Algarbe marroquino

 

Algarbe
Antiga região (1997-2015)
Localização
Localização de Algarbe em Marrocos
Localização de Algarbe em Marrocos
Localização de Algarbe em Marrocos
País Marrocos
Características geográficas
Área total 6,000 km² km²
Fuso horário UTC
Horário de verão EST (UTC+1)
Esta região foi extinta em 2015. Ver Subdivisões de Marrocos.

O Algarbe ou Algarbe marroquino[1] (em árabe: غرب, romazniz.: Ġarb ou Gharb) é uma região histórica e natural do noroeste de Marrocos.[2] Também denomina planície do Garbe (سهل الغرب sahl a o-ġarb, «planície oeste»), já que é uma grande planicie de cerca de 6.000 km², com uma elevação média dentre 4 e 5 metros acima do nível do mar, a nordeste de Rabat e a noroeste de Mequinez, na costa do Atlántico, a oeste e com o Rife, a norte. Com chuvas abundantes no inverno, podem-se formar marismas. A planície do Garbe é atravessada pelo rio Cebu. O Algarbe era uma das subregiões da antiga região Garbe-Cherarda-Beni Hassene, atualmente Rabate-Salé-Quenitra.

O Algarbe é uma região produtora de arroz, açúcar de cana e beterraba, e tabaco, todos produtos de regadío.[3] Também se cultivam citrinos.[4]

Toponímia

Durante o período da presença portuguesa no norte de África, o território do Algarbe marroquino foi conhecido como Algarve d'Além Mar, por oposição do Algarve d'Áquem Mar, que se refere ao atual território português denominado Algarve.[5][6] Neste período, os reis portugueses incluíram no seu título régio de "Rei de Portugal e dos Algarves, d'Aquém e d'Além Mar".[7]

Geografia

Vista de satélite do delta do Rio Cebu (Uádi Sebu) e a cidade de Quenitra (Cunaitra)

População

Algumas das cidades mais importantes do Algarbe são Alcácer Quibir, Sidi Kacem, Sidi Slimane e Quenitra, capital da antiga região de Gharb-Chrarda-Beni Hssen. O Algarbe localiza-se no coração da rede ferroviária marroquina, planificada em forma de X, onde a interseção de ambas linhas tem lugar em Sidi Kacem.

Na região do Algarbe foi habitada por várias tribos árabes, incluindo os hassanitas, sefianes, malequitas, quelutitas, cherardas e saelitas, cujo antigo significado político e cultural já não tem influência na atualidade.[8] Na segunda metade do século XX, muitas famílias bereberes emigraram desde as regiões montanhosas de Marrocos para esta região. Atualmente, o principal idioma é o árabe marroquino.

Economia

Cultivo de beterraba açucareira nos extensos campos da planície do Garbe.

A agricultura, que se pratica no Algarbe desde há mais de 2000 anos, continua a ser a principal atividade económica. A planície do Garbe era designada pelos romanos como o «celeiro» da Berbería, de elevada importância para o abastecimento de cereais ao Império Romano. Volubilis, a segunda cidade mais importante da província romana da Mauritania Tingitana, encontrava-se a apenas alguns quilómetros ao sul do Algarbe. Numerosos colonos franceses se estabeleceram nesta região durante o Protectorado Francês de Marrocos (1912-1956) e atualmente, a planície do Garbe continua a ser uma das zonas agrícolas mais importantes de Marrocos, onde se cultivam trigo, beterraba, arroz, girassol, milho e cana de açúcar, em solos que são predominantemente ricos. O açúcar proveniente do cultivo de cana foi uma importação muito popular na Europa durante a Idade Média. Também se cria gado bovino para a produção de leite e carne.


Referências

  1. Montojo Montojo, Vicente (2022). «El abandono de Orán (1792) desde Cartagena de Levante» (PDF). Revista de Historia Naval (em espanhol) (157): 63-80. ISSN 2530-0873. doi:10.55553/603sjp15703 
  2. Marugán y Martín, José (1833). «Descripción geográfica, física, política, estadística, literaria del reino de Portugal y los Algarbes». Madrid: 191 
  3. El Blidi, Souad; Fekhaoui, Mohamed; Serghini, Amal; El Abidi, Abdellah (2006). «Rizières de la plaine du Gharb (Maroc): qualité des eaux superficielles et profondes». Bulletin de l’Institut Scientifique: Sciences de la Vie (em francês) (28): 55-60. Consultado em 11 de dezembro de 2019 
  4. Encyclopaedia Britannica. «Gharb» 
  5. Bartrolí, Jaume (13 de março de 2020). Lisboa. La ciudad que navega (em espanhol). [S.l.]: Ecos. ISBN 978-84-15563-28-0. Consultado em 26 de janeiro de 2023 
  6. Nunes de Leão, Duarte (1600). Primeira parte das Chronicas dos Reis de Portugal. [S.l.]: impresso por Pedro Craesbeeck. p. 103 
  7. FERNANDES, Isabel Alexandra (2006). Reis e Rainhas de Portugal 5.ª ed. Lisboa: Texto Editores. ISBN 972-47-1792-5 
  8. Camps, G. (1 de outubro de 1998). «Gharb». Encyclopédie berbère (em francês) (20): 3086–3092. ISSN 1015-7344. doi:10.4000/encyclopedieberbere.1917. Consultado em 5 de novembro de 2024 

Bibliografia