Allyrio Meira Wanderley
| Allyrio Meira Wanderley | |
|---|---|
| Nascimento | 22 de agosto de 1906 |
| Morte | 15 de janeiro de 1955 (48 anos) |
| Nacionalidade | brasileiro |
Allyrio Meira Wanderley (Patos, 22 de agosto de 1906 – João Pessoa, 15 de janeiro de 1955) foi um escritor paraibano, perseguido e condenado à prisão pelo governo de Getúlio Vargas por uma de suas obras, de caráter separatista.
Biografia
Primeiros anos
Allyrio Meira Wanderley nasceu em 22 de outubro de 1906, na Fazenda Campo Comprido, no município de Patos, no sertão paraibano, filho de Francisco Olídio Monteiro Wanderley e Inácia Maria Meira Wanderley, pertencendo a uma família tradicional e de elite da sociedade patoense. Aos cinco anos de idade, Allyrio já estava matriculado no Colégio João XXIII, de Patos, em 1912, onde concluiu o curso primário.[1]
Foi para a capital do Estado em 1919 como aluno interno do Colégio Pio X, porém deixa o internato antes de concluir o curso por motivos de saúde. Apesar do pouco tempo que passou no Pio X, Allyrio deixou, ali, marcada a sua presença por desavenças e incidentes com os professores, causando-lhe profunda mágoa que ele desabafa num seu depoimento: “nesse colégio, conheci a vida em todos os seus aspectos. E data desse tempo o encontro com as minhas primeiras injustiças, a minha melancolia e o meu desengano, brotados para sempre aos treze anos”.[2]
Com a saúde restabelecida, na ânsia de retomar seus estudos, foi para Recife estudar no Ginásio Pernambucano. Nessa época, começou escreveu seu primeiro romance, "Vae Victis!", e uma lenda paraibana, "Potyra", conseguindo escrever 12 capítulos do primeiro em 120 folhas almaço e avançar bem o segundo. Mas, esses papéis, foram queimados a mando do padre Felix, seu diretor, por considerar o gosto do jovem pela literatura uma "fuga para a indisciplina".[1]
Após concluir o curso secundário, vai para São Paulo, à procura de emprego, porém sem muito sucesso, sendo essa passagem pela capital paulista a base do seu romance "Bolsos Vazios".
Década de 1930
No início da década de 1930, Allyrio passa a trabalhar como tradutor para jornais e editoras de São Paulo, chegando a traduzir obras de Tolstoi e Dostoievski. Escreveu para os jornais "A Razão", "Correio de São Paulo", "Correio Paulistano", "O Dia", "A Plateia" e "A Gazeta".
Em 1931 publica seu primeiro romance, "Sol Criminoso", tratando de problemas sociais e direitos humanos. Allyrio chega a participar de palestras, abordando temas polêmicos, como o tema "O Nordeste para os nordestinos", em uma conferência na cidade de Juazeiro, na Bahia.
Se mantém nessa dinâmica durante alguns anos, publicando livros críticos e romances e participando de palestras e conferências.
O separatismo e a perseguição
Em meados de 1935, Allyrio publica seu livro "As bases do separatismo", cujos exemplares foram apreendidos pela polícia, em São Paulo. Na obra, Allyrio defende a divisão do Brasil em cinco regiões distintas, as quais formariam cinco nações. Além disso, discute a respeito da construção da identidade nacional, na qual ele chama de "uma farsa formada por sargentos, bacharéis e sacristãos", pregando que não só nada une as distintas regiões como ocorre o oposto: tudo as separa.
Esse debate é muito forte nas décadas de 1920 e 30. Nesse período, ainda estava fresco na memória os diversos conflitos e movimentos históricos que opuseram "Brasis distintos". Nessa fase, surgem personagens importantes que irão escrever sobre o tema, a exemplo de Capistrano de Abreu, Sérgio Buarque de Holanda e Gilberto Freyre.
A tese de Allyrio girava em torno da ideia de que, com a separação do território em Brasil Amazônico, Brasil Nordestino, Brasil Mineiro, Brasil Paulista e Brasil Gaúcho, teríamos uma eficiência administrativa que viria com a quebra nos núcleos de poder constituídos à margem dessa falsa unidade construída.
No entanto, no contexto da Era Vargas e do nacionalismo característico do período, Allyrio foi processado pelo estado e perseguido pelo Governo Vargas. O juiz federal que decidiu ser legal a apreensão dos livros afirmou que a obra seria perigosa por atentar contra a unidade nacional, contra a própria existência do Brasil "indivisível" e contra o culto das tradições nacionais.[3]
Chegou a ser condenado a 3 anos de prisão, porém foi absolvido.
Últimos anos
Allyrio continua a trabalhar em jornais e, em 1954, tenta se eleger Deputado Estadual, pelo Partido Social Democrático (PSD), porém obteve um resultado pífio.[4]
Vítima de uma embolia cerebral, faleceu no dia 15 de janeiro de 1955, aos 48 anos de idade, sem ver o reconhecimento de sua obra literária, que, até hoje, é pouco comentada.
Obras
- Sol Criminoso (1931)
- Cães sem Donos (1932)
- Serões de uma Traça (1933)
- Os Brutos (1934)
- A Seara do Próximo (1934)
- As bases do separatismo (1935)
- Bolsos Vazios (1940)
- Ranger de dentes (1945)
- Os Carneiros Cinzentos (1956) - Póstuma.
Referências
- ↑ a b «Artistas - Allyrio Meira Wanderley». Paraíba Criativa. 6 de dezembro de 2023. Consultado em 28 de agosto de 2025
- ↑ «Patrono nº 37 - Allyrio Meira Wanderley». Academia Paraibana de Letras (APLPB). Consultado em 28 de agosto de 2025
- ↑ DIAS, Delzymar (26 de junho de 2023). «A cidade que não conhece Allyrio». Fundação Ernani Satyro (FUNES). Consultado em 28 de agosto de 2025
- ↑ CARTAXO, Francisco (7 de dezembro de 2024). «O enigmático Allyrio Meira Wanderley». Diário do Sertão. Consultado em 28 de agosto de 2025