Amphisbaena kraoh

Amphisbaena kraoh
Estado de conservação
Espécie pouco preocupante
Pouco preocupante (IUCN 3.1) [1]
Classificação científica
Domínio: Eukaryota
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Reptilia
Ordem: Squamata
Subordem: Amphisbaenia
Família: Amphisbaenidae
Gênero: Amphisbaena
Espécie: A. kraoh
Nome binomial
Amphisbaena kraoh
(Vanzolini, 1971)
Sinónimos[5]
  • Bronia kraoh (Vanzolini, 1971)[2]
  • Bronia kraoh (Castro-Mello, 2003)[3]
  • Amphisbaena kraoh (Mott & Vieites, 2009)[4]

Amphisbaena kraoh, popularmente chamada cobra-de-duas-cabeças,[6] é uma espécie de anfisbênia da família dos anfisbenídeos (Amphisbaenidae), endêmica do Brasil.[1] Foi descrita por Paulo Vanzolini em 1971.[2][7]

Etimologia

O epíteto específico kraoh homenageia os indígenas craós, que habitam a área do Jalapão, no Tocantins.[2]

Descrição

Amphisbaena kraoh apresenta nasais unidas na linha média; quatro supralabiais; 281 anéis ventrais; treze anéis caudais subiguais; par médio de segmentos pré-anais muito grandes, que se estendem anteriormente e dividem a fileira de poros em duas metades, cada uma com três poros dispostos lateralmente ao corpo.[2][5] Sua cabeça é arredondada dorsalmente e levemente convexa lateralmente e os exemplares conhecidos têm comprimento rostro-cloacal variando de 240 a 350 milímetros.[8]

Distribuição e habitat

Amphisbaena kraoh é endêmica do Brasil, cuja localidade-tipo é o município de Pedro Afonso, na região do Jalapão, no estado do Tocantins.[5] Também há registros em Goiás e na região da Usina Hidrelétrica de Estreito, na porção sul do estado do Maranhão. Ocorre nos biomas da Amazônia e Cerrado.[8] Habita solos arenosos e folhiços, sendo encontrado sob troncos e detritos vegetais.[2]

Biologia e ecologia

Amphisbaena kraoh é uma espécie fossorial, vive em galerias subterrâneas e alimenta-se de invertebrados do solo. É ovípara, com postura de ovos diretamente no solo durante a estação chuvosa.[2]

Conservação

A União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) classifica Amphisbaena kraoh como Pouco Preocupante (LC), pois ocorre numa ampla área (33 180,9 quilômetros quadrados), cuja extensão pode ser maior, mas a espécie é de difícil detecção. Apesar de haver perda de vegetação nativa em decorrência de desmatamento, agricultura mecanizada e implantação de empreendimentos imobiliários em sua área, não são conhecidas ameaças que coloquem a espécie em risco. No Maranhão, também sofre pressão pela implementação da hidrelétrica de Estreito. Dois pontos onde ocorre no Tocantins fazem parte da Estação Ecológica Serra Geral do Tocantins.[1] Em 2018, foi classificada como Pouco Preocupante (LC) no Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).[6][9][10]

Referências

  1. a b c Silveira, A. L.; da Rocha, C. F. D.; Nogueira, C. de C.; Werneck, F. P.; de Moura, G. J. B.; Winck, G.; Ribeiro Júnior, M. A.; Kiefer, M.; de Freitas, M. A.; Hoogmoed, M. S.; Tinôco, M. S.; Valadão, R.; Cardoso Vieira, R.; Perez Maciel, R.; Gomes Faria, R.; Recoder, R.; Ávila, R. W.; Torquato da Silva, S.; de Barcelos Ribeiro, S.; vila-Pires, T. C. S. (2021). «Amphisbaena kraoh». Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas. 2021: e.T75160646A75160683. doi:10.2305/IUCN.UK.2021-3.RLTS.T75160646A75160683.enAcessível livremente. Consultado em 10 de maio de 2025 
  2. a b c d e f Vanzolini, P.E. (1971). «New Amphisbaenidae from Brasil». Papéis Avulsos de Zoologia, São Paulo. 24 (14): 191–195. Consultado em 11 de maio de 2025. Cópia arquivada em 10 de setembro de 2024 
  3. Castro-Mello, C. (2003). «Nova espécie de Bronia GRAY 1845, do estado do Tocantins, Brasil (Squamata: Amphisbaenidae)». Papéis Avulsos de Zoologia, São Paulo. 43 (7): 139–143. Consultado em 11 de maio de 2025. Cópia arquivada em 19 de julho de 2024 
  4. Mott, T.; Vieites, D.R. (2009). «Molecular phylogenetics reveals extreme morphological homoplasy in Brazilian worm lizards challenging current taxonomy» (PDF). Molecular Phylogenetics and Evolution. 51 (2): 190–200. Consultado em 11 de maio de 2025 
  5. a b c «Amphisbaena kraoh Vanzolini, 1971». The Reptile Database. Consultado em 11 de maio de 2025. Cópia arquivada em 14 de dezembro de 2024 
  6. a b «Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção» (PDF). Brasília: Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Ministério do Meio Ambiente. 2018. Consultado em 3 de maio de 2022. Cópia arquivada (PDF) em 3 de maio de 2018 
  7. Gans, C. (2005). Checklist and bibliography of the Amphisbaenia of the world. 289. Nova Iorque: Museu Americano de História Natural. pp. 1–130. Consultado em 10 de maio de 2025. Cópia arquivada em 10 de maio de 2025 
  8. a b Silva, J. R. (2019). Caracterização morfológica e distribuição dos anfisbênios (Squamata, Amphisbaenidae) no Brasil (PDF) (Tese). Universidade Federal do Oeste do Pará. pp. 28, 73, 81–83, 182–183 
  9. «Amphisbaena kraoh (Vanzolini, 1971)». Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr). Consultado em 11 de maio de 2025. Cópia arquivada em 11 de maio de 2025 
  10. «Avaliação do Risco de Extinção dos Lagartos Brasileiros» (PDF). Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Répteis e Anfíbios (RAN), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Ministério do Meio Ambiente. 2020. Consultado em 10 de maio de 2025. Cópia arquivada (PDF) em 11 de dezembro de 2024