Aliança (Bíblia)
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Na Bíblia, Aliança (em hebraico: berith; em grego, segundo a versão septuaginta, diatheke) designa o pacto estabelecido entre Deus e a humanidade, por iniciativa livre e amorosa do próprio Deus. A aliança bíblica exprime uma relação pessoal, histórica e salvífica, pela qual Deus se compromete com os homens, prometendo-lhes proteção, bênção e vida, e convidando-os à fidelidade, à obediência e à comunhão com Ele. Trata-se de um elemento central da teologia bíblica, que estrutura toda a história da salvação.
Segundo a fé judaico-cristã, a aliança manifesta a decisão divina de não abandonar a humanidade ao pecado, mas de conduzi-la, por meio da Graça, a uma restauração progressiva. Ao longo das Escrituras, essa relação é revelada de forma pedagógica e gradual, por meio de sinais, ritos, promessas e intervenções históricas, até alcançar sua plenitude.
No cristianismo, a Aliança atinge o seu cumprimento definitivo em Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Pela Encarnação, Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo, a antiga promessa é levada à perfeição: a humanidade é reconciliada com Deus, não mais por meio de sacrifícios figurativos, mas pelo oferecimento único e eterno do próprio Deus. Por isso, a Nova Aliança é considerada eterna, irrevogável e universal.
O termo “Aliança” também é utilizado, por extensão, como sinônimo da própria Escritura, especialmente nas expressões Antigo Testamento (Antiga Aliança) e Novo Testamento (Nova Aliança), consagradas tanto pela tradição cristã quanto pelas versões latinas da Bíblia.
Antiga Aliança

A chamada Antiga Aliança refere-se às diversas alianças estabelecidas por Deus ao longo da história do povo de Israel, que prepararam progressivamente a revelação plena do Messias. A primeira delas é tradicionalmente associada a Noé, no monte Ararate após o dilúvio, quando Deus promete nunca mais destruir toda a humanidade pelas águas e estabelece o arco-íris como sinal visível dessa aliança universal, dirigida não apenas a um povo específico, mas a toda a criação.[1]
Posteriormente, Deus estabelece uma aliança particular com Abraão, prometendo-lhe uma descendência numerosa como as estrelas do céu e fazendo dele o pai de um povo escolhido. Essa aliança é marcada por um rito solene narrado no livro do Gênesis e, no judaísmo, passa a ser selada corporalmente pelo sinal da circuncisão, como marca da pertença ao pacto divino.
A Antiga Aliança alcança uma forma mais estruturada com Moisés, após o Êxodo do Egito. No Monte Sinai, Deus entrega a Lei (especialmente os Dez Mandamentos) e constitui Israel como seu povo eleito, estabelecendo uma relação baseada na observância da Lei, no culto sacrificial e na fidelidade à vontade divina. Essa aliança mosaica é mediada por sacerdotes e constantemente renovada, mas também repetidamente violada pelo pecado do povo, o que leva os profetas a anunciarem a necessidade de uma aliança nova e mais profunda.
Nova Aliança

Na perspectiva cristã, todas as alianças anteriores encontram o seu cumprimento e superação na Nova Aliança, inaugurada por Jesus Cristo. Esta não é simplesmente mais uma etapa, mas a realização definitiva do desígnio salvífico de Deus. Conforme ensina o Novo Testamento, especialmente nas cartas do Apóstolo Paulo, a Nova Aliança não é selada com o sangue de animais, mas com o Sangue do próprio Filho de Deus.
Durante a Última Ceia, Jesus identifica explicitamente sua Paixão como o ato fundador dessa nova realidade ao declarar: “Este cálice é a Nova Aliança no meu sangue”. Com isso, Ele se apresenta como o mediador único e eterno entre Deus e os homens, isto é, aquele que volta a ligar a humanidade a Deus. Pela seu sacrifício e Ressurreição, a salvação deixa de estar vinculada a um único povo ou a preceitos rituais da Lei antiga, tornando-se universal e acessível a todos pela fé e pelos sacramentos.
A Nova Aliança é considerada eterna, porque não será substituída; interior, porque é escrita nos corações pela graça do Espírito Santo; e redentora, porque concede o perdão dos pecados e a vida divina. Na teologia cristã, especialmente na tradição católica, essa aliança é continuamente tornada presente na Eucaristia, memorial sacramental do sacrifício de Cristo e sinal visível da comunhão definitiva entre Deus e a humanidade.
Ver também
Referências
- ↑ A origem da expressão arco-da-velha. Ciberdúvidas da Língua Portuguesa.
