 milímetros[7]), apresentando de 211 a 220 anéis corporais principais e de 28 a 29 anéis caudais até a constrição de autotomia. Possui duas glândulas pré-cloacais ovais e três supralabiais e três infralabiais.[8] Exemplares preservados exibem coloração dorsal uniformemente castanha escura, com ventre ligeiramente mais claro.[8]
Distribuição e habitat
Amphisbaena mitchelli é endêmica do Brasil. A localidade-tipo é a ilha de Marajó, no município de Belém, no Pará.[2] Outras ocorrências no Pará incluem Ananindeua, Barcarena, Belterra, Colônia Nova, Curionópolis, Floresta Nacional de Carajás, Jaruá, Marabá, Melgaço, Ourém, Paragominas, Parauapebas, Peixe-Boi, Santa Luzia, Santo Antônio do Tauá e Viseu. Houve registro adicional em áreas de transição Amazônia–Cerrado no Maranhão, em Paruá e Puraquéu, em Igarapé do Meio.[9][7]
Biologia e ecologia
Amphisbaena mitchelli é uma espécie fossorial e de hábitos subterrâneos, que se alimenta presumivelmente de invertebrados do solo. Estudos morfológicos indicam semelhanças entre A. mitchelli e A. miringoera, sugerindo convergência morfológica.[10] Uma checklist global confirma a validade taxonômica da espécie.[4] No Parque Estadual do Utinga, registros históricos mostraram variação na diversidade reptiliana incluindo esta espécie.[11] Levantamentos em Barcarena, no Pará, confirmaram a presença de A. mitchelli no norte do estado.[12] É ovípara, com postura de ovos diretamente no solo durante a estação chuvosa.[2]
Conservação
A União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) classifica Amphisbaena kraoh como Pouco Preocupante (LC), pois ocorre numa ampla área (132 870,7 quilômetros quadrados). Habita ambientes antropizados. Apesar de sofrer pressão da conversão de sua área natural em grandes áreas de pastagens e monocultura, não há evidências de que esteja em risco.[1] Em 2018, foi classificada como Pouco Preocupante (LC) no Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).[3][13][14]
Referências
- ↑ a b c Silveira, A. L.; da Rocha, C. F. D.; Nogueira, C. de C.; Werneck, F. P.; de Moura, G. J. B.; Winck, G.; Ribeiro Júnior, M. A.; Kiefer, M.; de Freitas, M. A.; Hoogmoed, M. S.; Tinôco, M. S.; Valadão, R.; Cardoso Vieira, R.; Perez Maciel, R.; Gomes Faria, R.; Recoder, R.; Ávila, R. W.; Torquato da Silva, S.; de Barcelos Ribeiro, S.; vila-Pires, T. C. S. (2012). «Mitchell's Worm Lizard, Amphisbaena mitchelli». Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas. 2012: e.T75161240A75161257. doi:10.2305/IUCN.UK.2021-3.RLTS.T75161240A75161257.en
. Consultado em 11 de maio de 2025
- ↑ a b c «Amphisbaena mitchelli Procter, 1923». The Reptile Database. Consultado em 11 de maio de 2025. Cópia arquivada em 19 de fevereiro de 2025
- ↑ a b «Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção» (PDF). Brasília: Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Ministério do Meio Ambiente. 2018. Consultado em 3 de maio de 2022. Cópia arquivada (PDF) em 3 de maio de 2018
- ↑ a b Gans, C. (2005). Checklist and bibliography of the Amphisbaenia of the world. 289. Nova Iorque: Museu Americano de História Natural. pp. 1–130. Consultado em 10 de maio de 2025. Cópia arquivada em 10 de maio de 2025
- ↑ Procter, J.B. (1923). «On new and rare reptiles from South America». Proceedings of the Zoological Society of London. 1923: 1061–1068. Consultado em 11 de maio de 2025
- ↑ Beolens, B.; Watkins, M.; Grayson, M. (2011). The Eponym Dictionary of Reptiles. Baltimore, USA: Johns Hopkins University Press
- ↑ a b Silva, J. R. (2019). Caracterização morfológica e distribuição dos anfisbênios (Squamata, Amphisbaenidae) no Brasil (PDF) (Tese). Universidade Federal do Oeste do Pará. pp. 28, 73, 87–91, 182–183
- ↑ a b Gans, C. (1963). Notes on amphisbaenids (Amphisbaenia, Reptilia). 7. Redescription and redefinition of Amphisbaena mitchelli Procter and Amphisbaena slevini Schmidt. 2127. [S.l.]: American Museum Novitates. pp. 1–22
- ↑ Paiva, C.L. Oliveira; Costa, H.C. (2023). «Updated distribution map of Amphisbaena mitchelli Procter, 1923 (Squamata: Amphisbaenidae) with a new record in Maranhão, Brazil». Revista Latinoamericana de Herpetología. 6 (4): 30–34. Consultado em 30 de abril de 2025
- ↑ Almeida, J.P.F.A.; Dal Vechio, F.; Rodrigues, M.T. (2016). «Morphological similarities between Amphisbaena mitchelli Procter, 1923 and A. miringoera Vanzolini, 1971 (Squamata: Amphisbaenidae): phylogeneticrelatedness or morphological convergence?». Zootaxa. 4168 (3): 573–576. Consultado em 11 de maio de 2025
- ↑ Ávila-Pires, T. C. S.; Álves-Silva, K. R.; Corrêa, F. S.; Lima-Filho, G. R. (2018). «Changes in amphibian and reptile diversity over time in Parque Estadual do Utinga, a Protected Area Surrounding Urbanization». Herpetology Notes. 11: 499–511. Consultado em 11 de maio de 2025
- ↑ Silva, F.M.; Galatti, U. (2011). «Squamate reptiles from municipality of Barcarena and surroundings, state of Pará, north of Brazil» (PDF). Check List. 7 (3): 220–226. Consultado em 11 de maio de 2025
- ↑ «Amphisbaena mitchelli Procter, 1923». Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr). Consultado em 11 de maio de 2025. Cópia arquivada em 11 de maio de 2025
- ↑ «Avaliação do Risco de Extinção dos Lagartos Brasileiros» (PDF). Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Répteis e Anfíbios (RAN), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Ministério do Meio Ambiente. 2020. Consultado em 10 de maio de 2025. Cópia arquivada (PDF) em 11 de dezembro de 2024
