Aleurothrixus floccosus

Aleurothrixus floccosus

Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Arthropoda
Classe: Insecta
Ordem: Hemiptera
Subordem: Sternorrhyncha
Infraordem: Aleyrodoidea
Superfamília: Chrysomeloidea
Família: Aleyrodidae
Subfamília: Aleyrodinae
Género: Aleurothrixus
Espécie: A. floccosus
Nome binomial
Aleurothrixus floccosus
Maskell, 1896

A Aleurothrixus floccosus, comummente conhecida como mosca-branca-dos-citrinos[1] é uma espécie de insecto hemíptero da família dos aleirodídeos, que se alimenta da seiva de espécies de citrinos, podendo volver-se numa praga.

Etimologia

Quanto ao nome científico desta espécie:

  • O nome genérico, Aleurothrixus, termo composto que resulta da aglutinação dos étimos gregos antigos ἄλευρον (aleuron)[2], que significa «farinha» e τριχός (trichus) , que significa «cabelo».[3] Fazendo isto alusão aos filamentos cerosos e brancos desenvolvidos pelos membros deste género.
  • O epíteto específico, floccosus[4], provém do neolatim, tratando-se de uma derivação do étimo latino, floccose[5], e significa «revestido de tufos lanudos». Por alusão à aparência tomentosa desta espécie.

Distribuição

Esta espécie é nativa da parte tropical e subtropical do continente americano[6] tendo-se disseminado por grande parte do continente americano ainda durante o início do séc. XX e por grande parte da Europa citrícola durante os anos 60 e 70 do mesmo século.[1]

Portugal

A espécie encontra-se amplamente distribuída por todas as regiões citrícolas do país, incluindo o Ribatejo e o Algarve no Continente,[1] a ilha da Madeira[7] e várias ilhas do arquipélago dos Açores, incluindo o Pico e São Miguel.[8][9]

Ciclo reprodutivo

Ovos

Os ovos são muito pequenos, medindo menos de 0,2 mm de comprimento.[10] Normalmente são depositados em círculos ou semicírculos, encontrando-se, geralmente, também acompanhados por uma poeira cerosa.[10][11]

Ninfas

A mosca-branca-dos-citrinos passa por quatro instares ninfais, dos quais, o último é o estágio pupal.[10]

Os estágios ninfais pouco diferem entre si, distinguindo-se mormente pelo tamanho.[10] As ninfas segregam uma camada lanosa de cera branca, em flocos churdos.[11]

Sob esta cobertura cerosa, as ninfas costumam apresentar uma coloração amarela-pálida ou, nalgumas populações, acastanhada.[10]

Pupas

A pupa tem uma forma alongada, normalmente de coloração creme-clara, embora, muito raramente, se encontrem pupas de coloração preta.[11] O comprimento, por seu turno, varia entre 0,8 e 0,92 mm e a largura entre 0,55 e 0,65 mm. [10]

Adultos

As moscas-brancas-dos-citrinos adultas geralmente, apresentam uma coloração esbranquiçada, são sempre aladas, com secreções cerosas nos corpos.[11]

História

Nativa da parte tropical e subtropical do continente americano, terá sido descrita cientificamente pela primeira por Sampson & Drews em 1941.[6] No entanto, tinha sido assinalada no Brasil em 1899 por Hembel, em Cuba por Quaintance em 1907 e na Flórida por Bach.[1]

Apesar desta praga se ter rapidamente propagado por grande parte do continente americano, ainda na pendência do início do século XX, só em 1959 é que Ebeling consegue rastrear a sua origem à Flórida.[1]

Em Portugal, já se assinalara a presença desta praga na ilha da Madeira, desde da década de 20,[7] onde já se assumira como uma das maiores pragas que assolavam os citrinos do arquipélago. Porém, só em 1977 é que chega a Portugal continental, sendo que a primeira ocorrência foi registada nas cercanias de Moncarrapacho, na região do Algarve.[1]

