Amoreiras-Gare

Amoreiras-Gare
Distrito Distrito de Beja
Município Odemira
Freguesia São Martinho das Amoreiras
Localização
Coordenadas 🌍
Povoações de Portugal

Amoreiras-Gare é uma aldeia na freguesia de São Martinho das Amoreiras, no concelho de Odemira, em Portugal.

Descrição e história

Publicidade à moagem de António Romão, sedeada em Amoreiras-Gare. Esta imagem foi publicada no jornal Vida Alentejana em 1935.

Na aldeia destaca-se a Associação para o Desenvolvimento Local de Amoreiras-Gare, que tem sido responsável pela organização de dois grandes eventos, as Festas de Maio e a Feira do Interior do Concelho de Odemira, que têm como finalidade promover a cultura e os produtos regionais.[1] As festas tradicionais da aldeia são normalmente realizadas no dia 1 de Maio, enquanto que a feira anual é organizada em 25 de Julho, e a procissão de Nossa Senhora da Conceição tem lugar no dia 8 de Dezembro.[2]

A aldeia nasceu nos finais do século XIX, devido à implantação da Estação Ferroviária de Amoreiras-Odemira, na Linha do Sul,[3] que foi inaugurada em 3 de Junho de 1888,[4] No entanto, segundo o investigador António Martins Quaresma, só algumas décadas depois da abertura da estação ferroviária é que se terá formado ali um povoado de dimensões consideráveis,[5] pelo que inicialmente Amoreiras-Gare não seria mais do que um pequeno aglomerado populacional, vulgarmente conhecido como monte.[3] Logo após a inauguração da estação ferroviária, a autarquia terá comunicado à Direcção-Geral dos Correios, Telégrafos e Faróis que existia uma hospedaria no local, condição indispensável para alojar os empregados daqueles serviços.[3] António Martins Quaresma especulou que esta hospedaria seria na realidade algum quarto alugado num monte perto da estação, precisamente por nessa época ainda não existir uma povoação naquele local.[5]

Porém, pouco tempo após a sua formação, Amoreiras-Gare começou-se a afirmar rapidamente como um dos principais aglomerados urbanos na freguesia.[3] Com efeito, em 1911 a aldeia de Amoreiras-Gare tinha apenas três fogos, mas cerca de trinta anos depois já eram 43 fogos, e 125 em 1960.[6] Além disso, também foi um importante pólo industrial, tendo sido uma das povoações no concelho que mais se desenvolveram em termos da construção de e moagens motorizadas, entre os finais do século XIX e a primeira metade do século XX.[6] Com efeito, de acordo com o Anuário Comercial de 1925, em Amoreiras-Gare situava-se uma destas unidades, conhecida como Empresa de Moagem do Verdelho.[6] Na edição de 1911 do Anuário Comercial refere-se a existência de várias empresas de exportação de frutas e comercialização de ovos, que segundo o historiador António Martins Quaresma certamente utilizavam a estação de Amoreiras.[5] Este desenvolvimento foi em grande parte motivado pela presença da própria estação ferroviária, mas também devido aos graves problemas de comunicações com a região em redor.[5]

Na década de 2020 tem sido alvo de várias iniciativas por parte da autarquia no sentido de melhorar as condições de vida da população e dinamizar a cultura, incluindo a realização em 2022 de concursos para a alienação de lotes de terreno, destinados à habitação para jovens,[7] tendo nesse ano sido igualmente assinado um protocolo com a Associação para o Desenvolvimento Local de Amoreiras-Gare, no âmbito do Plano Municipal de Cultura 2030.[8] Em Julho de 2024, a autarquia iniciou obras de reabilitação em quatro antigas casas de ferroviários em Amoreiras-Gare, na sequência de um acordo com a operadora Infraestruturas de Portugal, que passariam a ser utilizadas como habitações.[9]

Referências

  1. «29 de abril é dia de Festas de Maio em Amoreiras-Gare, no concelho de Odemira». Rádio Voz da Planície. 29 de Abril de 2023. Consultado em 20 de Novembro de 2025 
  2. «Sâo Martinho das Amoreiras». Câmara Municipal de Odemira. Consultado em 20 de Novembro de 2025 
  3. a b c d «História». Junta de Freguesia de Sâo Martinho das Amoreiras. Consultado em 20 de Novembro de 2025 
  4. TORRES, Carlos Manitto (1 de Fevereiro de 1958). «A evolução das linhas portuguesas e o seu significado ferroviário» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 70 (1683). Lisboa. p. 76-78. Consultado em 21 de Novembro de 2025 – via Hemeroteca Digital de Lisboa 
  5. a b c d QUARESMA, António Martins (2012). O rio Mira no sistema portuário do litoral alentejano (1851-1918) (Tese de Doutoramento). Universidade de Évora. p. 259. Consultado em 21 de Novembro de 2025 
  6. a b c QUARESMA, 2009:71
  7. «Odemira abre concurso para 25 lotes de habitação para jovens». Rádio Voz da Planície. 11 de Abril de 2022. Consultado em 20 de Novembro de 2025 
  8. VALENTE, Beatriz Torres (16 de Fevereiro de 2022). «Odemira estabelece protocolo para o Plano Municipal de Cultura 2030». Rádio Voz da Planície. Consultado em 20 de Novembro de 2025 
  9. «Odemira reabilita casas antigas de função da Comboios de Portugal». O Atual. 14 de Julho de 2024. Consultado em 21 de Novembro de 2025 

Bibliografia

  • QUARESMA, António Martins (2009). Cerealicultura e Farinação no Concelho de Odemira: da Baixa Idade Média à época contemporânea. Odemira: Câmara Municipal de Odemira. 124 páginas. ISBN 978-989-8263-02-5 

Ligações externas