Alexandre Rodrigues (matemático)
| Alexandre Augusto Martins Rodrigues | |
|---|---|
![]() Alexandre Augusto Martins Rodrigues circa 1960 | |
| Nascimento | |
| Morte | 20 de abril de 2018 (87 anos) |
| Nacionalidade | Brasileiro |
| Cônjuge | Maria Lizema Martins Rodrigues (1931-2022) |
| Alma mater | Universidade de São Paulo, Universidade de Chicago |
| Prêmios | Bolsa Guggenheim |
| Carreira científica | |
| Orientador(es)(as) | André Weil, Shiing-Shen Chern |
| Instituições | Universidade de São Paulo |
| Campo(s) | matemática |
| Tese | 1957: Characteristic classes of homogeneous spaces |
Alexandre Augusto Martins Rodrigues (São Paulo, SP, 7 de dezembro de 1930 – 20 de abril de 2018) foi um matemático e professor universitário brasileiro, atuando, sobretudo, na Universidade de São Paulo. Foi o único aluno a se formar no curso de Matemática na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Pauloem 1952. Como pesquisador, atuou na área de geometria diferencial, além de organizar o Primeiro Colóquio Brasileiro de Matemática, contribuindo para o desenvolvimento da área no Brasil.
Biografia
Filho do engenheiro Alexandre Martins Rodrigues e de Anna Candida Cunha[1] e neto de Lúcio Martins Rodrigues,[2] e primo do sociólogo Leôncio Martins Rodrigues, Alexandre Augusto Martins Rodrigues nasceu dia 7 de dezembro de 1930.[3]
Casou-se em 1955 com Maria Lizema Martins Rodrigues, nascida Maria Lizema Gomes (1931-2022),[2] com quem teve quatro filhos: Lucio, Luiz Augusto, Ana Candida (professora titular de engenharia de materiais da Universidade Federal de São Carlos) e Alexandre.[4]
Morreu em 20 de abril de 2018.[3]
Formação acadêmica
Estudou na Escola Normal Caetano de Campos[5] e no Colégio Presidente Roosevelt.[1] Em 1949, ingressou na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FFCL) da Universidade de São Paulo, hoje Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, onde foi aluno, entre outros, de Omar Catunda, sendo o único aluno a bacharelar-se em Matemática no ano de 1952[6][2][7][8] (na mesma turma da FFCL, Fernando Henrique Cardoso bacharelou-se em Ciências Sociais).[9]

Cursou o doutorado na Universidade de Chicago a partir de 1953,[1][6][2][7][10] como o primeiro bolsista do Conselho Nacional de Pesquisas (CNPq), atual Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, a obter um doutorado de matemática no exterior .[1][6][2][10][11] Orientado inicialmente por André Weil e depois por Shiing-Shen Chern,[1][12][13] defendeu em 1957 a tese sobre topolgia Characteristic classes of homogeneous spaces,[14] publicada no Boletim da Sociedade de Matemática de São Paulo em 1958.[13]
De Chern, guardou um conselho: "Se você quiser fazer coisas grandes, comece sempre com as pequenininhas. Depois, parta para um pouquinho maior. Depois, um pouco maior. Nunca comece com as grandes".[11]
Durante seus estudos na Universidade de Chicago, estudou junto de Joseph A. Wolf, ambos alunos de Chern. Enquanto Wolf estudava sobre geometria de Riemann, Rodrigues se concentrava em classes características e problemas de equivalência.[15]
Foi contemporâneo em Chicago de César Lattes, então pesquisador visitante, que se tornou padrinho de seu primogênito.