A chegada desta praga à Europa continental só se fez assinalar, pela primeira vez, em 1966, em França, na região de Côte D'Azur, nas cercanias de Nice.[1] Os primeiros casos conhecidos em Espanha terão ocorrido no verão de 1968 na zona de Málaga, porém só em 1969 é que se ficou oficialmente a saber da sua existência, quando já chegara a Alicante.[12] Em todo o caso, a presença deste insecto na zona só se viria a avolumar de tal ordem que se passou a classificar oficialmente como praga de citrinos em 1970.[1]

Com efeito, a intrusão da espécie em Portugal Continental terá ocorrido, exactamente, devido à importação clandestina de laranjeiras espanholas vindas de Huelva, em 1977, para o Algarve.[1] Uma vez introduzida no Algarve, a espécie rapidamente se fez disseminar por todas as regiões citrícolas do país.

Nos Açores, esta espécie foi detectada pela primeira vez na Ilha do Pico em 1988, daí propagou-se, rapidamente, às restantes ilhas.[9] De tal ordem que já no ano seguinte fora observada em S. Miguel.[8]

Referências

  1. a b c d e f g h i Godinho, Joana; Sobreiro, José; Dias, João; Poupino, Filipe (1994). «Evolução das populações da mosca-branca-dos-citrinos (Aleurothrixus floccosus) e do parasitóide Cales noacki, em pomares de citrinos da região de Santarém». 1º Congresso de Citricultura, 20 a 22 de Janeiro de 1993: 405–419. Consultado em 16 de agosto de 2023 
  2. «ἄλευρον, ου, τό». Lexicon Gregorianum Online. Consultado em 16 de agosto de 2023 
  3. «τριχός - WordSense Dictionary». www.wordsense.eu (em inglês). Consultado em 16 de agosto de 2023 
  4. «floccosus - WordSense Dictionary». www.wordsense.eu (em inglês). Consultado em 16 de agosto de 2023 
  5. «floccose - WordSense Dictionary». www.wordsense.eu (em inglês). Consultado em 16 de agosto de 2023 
  6. a b Martin, Jon H. (31 de maio de 2007). «An annotated check list of the world's whiteflies (Insecta: Hemiptera: Aleyrodidae)» (PDF). Zootaxa. 1492: 1-84 
  7. a b Carvalho, José Passos de (1997). Pragas dos citrinos na ilha da Madeira. Madeira: Direcção Regional de Agricultura da Região Autónoma da Madeira, Instituto Nacional de Investigação Agrária, Estação Agronómica Nacional. 411 páginas. ISBN 9726481171 
  8. a b MOTA, J. A. R (1993). Comportamento da mosca branca dos citrinos (Aleurothrixus floccosus MASKELL) e do seu parasitóide (Cales noacki HOWARD) na Ilha de S.Miguel. Ponta Delgada, São Miguel: Universidade dos Açores. p. 363 
  9. a b CARVALHO, J.P. (1999). – Manual De Pragas E Sintomas Do Ataque Insectos E Ácaros Em Citrinos. Oeiras: Estação Agronómica Nacional. 142 páginas 
  10. a b c d e f CABI (16 de novembro de 2021). «Aleurothrixus floccosus (woolly whitefly)». CABI Compendium. 4538 páginas. doi:10.1079/cabicompendium.4538. Consultado em 11 de julho de 2025 
  11. a b c d Getu, E (1 de outubro de 2008). «Woolly whitefly <i>Aleurothrixus floccosus</i> (Maskell) (Homoptera: Aleyrodidae): a new invasive alien insect pest of citrus fruits in Ethiopia». SINET: Ethiopian Journal of Science (2). ISSN 0379-2897. doi:10.4314/sinet.v30i2.18291. Consultado em 11 de julho de 2025 
  12. «mosca blanca | enciclopedia.cat». www.enciclopedia.cat. Consultado em 16 de agosto de 2023