Alencar

Armas não oficiais usadas por membros da família
Brasão da Família Alencar

Alencar (por vezes Alancar, Alanquar, Alamquer, Alenquer, Alemquer ou Alan-Kerk) é um Apelido de familia toponímico derivado da vila de Alenquer em Portugal com ramos em diversos países como Espanha, Alemanha, Itália e Brasil. O clã não possui história de nobreza reconhecida no reino de Portugal. No entanto, membros da família gozaram de títulos nobiliárquicos em alguns países como a Itália, Espanha e Brasil.[1]

Origens

O nome da família Alencar deriva da freguesia de Alenquer nos arredores de Lisboa em Portugal. Considera-se que a dita vila foi assim nomeada pelos Alanos (povos nômades e guerreiros de origem iraniana) que viviam naquela região. Alenquer deriva da junção de Alan (dos Alanos) e Kerk (templo ou igreja), significando, assim, templo dos Alanos. Há, ainda, a teoria de que o sobrenome Alencar derive do alemão Allen-Kerk, mas essa teoria carece de literatura e fontes que a corroborem.[2]

História no Brasil

Vida e bravura origens e genealogia da família Alencar

A família dá início a sua história no Brasil a partir do casal formado por Dorotéa de Alenquer (filha de Ricardo de Alenquer e Isabel Pereira) e Martinho Pereira do Rego. Já o terceiro casamento de Martinho, o casal uniu-se em matrimônio em Braga, Portugal em meados do século XVII. Dessa relação nasceram dez filhos: Leonel Pereira de Alencar Rego (patriarca da Família Alencar no Brasil), Marta de Alencar Rego, João Francisco Pereira de Alencar Rego, Alexandre Pereira de Alencar Rego, Maria, Ricardo, Guiomar, Eugênia, Dálcio e Fábio.

No ano de 1650, quatro dos filhos de Dorotéa embarcaram, sem apoio financeiro ou titular da coroa, para o Brasil, desembarcaram na Bahia os irmãos: Leonel, João Francisco, Alexandre e Marta. Martinho do Rego chegou a morar na capital baiana ente os anos de 1650 e 1680, retornando a Portugal posteriormente.[3]

No Brasil, de Alenquer tornaram-se Alencar, a partir do casamento do português Leonel Pereira de Alenquer Rego com a baiana Maria de Assumpção de Jesus, em Salvador.[4] Arrendaram terras no interior do Nordeste pela Casa da Torre de Garcia D'ávila (uma entidade latifundiária baiana), tomando posse do direito de desbravar e explorar as terras próximas à chapada do Araripe, hoje compreendida entre os estados de Ceará, Piauí e Pernambuco. Nas primeiras décadas de exploração combateram e fizeram alianças com tribos indígenas que viviam na naquelas terras, dentre elas a tribo Ançu que aliou-se aos alencares, homenageada posteriormente dando nome à cidade de Exu, Pernambuco. Leonel e seus irmãos subiram o riacho do Brígida e assentaram-se nas proximidades de sua nascente e estabeleceram fazendas, dentre elas a Caiçara e a Gameleira, onde tornaram-se grandes criadores de gado na região do Araripe. Posteriormente os irmãos se espalharam pelos arredores da chapada: João francisco se estabeleceu em Brejo Seco, atual Araripe, Ceará; Alexandre fundou a fazenda Bodocó que posteriormente viria a dar origem ao município de Bodocó-PE e Marta casou-se em Santa Maria da Boa Vista, Pernambuco e foi para o Piauí.

Pelas fazendas Caiçara e Gameleira, Leonel pagava o arrendamento ao Coronel Francisco Dias D'ávila até meados do século XVIII. Quanto se tornou proprietário do vasto trecho de terras, desmembrou a sua posse primitiva em outras fazendas, tais como: Araripe, Morro e Caracuri.

Os Irmãos Alencar tornaram-se Coronéis da terra, tiveram vasta prole e seus filhos espalharam-se por todo o Brasil, influenciando eventos históricos importantes e produzindo personalidades de grande importância especialmente nas esferas militar, cultural e política regional e nacional.