Carreira
A principal instituição a que esteve vinculado foi a Universidade de São Paulo, onde iniciou a carreira docente em 1952, como auxiliar de ensino na FFCL.[1] Voltou à FFCL entre 1957 e 1959, tendo sido contratado por Mário Schenberg, do Departamento de Física.[2]
Em 1959, assumiu a cátedra de Geometria Analítica e Projetiva da Escola Politécnica,[1][7][16] onde obteve a livre-docência, em 1964, com a dissertação Congruência de subvariedades de um espaço euclidiano.[1] Nessa escola, introduziu o ensino de geometria analítica a partir da álgebra linear.[6][2][17][18] Participou também da criação do Instituto de Pesquisas Matemáticas, fruto de uma colaboração entre setores da FFCL e da Politécnica, que funcionou como embrião do Instituto de Matemática e Estatística (IME), e nele foi chefe de pesquisa entre 1964 e 1967.[16]
Em 1965, foi estagiário na Universidade de Grenobla, realizando conferência nela e na Université Clermont-Auvergne e na Universidade de Paris.[1]
Em 1967, foi aprovado como professor titular em concurso público para a cátedra Crítica dos Princípios e Complementos de Matemática, da FFCL, com a dissertação Pseudogrupos de Lie infinitos.[1][6] Em 1970, quando foi criado o IME, passou a lecionar nesse instituto, onde se aposentou em 2000.[1][19][2] Foi chefe do Departamento de Matemática do IME (1978-1980), vice-diretor da Faculdade de Educação (1986-1987)[6][2] e membro do Conselho Universitário (2015-2016).[2][20]
No Brasil, lecionou também na Universidade de Brasília em dois períodos: de 1963 a 1964 e de 1972 a 1974,[21] tendo trocado correspondência com Darcy Ribeiro acerca da implantação do ensino de matemática nessa universidade,[22][23], na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1987),[24] na Universidade Federal da Bahia (2008)[25] e na Universidade Federal do Pará (2012).[26] Foi ainda professor e pesquisador visitante em diversas instituições de ensino superior no exterior: Instituto de Estudos Avançados de Princeton (1960-1961) e Universidade de Princeton (1961-1962), como bolsista da Fundação Guggenheim,[1][6][2][27][28][29] Universidade Columbia (1962-1963),[1][6][2][30] Universidade Harvard (1966-1967),[6][2][16] Universidade Yale,[6][2] Institut des Hautes Études Scientifiques,[6][16] Universidade Joseph Fourier, atual Universidade Grenoble-Alpes (1967-1970 e 1981-1982),[1][6][2][16] e Universidade Central da Venezuela.[6]
Trabalhou com diversos outros pesquisadores, como Donald Spencer,[19][2] Masatake Kuranishi,[1][6][2] Jean-Louis Koszul,[6][2] Charles Ehresmann[6][10] e Newton da Costa.[6]
Influenciado pelo grupo Bourbaki,[6][8][31][17][32] atuou principalmente na área de geometria diferencial.[19][7] Ao lado de Manfredo do Carmo, também orientando de Chern, mas da escola matemática norte-americana, foi "quem mais contribuiu [...] para o desenvolvimento e consolidação da pesquisa em geometria diferencial no Brasil", segundo afirma Clóvis Pereira da Silva em livro sobre a pesquisa brasileira em matemática.[10] Suas contribuições científicas mais importantes estão relacionadas aos sistemas diferenciais exteriores e aos pseudogrupos de Lie.[6][19] No final de sua carreira de pesquisador, desenvolveu interesse pelos fundamentos da matemática e pela teoria dos modelos.[6]
Publicou artigos em periódicos internacionais como Annals of Mathematics, American Journal of Mathematics, Nagoya Mathematical Journal, Annales de l'Institut Fourier, Comptes Rendus de l'Académie des Sciences de Paris, Studia Logica e Reports on Mathematical Logic.[6]
Orientou mestres e doutores na Universidade de São Paulo, na Universidade Joseph Fourier e na Universidade Central da Venezuela.[6][33] Entre seus alunos se incluem Waldir Muniz Oliva, reitor da USP entre 1978 e 1982, Antonio Vitezlav Walter Kumpera, professor titular da Universidade Estadual de Campinas, e José Miguel Martins Veloso, professor titular da Universidade Federal do Pará.[2][34]
Participou da organização dos dois primeiros Colóquios de Matemática no Brasil, ambos realizados em Poços de Caldas em 1957 e 1959,[7][35] colaborou com o Movimento da Matemática Moderna, responsável pela renovação do ensino de matemática no Brasil, ministrando cursos para professores de ensino primário e secundário,[36] integrou o Conselho Deliberativo da Sociedade de Matemática de São Paulo,[37] fechada em 1968 para a criação da Sociedade Brasileira de Matemática, foi eleito membro titular da Academia Brasileira de Ciências em 22 de dezembro de 1964[3] e exerceu o cargo de diretor da Revista de Ensino de Ciências, editada pela Fundação Brasileira para o Desenvolvimento do Ensino e Ciência (FUNBEC), de 1984 até sua extinção.[1]
Por ocasião de seus 80 anos, em 2010, foi organizado um seminário em sua homenagem no IME.[6]
Publicações selecionadas
Livros
- Teoria das superfícies de Riemann, Rio de Janeiro, 1963, 270 p.
- Álgebra linear e geometria euclidiana, São Paulo, 1968, 80 p.[38]
Vida pessoal
Rodrigues viveu com sua esposa, Lize Rodrigues, no Butantã. Na mesma rua, morou o geneticista Crodowaldo Pavan.[15]
Referências
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- ↑ a b c «Alexandre Augusto Martins Rodrigues – ABC – Academia Brasileira de Ciências». www.abc.org.br. Consultado em 8 de julho de 2025. Cópia arquivada em 22 de janeiro de 2025
- ↑ «Alexandre Augusto Martins Rodrigues»
. Family Search
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- ↑ Alexandre Augusto Martins Rodrigues - Álgebra linear e geometria euclidiana (capa)
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