Amoreiras-Gare
Amoreiras-Gare
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|---|---|
| Distrito | Distrito de Beja |
| Município | Odemira |
| Freguesia | São Martinho das Amoreiras |
| Localização | |
| Coordenadas | 🌍 |
| Povoações de Portugal | |
Amoreiras-Gare é uma aldeia na freguesia de São Martinho das Amoreiras, no concelho de Odemira, em Portugal.
Descrição e história

Na aldeia destaca-se a Associação para o Desenvolvimento Local de Amoreiras-Gare, que tem sido responsável pela organização de dois grandes eventos, as Festas de Maio e a Feira do Interior do Concelho de Odemira, que têm como finalidade promover a cultura e os produtos regionais.[1] As festas tradicionais da aldeia são normalmente realizadas no dia 1 de Maio, enquanto que a feira anual é organizada em 25 de Julho, e a procissão de Nossa Senhora da Conceição tem lugar no dia 8 de Dezembro.[2]
A aldeia nasceu nos finais do século XIX, devido à implantação da Estação Ferroviária de Amoreiras-Odemira, na Linha do Sul,[3] que foi inaugurada em 3 de Junho de 1888,[4] No entanto, segundo o investigador António Martins Quaresma, só algumas décadas depois da abertura da estação ferroviária é que se terá formado ali um povoado de dimensões consideráveis,[5] pelo que inicialmente Amoreiras-Gare não seria mais do que um pequeno aglomerado populacional, vulgarmente conhecido como monte.[3] Logo após a inauguração da estação ferroviária, a autarquia terá comunicado à Direcção-Geral dos Correios, Telégrafos e Faróis que existia uma hospedaria no local, condição indispensável para alojar os empregados daqueles serviços.[3] António Martins Quaresma especulou que esta hospedaria seria na realidade algum quarto alugado num monte perto da estação, precisamente por nessa época ainda não existir uma povoação naquele local.[5]
Porém, pouco tempo após a sua formação, Amoreiras-Gare começou-se a afirmar rapidamente como um dos principais aglomerados urbanos na freguesia.[3] Com efeito, em 1911 a aldeia de Amoreiras-Gare tinha apenas três fogos, mas cerca de trinta anos depois já eram 43 fogos, e 125 em 1960.[6] Além disso, também foi um importante pólo industrial, tendo sido uma das povoações no concelho que mais se desenvolveram em termos da construção de e moagens motorizadas, entre os finais do século XIX e a primeira metade do século XX.[6] Com efeito, de acordo com o Anuário Comercial de 1925, em Amoreiras-Gare situava-se uma destas unidades, conhecida como Empresa de Moagem do Verdelho.[6] Na edição de 1911 do Anuário Comercial refere-se a existência de várias empresas de exportação de frutas e comercialização de ovos, que segundo o historiador António Martins Quaresma certamente utilizavam a estação de Amoreiras.[5] Este desenvolvimento foi em grande parte motivado pela presença da própria estação ferroviária, mas também devido aos graves problemas de comunicações com a região em redor.[5]
Na década de 2020 tem sido alvo de várias iniciativas por parte da autarquia no sentido de melhorar as condições de vida da população e dinamizar a cultura, incluindo a realização em 2022 de concursos para a alienação de lotes de terreno, destinados à habitação para jovens,[7] tendo nesse ano sido igualmente assinado um protocolo com a Associação para o Desenvolvimento Local de Amoreiras-Gare, no âmbito do Plano Municipal de Cultura 2030.[8] Em Julho de 2024, a autarquia iniciou obras de reabilitação em quatro antigas casas de ferroviários em Amoreiras-Gare, na sequência de um acordo com a operadora Infraestruturas de Portugal, que passariam a ser utilizadas como habitações.[9]
Referências
- ↑ «29 de abril é dia de Festas de Maio em Amoreiras-Gare, no concelho de Odemira». Rádio Voz da Planície. 29 de Abril de 2023. Consultado em 20 de Novembro de 2025
- ↑ «Sâo Martinho das Amoreiras». Câmara Municipal de Odemira. Consultado em 20 de Novembro de 2025
- ↑ a b c d «História». Junta de Freguesia de Sâo Martinho das Amoreiras. Consultado em 20 de Novembro de 2025
- ↑ TORRES, Carlos Manitto (1 de Fevereiro de 1958). «A evolução das linhas portuguesas e o seu significado ferroviário» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 70 (1683). Lisboa. p. 76-78. Consultado em 21 de Novembro de 2025 – via Hemeroteca Digital de Lisboa
- ↑ a b c d QUARESMA, António Martins (2012). O rio Mira no sistema portuário do litoral alentejano (1851-1918) (Tese de Doutoramento). Universidade de Évora. p. 259. Consultado em 21 de Novembro de 2025
- ↑ a b c QUARESMA, 2009:71
- ↑ «Odemira abre concurso para 25 lotes de habitação para jovens». Rádio Voz da Planície. 11 de Abril de 2022. Consultado em 20 de Novembro de 2025
- ↑ VALENTE, Beatriz Torres (16 de Fevereiro de 2022). «Odemira estabelece protocolo para o Plano Municipal de Cultura 2030». Rádio Voz da Planície. Consultado em 20 de Novembro de 2025
- ↑ «Odemira reabilita casas antigas de função da Comboios de Portugal». O Atual. 14 de Julho de 2024. Consultado em 21 de Novembro de 2025
Bibliografia
- QUARESMA, António Martins (2009). Cerealicultura e Farinação no Concelho de Odemira: da Baixa Idade Média à época contemporânea. Odemira: Câmara Municipal de Odemira. 124 páginas. ISBN 978-989-8263-02-5
Ligações externas