Alfonso Segreto

Alfonso Segreto

Nascimento 27 de dezembro de 1876
Nacionalidade italiana
Parentesco Pasquale Segreto (1868–1920) e Gaetano Segreto (1866–1908)
Trecho do jornal Gazeta de Notícias de 20 de junho de 1898 mencionando Alfonso Segreto.

Alfonso Segreto (Laureana Cilento, 27 de dezembro de 1876falecido em local e data desconhecidos) foi um diretor de cinema italiano radicado no Brasil[1]. Pertencia a uma família de empreendedores, sendo irmão de Pasquale Segreto (1868–1920) e Gaetano Segreto (1866–1908). Seus irmãos já haviam se estabelecido no Brasil desde 1883 e o trouxeram para o Rio de Janeiro na década de 1890. A família Segreto tornou-se uma força dominante na indústria do entretenimento da capital brasileira durante a Belle Époque. Pasquale, em particular, ficou conhecido como o "ministro das diversões do Rio", enquanto Gaetano atuava no setor de imprensa, distribuindo jornais.[2]

Biografia

A viagem à Europa e o pioneirismo na filmagem

A iniciativa mais ousada de Pasquale Segreto no campo do cinema foi enviar Alfonso para Paris e para os Nova Iorque. O objetivo era duplo: adquirir novos filmes para exibição no "Salão de Novidades Paris", a primeira sala de cinema fixa do Brasil, e, mais importante, aprender as técnicas de filmagem e comprar equipamentos de produção[3].

Ao retornar dessa viagem, em 19 de junho de 1898, Alfonso realizou o ato que o inscreveria na história. Antes mesmo de desembarcar do navio francês Brésil, ele filmou a entrada da Baía de Guanabara. Esse ato é considerado a "registro de nascimento" do cinema brasileiro, pois foi a primeira filmagem documentada em território nacional, realizada por um cinegrafista atuante no país. O jornal Gazeta de Notícias de 20 de junho de 1898 noticiou o feito, validando o pioneirismo de Segreto[4].

Atuação como cinegrafista no Brasil

Após a filmagem da Baía de Guanabara, Alfonso Segreto não parou. Ele passou a registrar ativamente os acontecimentos políticos e sociais do Rio de Janeiro. Filmou eventos como a visita do presidente Prudente de Morais ao cruzador Benjamin Constant, o terceiro aniversário da morte do Marechal Floriano Peixoto e diversas outras cerimônias e cenas do cotidiano. Seu trabalho era essencial para alimentar a programação do "Salão de Novidades Paris" com "vistas" locais, que despertavam grande interesse no público, cansado de ver apenas cenas europeias. Em 1899, realizou a primeira filmagem na cidade de São Paulo, registrando um evento do Círculo Operário Italiano.

Afastamento e morte

Apesar do pioneirismo, a carreira de Alfonso Segreto no cinema teve seus conflitos. Fontes indicam que ele foi afastado da "Empreza Paschoal Segreto" devido a desacordos políticos e por sua busca por maior independência em suas produções. Após esse período, ele teria se mudado para São Paulo, onde gerenciou um ateliê fotográfico. Posteriormente, teria retornado à Itália, onde teria morrido em local e data desconhecidos[1].

Referências

  1. a b Biblioteca Franco Serantini. «Dizionario biografico online degli anarchici italiani: SEGRETO, Alfonso». Consultado em 17 de dezembro de 2025 
  2. «Affonso Segreto | Brasiliana Fotográfica». 2 de março de 2025. Consultado em 23 de julho de 2025 
  3. Lucas Salgado (18 de junho de 2023). «Conheça a história por trás da data do Dia do Cinema Brasileiro. Primeira filmagem no país completa 125 anos.». O Globo. Consultado em 17 de dezembro de 2025  line feed character character in |título= at position 53 (ajuda)
  4. Vicente de Paulo Araújo (1985). A bela época do cinema brasileiro 1ª ed. [S.l.]: Editora Perspectiva