Amphisbaena frontalis

Amphisbaena frontalis
Estado de conservação
Espécie pouco preocupante
Pouco preocupante (IUCN 3.1) [1]
Classificação científica
Domínio: Eukaryota
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Reptilia
Ordem: Squamata
Subordem: Amphisbaenia
Família: Amphisbaenidae
Gênero: Amphisbaena
Espécie: A. frontalis
Nome binomial
Amphisbaena frontalis
(Vanzolini, 1991)
Sinónimos[2][3]
  • Amphisbaena ibijara (Rodrigues, Andrade & Dias-Lima, 2003)
  • Amphisbaena ibijara (Gans 2005: 15)
  • Amphisbaena frontalis (Gan 2005: 14)
  • Amphisbaena ibijara (Miranda et al. 2012)
  • Amphisbaena aff. frontalis (Madeiros-Magalhães et al. 2015)
  • Amphisbaena frontalis (Ribeiro et al. 2022)

Amphisbaena frontalis (A. ibijara), popularmente chamada cobra-de-duas-cabeças[4] ou cobra-de-duas-cabeças-da-terra,[2] é uma espécie de anfisbênia da família dos anfisbenídeos (Amphisbaenidae), endêmica do Brasil.[1] Foi descrita por Paulo Vanzolini em 1991. Em 2022, A. ibijara, reconhecida desde 2003 como espécie válida segundo Miguel Trefaut Rodrigues, Gilda V. Andrade e Jucivaldo Dias-Lima, tornou-se sua sinônima.[2]

Descrição

Amphisbaena frontalis é um espécie de pequeno porte, com os adultos medindo aproximadamente de 222 a 235 milímetros de comprimento cabeça-tronco e 13 a 20 milímetros de cauda.[5] Seu rostral, nasais, frontais, parietais e labiais são discretos. Apresenta 3/3 escudos supralabiais e duas fileiras de pós-geniais. Não há fusão dos escudos da cabeça, nem fileira de escudos pós-malares Tem de 239 a 250 anéis do corpo, de 23 a 25 anéis caudais, de 14 a 16 segmentos dorsais do meio do corpo e de 14 a 16 segmentos ventrais do meio do corpo, bem como apresenta de quatro poros pré-cloacais.[6][7] Não há dimorfismo sexual.[8]

Distribuição e habitat

Amphisbaena frontalis é endêmica do Brasil[9] e ocorre nos estados da Bahia e Maranhão (Estreito, Lençóis Maranhenses, Rosário, São Luís, Timon, Urbano Santos[6]), em áreas dos biomas do Cerrado, Amazônia e na transição Cerrado–Caatinga, em solos arenosos. Suas duas localidades-tipo são: o município de Alagoado, na Bahia; e a Fazenda Santo Amaro, no município de Urbano Santos, no Maranhão.[2]

Biologia e ecologia

Amphisbaena frontalis é fossorial, vivendo em túneis subterrâneos e alimentando-se principalmente de cupins e larvas de coleópteros.[8] É ovípara, com postura de ovos no solo durante o período chuvoso.[5]

Conservação

A União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) classifica Amphisbaena frontalis (ainda chamada A. ibijara) como Pouco Preocupante (LC), pois ocorre numa área de 62 890,3 quilômetros quadrados e não aparenta ter problemas com ambientes alterados, apesar da presença de plantações de eucalipto e pecuária.[1] Em 2018, foi classificada como Pouco Preocupante (LC) no Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) (ainda chamada A. ibijara).[4][10][11]

Referências

  1. a b c Silveira, A. L.; da Rocha, C. F. D.; Nogueira, C. de C.; Werneck, F. P.; de Moura, G. J. B.; Winck, G.; Ribeiro Júnior, M. A.; Kiefer, M.; de Freitas, M. A.; Hoogmoed, M. S.; Tinôco, M. S.; Valadão, R.; Cardoso Vieira, R.; Perez Maciel, R.; Gomes Faria, R.; Recoder, R.; Ávila, R. W.; Torquato da Silva, S.; de Barcelos Ribeiro, S.; vila-Pires, T. C. S. (2021). «Amphisbaena ibijara». Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas. 2021: e.T75160413A75160415. doi:10.2305/IUCN.UK.2021-3.RLTS.T75160413A75160415.enAcessível livremente. Consultado em 10 de maio de 2025 
  2. a b c d «Amphisbaena frontalis Vanzolini, 1991». The Reptile Database. Consultado em 10 de maio de 2025. Cópia arquivada em 19 de fevereiro de 2025 
  3. Ribeiro-Júnior, M. A.; Ribeiro, S.; Cintra, C. E. D.; Gomes, J. O. (2022). «Amphisbaena ibijara Rodrigues, Andrade and Lima, 2003 is a junior synonym of Amphisbaena frontalis Vanzolini, 1991 (Squamata, Amphisbaenia)». Journal of Herpetology. 56 (2): 234–240 
  4. a b «Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção» (PDF). Brasília: Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Ministério do Meio Ambiente. 2018. Consultado em 3 de maio de 2022. Cópia arquivada (PDF) em 3 de maio de 2018 
  5. a b Rodrigues, M. T.; Andrade, G. V.; Dias Lima, J. (2003). «A new species of Amphisbaena (Squamata, Amphisbaenidae) from state of Maranhão, Brazil». Phyllomedusa. 2 (1): 21–26. Consultado em 10 de maio de 2025. Cópia arquivada em 10 de maio de 2025 
  6. a b Silva, J. R. (2019). Caracterização morfológica e distribuição dos anfisbênios (Squamata, Amphisbaenidae) no Brasil (PDF) (Tese). Universidade Federal do Oeste do Pará. pp. 28, 73, 76–78, 182–183 
  7. Gans, C. (2005). Checklist and bibliography of the Amphisbaenia of the world. 289. Nova Iorque: Museu Americano de História Natural. pp. 1–130. Consultado em 10 de maio de 2025. Cópia arquivada em 10 de maio de 2025 
  8. a b Gomes, J. O.; Maciel, A. O.; Costa, J. C. L.; Andrade, G. V. (2009). «Diet Composition in Two Sympatric Amphisbaenian Species (Amphisbaena ibijara and Leposternon polystegum) from the Brazilian Cerrado» (PDF). Journal of Herpetology. 43 (3): 377–384 
  9. «Ocorrência do gênero Amphisbaena». Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr). Consultado em 6 de maio de 2025. Cópia arquivada em 10 de maio de 2025 
  10. «Amphisbaena ibijara Rodrigues, Andrade & Dias Lima, 2003». Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr). Consultado em 10 de maio de 2025. Cópia arquivada em 10 de maio de 2025 
  11. «Avaliação do Risco de Extinção dos Lagartos Brasileiros» (PDF). Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Répteis e Anfíbios (RAN), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Ministério do Meio Ambiente. 2020. Consultado em 10 de maio de 2025. Cópia arquivada (PDF) em 11 de dezembro de 2024