Alfonso Carrillo de Acuña

Alfonso Carrillo de Acuña
Nascimento11 de agosto de 1410
Carrascosa del Campo
Morte1 de julho de 1482 (71–72 anos)
Alcalá de Henares
SepultamentoCathedral of los Santos Niños Justo y Pastor de Alcalá de Henares
CidadaniaEspanha
Ocupaçãopadre
ReligiãoIgreja Católica

Alfonso Carrillo de Acuña (Carrascosa, 11 de agosto de 1410Alcalá de Henares, 1 de julho de 1482) foi um importante clérigo e político castelhano, arcebispo de Toledo.

Biografia

Era o terceiro filho de Lope Vázquez de Acuña (máximo responsável do Concelho de La Mesta), descendente de uma família de nobres portugueses, e de Teresa Carrillo de Albornoz. Sua educação se desenvolveu, sob a influência de seu tio, o pseudocardeal Alfonso Carrillo de Albornoz. Por isso, por volta de 1423 viajou com o tio para Bolonha, onde ganhou a consideração do papa Eugênio IV, a cuja Corte ingressou em 1433. O Papa lhe concedeu os rendimentos de 400 florins para continuar os seus estudos jurídicos e teológicos. Quando faleceu seu tio, em 1434, durante o Concílio de Basileia, recebeu do papa o cargo de protonotário apostólico. O rei João II pediu ao papa que concedesse a Alfonso o bispado de Siguenza e também o nomeou membro do Conselho Real e embaixador em Basileia.[1]

Por sua idade, foi nomeado primeiro administrador da diocese (6 de julho de 1435), e só foi ordenado bispo em 9 de maio de 1440. Entretanto, por volta de 1436 regressou a Castela, abandonando as sessões conciliares.[1]

Em 1439, João II ordenou a retirada da embaixada castelhana do concílio, mas Castela apoiou abertamente Eugênio IV contra o antipapa Félix V. Carrillo já havia regressado à Itália. Félix V chegou a nomear o protonotário como cardeal-diácono de Santo Eustáquio (mesmo título que seu tio tivera) na primeira promoção de cardeais que fez, em 12 de abril de 1440, mas Carrillo renunciou à nomeação.[1]

De volta definitivamente a Castela, apoiou Álvaro de Luna, de quem era parente. Chegou mesmo a participar em alguns acontecimentos militares, como na batalha de Olmedo. Seus serviços a João II foram recompensados ​​com o arcebispado de Toledo, vago com a morte de Gutierre Álvarez de Toledo, sendo transferido para o primado por Eugênio IV em 3 de agosto de 1446. Além de obras arquitetônicas, estimulou a vida intelectual da arquidiocese.[1]

Contudo, por muito tempo Dom Alfonso Carrillo deixou de lado suas funções pastorais, pelo menos até à convocação do conselho provincial de Aranda de Duero em 1473. Os resultados do concílio foram de forte impulso reformador. Carrillo também realizou dois sínodos diocesanos em Alcalá de Henares; o de 1480 é o de maior importância, e inclui grande parte dos regulamentos do Concílio de Aranda. Ainda reuniu o Conselho de Teólogos que condenou como heréticas algumas das opiniões de Pedro Martínez de Osma, professor da Universidade de Salamanca. Colaborou com a monarquia na promoção da reforma das ordens religiosas, especialmente beneditinos e franciscanos. Também interveio, por mandato papal, na reforma dos agostinianos.[1]

Durante a década de 1440, aos poucos se distanciou de Álvaro de Luna, ao mesmo tempo que se aproximava do seu também parente Juan Pacheco, Marquês de Villena. Após a morte de João II, Dom Alfonso continuou a servir Henrique IV de Castela, embora o prelado logo demonstrasse seu desacordo com o novo soberano. Assim, esteve entre os que protestaram contra como tinha sido conduzida a campanha de Granada em 1456. Um ano depois, o fracasso na conquista de Málaga se deveu às dúvidas do rei. A partir desse momento, suas relações com o soberano se distorceram.[1]

Dom Carillo reuniu um círculo de intelectuais ao seu redor, inclusive com a notável presença de judeus convertidos. Tornou-se oposição a Henrique IV; apesar disso, foi membro do Conselho Real, o qual durante algum tempo foi dominado por Carrillo, Juan Pacheco e pelo arcebispo de Sevilha, Alonso de Fonseca, os quais conspiravam contra o soberano. Depois, Carrillo juntou-se às fileiras do partido aragonês, tornando-se um dos seus líderes.[1]

Esteve entre os nobres que conseguiram que o rei assinasse o Pacto de Cabezón de 1464, ano em que também se juntou a Pedro Girón e Juan Pacheco para tentar libertar os infantes Alfonso e Isabel do poder do monarca. Dom Alfonso Carrillo foi um dos protagonistas da chamada Farsa de Ávila, ocorrida em 5 de junho de 1465, quando interveio retirando a coroa da efígie de Henrique IV. Apoiou a causa do infante Alfonso até a sua morte (1468); aderiu então à da infanta Isabel. Acompanhou a infanta durante o acordo dos Touros de Guisando. O acordo não o satisfez, pelo que começou a conspirar, juntamente com outros membros do partido aragonês; assim, um novo acordo levou ao casamento de Isabel com Fernando de Aragão. O filho que o arcebispo teve na juventude, Troilos Carrillo, casado com a filha de um dos mais proeminentes conselheiros de João II de Aragão, acompanhou seu pai nas difíceis negociações que antecederam o casamento.[1]

Apesar de tudo que Dom Carillo esteve disposto a fazer para colocar Isabel e Fernando no trono de Castela, as divergências com o casal não demoraram a surgir. Nos anos seguintes, o arcebispo começou a distanciar-se dos futuros Reis Católicos. Entre 1475 e 1479, Carrillo mudou de lado diversas vezes: tanto apoiou Isabel e Fernando quanto Afonso de Portugal. Ao lado do monarca português, participou de batalhas em 1476, nas quais enfrentou o cardeal Mendoza. Com a derrota dos portugueses, pediu perdão aos soberanos, o que lhe foi concedido. Apesar disso, em 1478 houve uma nova entrada em Castela pelo rei Alfonso, e Carillo não hesitou em ficar novamente ao seu lado. Essa nova derrota o impediu de participar na assembleia-geral do clero que se realizou nesse mesmo ano por iniciativa de Isabel e Fernando, e na qual, entre outras coisas, foi discutida como proceder contra os prelados que não mostravam o devido respeito aos soberanos.[1]

Carrillo ficou cada vez mais isolado, o que piorou quando os reis declararam que o prelado havia perdido sua natureza e suas temporalidades sobre os reinos e senhorios que governava. Já idoso, ele foi obrigado a abandonar a sua atitude de rebelião. Conseguiu pela segunda o perdão real em 1479, mas teve que entregar as fortalezas que possuía e também teve de suportar a prisão e execução de seu tesoureiro, mordomo e principal conselheiro, Fernando de Alarcón (1480).[1]

O arcebispo passou os últimos anos da sua vida em Alcalá de Henares, dedicado à prática da alquimia. Foi sepultado no convento franciscano observante de Santa María de Jesús, que ele havia fundado. O seu túmulo depois foi transferido para a catedral de Alcalá, sofrendo danos significativos durante a Guerra Civil. Foi restaurado e encontra-se atualmente conservado no museu da catedral de Alcalá de Henares.[1]

Referências

  1. a b c d e f g h i j k «Alfonso Carrillo de Acuña | Real Academia de la Historia». dbe.rah.es (em espanhol). Consultado em 14 de maio de 2023