Alualide ibne Uqueba

Abu Uabe Alualide ibne Uqueba ibne Abi Muaite Alumaui Alcoraxi (em árabe: أَبُو وَهْبٍ الْوَلِيدُ بْنُ عُقْبَةَ بْنِ أَبِي مُعَيْطٍ الأُمَوِيُّ القُرَشِيُّ; romaniz.: Abū Wahb al-Walīd ibn ʿUqba ibn Abī Muʿayṭ al-Umawī al-Qurashī) foi governador de Cufa em 645/46–649/50, durante o reinado de seu meio-irmão, o califa Otomão (r. 644–656).

Vida

Alualide ibne Uqueba nasceu em Meca. Seu pai, Uqueba ibne Abi Muaite, era um dos politeístas que maltratou Maomé e os primeiros muçulmanos. Sua mãe, Arua binte Curaiz, era filha de Ume Haquim Albaida binte Abede Motalibe, tia paterna de Maomé, e era também mãe de Otomão ibne Afane. Segundo um relato, Alualide nasceu quando Maomé ainda estava vivo e, por ocasião da Conquista de Meca (8/630), quando ainda era uma criança pequena, teria sido levado à presença dele para que este fizesse uma súplica por ele; como lhe haviam passado um perfume de odor desagradável, Maomé. Contudo, esse relato entra em contradição com outros que informam que Alualide foi a Medina para negociações após a Batalha de Badre (2/624) e nos dias do Tratado de Hudaibia (6/628), que por ocasião da conquista ele já era casado e tinha cerca de vinte anos, e que pouco depois foi designado como coletor de zacate. Por isso, esse relato foi considerado por alguns estudiosos como munkar (errado) e muḍṭarib (confuso) (Jamaladim Almizi, XXXI.56).[1]

Tendo passado a infância e a juventude em Meca, Alualide foi criado junto de seu pai. Após a Batalha de Badre, dirigiu-se a Medina para libertar seu parente Alharite ibne Abi Uajeza, que fora capturado pelos muçulmanos, pagando por ele um resgate de quatro mil dirrãs. Nos dias do Tratado de Hudaibia voltou novamente a Medina para tentar recuperar sua irmã Ume Cultume, que havia emigrado para lá após aceitar o Islã, mas ela se recusou a retornar, e Maomé não considerou adequado que voltasse. Por ocasião da Conquista de Meca, Alualide abraçou o Islã. Após a conquista, desejando conquistar o apoio dos jovens de Meca, Maomé confiou-lhes diversas tarefas e enviou Alualide como coletor de zacate aos mustaliquitas (9/630). Contudo, como Alualide não chegou ao local a tempo, parte do grupo tribal preparou-se para ir a Medina a fim de saber o motivo de sua ausência. Por outro lado, quando Alualide se aproximava da tribo e os viu armados à distância, imaginou que lhe haviam armado uma emboscada e retornou a Medina, informando a Maomé que os mustaliquitas haviam apostatado e tentado matá-lo. Após investigação, ficou claro o que realmente havia ocorrido, e então diz-se que foi revelado o seguinte versículo: "Ó vós que credes! Se um homem perverso vos trouxer uma notícia, investigai-a, para que não causeis dano a um povo por ignorância e depois vos arrependais do que fizestes" (al-Ḥujurāt 49:6; Musnade, IV.279).[1]

Alualide permaneceu em Meca até o falecimento de Maomé. Quando Abacar (r. 632–634) se tornou califa, encarregou-o de recolher a zacate da tribo cudaíta. Em seguida, foi enviado à frente de pequenos destacamentos para a região do Iraque, participando da conquista de centros como Mazar e Aine Atanre. Após cumprir com êxito essa missão, foi enviado na direção à Jordânia. Durante o califado de Omar (r. 634–644), sua unidade foi colocada sob o comando do general Abu Ubaida ibne Aljarrá, comandante das forças na Síria e em Damasco; nesse período, liderou contingentes que conquistaram Quinacerim e Jazira. Posteriormente, foi enviado repetidas vezes como coletor de zacate a tribos como rebiaítas e taglibitas. O período mais ativo da vida de Alualide ocorreu durante o califado de Otomão (r. 644–656). No ano 25 (645), Otomão o nomeou governador-geral do Iraque com sede em Cufa, cargo que exerceu por cerca de cinco anos. Nesse período, comandou os exércitos enviados para reconquistar as regiões do Azerbaijão e da Armênia, que haviam sido anteriormente conquistadas e depois perdidas, desempenhando papel importante em sua retomada. No quinto ano de seu governo, porém, difundiram-se notícias de que teria consumido vinho, e, tendo o fato sido comprovado por testemunhas, foi-lhe aplicada a pena legal (ḥadd) e ele foi destituído do cargo. Retornou então a Medina, onde permaneceu até o assassinato de Otomão (35/655). Depois disso, seguiu para o Iraque, permaneceu algum tempo em Baçorá e, em seguida, fixou-se na cidade síria de Raca, onde veio a falecer.[2]