Alencares em destaque

Bárbara de Alencar

Nascida em 11 de Fevereiro de 1760 na fazenda Caiçara, neta de Leonel, casou-se em 1782 com o Capitão português e comerciante José Gonçalves dos Santos na então Vila do Crato-CE, com quem teve cinco filhos: João Gonçalves Pereira de Alencar, Carlos José dos Santos Alencar, Joaquina Maria de São José Alencar, Tristão Gonçalves Pereira de Alencar e José Martiniano de Alencar (pai do escritor José de Alencar e do Barão de Alencar). Foi a primeira mulher republicana revolucionária do Brasil, líder fervorosa na revolução pernambucana de 1817 declarando junto aos seus filhos a república do Crato tornando-se, assim, a primeira presidente mulher em território brasileiro. Acusada de traição, foi perseguida por várias províncias, tornou-se a primeira  presa política do país. Pela Lei 13.056/2014 foi declarada como heroína da Pátria por sua atuação na revolução pernambucana e na confederação do equador e teve seu nome registrado no livro dos Heróis da Pátria, depositado no Panteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves, em Brasília.

1º Barão de Exu

Nascido em 18 de Junho de 1822 em Exu, sobrinho de Bárbara, Guálter Martiniano de Alencar Araripe foi um político muito importante na província, sendo diversas vezes eleito deputado provincial por Pernambuco, também era Coronel da Guarda Nacional. Foi agraciado o título de Barão de Exu em 15 de Novembro de 1888 por decreto imperial do Imperador Dom Pedro II do Brasil.

José de Alencar
1º Barão de Alencar

Nascido em 1 de Maio de 1829 em Messejana, José Martiniano de Alencar foi um dos maiores e mais importantes romancistas do país, dando início ao movimento romancista brasileiro, creditado por ser o criador da literatura nacional por ser o primeiro a escrever sobre temas domésticos, com destaque para a valorização dos indígenas como figuras de definição de nacionalidade brasileira. José também foi jornalista, político, advogado e dramaturgo, era filho do senador da província do Ceará, José Martiniano Pereira de Alencar, filho de Bárbara.[5]

Nascido em 5 de dezembro de 1832 foi um nobre, advogado, político e diplomata brasileiro. Representou o Brasil como diplomático em várias ocasiões, principalmente na América do Sul e na Europa. Era filho do governador do Ceará, o senador José Martiniano Pereira de Alencar, e irmão mais novo do famoso romancista José de Alencar.[6]

Almirante Alexendrino

Nascido em 12 de Outubro de 1848, foi um Almirante da Marinha do Brasil, político, Senador e Ministro da Marinha, Ministro do Supremo Tribunal Militar. Teve grande importância na Revolta da Armada em 1893 no comando do encouraçado Aquibadã. Foi amigo e tutor de João Cândido Felisberto que posteriormente viria a liderar a Revolda da chibata. Combateu na guerra do Paraguai, condecorado tanto no Brasil como na Argentina.

O Rei do Baião, Luiz Gonzaga

Nascido em 13 de Dezembro de 1912 na fazenda Araripe, terra do Barão de Exu, foi cantor, compositor, militar, e instrumentista, foi um dos maiores nomes da cultura popular nacional passando a ser reconhecido como o Rei do Baião. Filho de Januário José dos Santos com Ana Batista de Jesus, filha de José Moreira de França Alencar. Luiz cresceu sob a proteção e influência de sua família em Exu, cidade que deixou por motivos de desavenças com um coronel da região.[7]

Outros Alencares de destaque


Referências

  1. «Uma família chamada Alencar - Arquivo». Diário do Nordeste. 12 de novembro de 2005. Consultado em 21 de junho de 2025 
  2. Moreira, José Roberto de Alencar (2005). Vida e Bravura: Origens e Genealogia da Família Alencar. Brasília: CERFA 
  3. «O POVO+». O POVO+. Consultado em 21 de junho de 2025 
  4. «FamilySearch.org». ancestors.familysearch.org. Consultado em 29 de julho de 2025 
  5. «José Alencar | Tudo Sobre». G1. Consultado em 21 de junho de 2025 
  6. Moreira, José Roberto de Alencar (2000). História da Família Seixas de Alencar. Brasília: [s.n.] 
  7. Alencar, Thereza Oldam de (2020). Igreja de São João Batista do Araripe, Exu-Pernambuco – Sesquicentenário (1868/2018) 1 ed. Recife: Tear Editora 
  8. Alencar, Alfredo Pequeno de Arraes. Genealogia de Parte da Família Arraes. [S.l.: s.n.]