Embora não se saiba que tenha participado ativamente dos acontecimentos do período da Primeira Guerra Civil Islâmica, transmite-se que apoiou Moáuia ibne Abi Sufiane contra Ali (r. 656–661). Após sua conversão ao Islã, Alualide dedicou-se sobretudo à política, à administração e ao jiade, sendo descrito como alguém que tratava bem as pessoas e buscava resolver os problemas do povo. As fontes o apresentam como poeta vigoroso, corajoso e generoso. Embora não seja conhecido por ter transmitido hádices, há registros de seus relatos sobre dois episódios específicos. Alualide foi alvo de diversas críticas, algumas decorrentes de erros pessoais, outras baseadas em conjecturas e acusações infundadas. Tais críticas fundamentam-se principalmente em relatos de autores como Hixame ibne Maomé Alcalbi, Mamar ibne Almutana, Alasma e Abu Alfaraje de Ispaã, que não eram especialistas em ciência do hádice e recolhiam indiscriminadamente toda informação que encontravam, bem como em relatos exagerados de autores xiitas. Essas narrativas resumem-se em acusações como: a de que o Profeta teria informado Uqueba ibne Abi Muaite de que ele e seus filhos estariam destinados ao Inferno (Ibne Catir, III, 305); a de que Alualide não pertencia nem aos muhājirūn nem aos ançares, mas aos tulacas; a de que teria bebido vinho enquanto governador de Cufa; a de que teria incitado Moáuia contra Ali por meio de sua poesia; e a de que o versículo 6 da sura al-Ḥujurāt o qualificaria como fāsiq.[2]

De acordo com Mehmet Efendioğlu, a declaração de Maomé a Uqueba ibne Abi Muaite na ocasião de sua captura em Badre deve ser compreendida como referente àquele momento em que ainda não haviam aceitado o Islã, sendo sabido que a aceitação do Islã apaga os pecados anteriores. Tampouco se considera adequada a crítica baseada no fato de Alualide pertencer aos tulacas, pois muitos deles aceitaram o Islã após a conquista de Meca e prestaram grandes serviços à religião. Quanto ao episódio do vinho, embora Alualide tenha sido punido, Atabari, que transmitiu o caso por diferentes cadeias de transmissão, analisou-o em detalhe e concluiu que Alualide na verdade não havia bebido, tendo sido vítima de acusações falsas de inimigos seus e de testemunhas mentirosas (História dos profetas e dos reis, II.608–612). Após o ocorrido, o assunto foi longamente debatido em Cufa, e grande parte da população acreditava que uma injustiça havia sido cometida contra ele. Levando em conta os elementos que lançam dúvida sobre o episódio, Ibne Hajar criticou a atitude de Ibne Abede Albar, que transmitia indiscriminadamente todos os relatos sobre Alualide, afirmando que, diante de acontecimentos e narrativas desse tipo, marcados pela suspeita, o silêncio seria a atitude mais adequada (Tahdhīb al-Tahdhīb, XI.127).[3]

Embora algumas poesias atribuídas a Alualide pareçam indicar que ele incitou Moáuia contra Ali, os especialistas em hádice não consideraram esse comportamento — que poderia ter sido seguido de arrependimento e que não se relaciona diretamente à transmissão de hádice — como suficiente para questionar a integridade moral (adala) de um companheiro de Maomé. O episódio mais debatido de sua vida continua sendo o ocorrido quando foi enviado aos mustaliquitas e o versículo subsequente que o qualificou como fāsiq. Algumas correntes sustentaram que isso exigiria questionar sua condição de companheiro e sua confiabilidade, e, por extensão, a de todos os companheiros. No entanto, os muadites e os estudiosos da Ahl al-Sunna observaram que Alualide continuou convivendo com Maomé após esse episódio, viveu entre os muçulmanos, recebeu cargos de comando e de coleta de zacate de califas rigorosos como Abacar e Omar, e contribuiu significativamente para o Islã por meio das conquistas que liderou. Esses fatos indicariam que ele permaneceu crente e se afastou de seu erro, não havendo motivo para questionar sua condição de companheiro. Acrescenta-se ainda que Alualide não forjou hádices, e que os dois relatos atribuídos a ele, considerados fracos, também foram transmitidos por outros narradores.[3]

Referências

  1. a b Efendioğlu 2013, p. 35.
  2. a b Efendioğlu 2013, p. 35-36.
  3. a b Efendioğlu 2013, p. 36.

Bibliografia

  • Efendioğlu, Mehmet (2013). «Ibnü'l-Hadramî». TDV İslâm Ansiklopedisi’nin [Enciclopédia Islâmica TDV]. 43. Istambul: Turkiye Diyanet Vakfi Islâm Ansiklopedisi [Fundação Religiosa Turca Enciclopédia Islâmica]. Consultado em 1 de janeiro de 2026