Albaidaui

Manuscrito persa do século XVI do Kitab Nizam al-Tawarikh de Albaidaui. Cópia criada no Irã safávida, provavelmente em Tabriz
| Nascimento |
Ardakan (en) |
|---|---|
| Morte | |
| Nome nativo |
عبد الله بن عمر بن محمد بن علي الشيرازي |
| Nome no idioma nativo |
عبد الله بن عمر بن محمد بن علي الشيرازي |
| Atividades |
| Áreas de trabalho | |
|---|---|
| Religiões |
Abedalá ibne Omar Albaidaui (em árabe: عبد الله بن عمر البيضاوي), também conhecido apenas como Albaidaui (Fars, século XIII — Tabriz, c. 1286) foi um jurista, teólogo e comentarista do Alcorão. Ele viveu durante a era pós-seljúcida e no início da era mongol. Muitos comentários foram escritos sobre seu trabalho. Ele também foi o autor de vários tratados teológicos.[1]
Viveu no período dos salguridas. A região do Irã era um lugar protegido porque a tribo salur se dava bem com os mongóis nesse período. Por essa razão, essa região tornou-se uma região segura e preferida pelos acadêmicos. Ele também se beneficiou dos estudiosos que vieram para cá. Detalhes sobre sua vida estão disponíveis em seu livro intitulado al-Gayah al-Kusvâ.[2]
A única obra persa de Albaidaui, o Kitab Nizam al-Tawarikh, é o primeiro livro histórico a mostrar a história étnico-nacional do Irã.[3]
Biografia
Albaidaui era natural de Baida, de onde deriva seu nisba (adjetivo que indica o lugar de origem da pessoa), uma pequena cidade na região de Fars, no sul do Irã.[4][5] Desde 1148, a região era controlada pelos salgúridas, uma família de origem turcomana, que governaria como vassalos nominais dos seljúcidas, dos corásmios e dos mongóis até sua queda em 1282.[6] A data de nascimento de Albaidaui é desconhecida; entretanto, avaliando suas realizações ao longo de sua carreira, pode-se deduzir que ele nasceu em algum momento durante o reinado do atabegue (governante) salgúrida Abu Becre ibne Sade (reinou de 1226 a 1260). Durante esse período, a cultura floresceu em Fars; Abu Becre ordenou a construção de muitos hospitais e estabelecimentos religiosos de alto nível que atraíram muitos estudiosos.[4]
Como a maioria da população de Fars, Albaidaui era um muçulmano sunita[7][8] da madhhab (escola) xafista.[9][10] A educação de Albaidaui é obscura. Segundo o historiador Aliafii, Albaidaui foi orientado por seu pai Omar, que havia sido aluno de Mujiradim Mamude ibne Abi Almubaraque Albagdadi Axafii, ex-aluno de Muinadim Abi Saíde Mançor ibne Omar Albagdadi, que havia estudado com o proeminente filósofo Algazali (morto em 1111).[11]
Seu pai, Cazi Imamadim Abu Alcácime Omar ibne Alçaíde Facradim Abedalá Albaidaui, foi discípulo do santo sufi Abu Talibe Abde Almocine ibne Abi Alumaide Axafi, Alcafifi Alabari (morto em 624/1227), que era bem versado em leis religiosas e foi um ilustre estudioso muçulmano no último século VI e início do século VII A.H.[12][13]
Albaidaui tornou-se discípulo de um santo sufi em Tabriz, o xeique Maomé ibne Maomé Alcunjani.[14][15] Certa vez, ele desejou se tornar o cádi de Fars sob o governo de Argum Cã, então pediu ao santo que o ajudasse nessa questão, pois Argum Cã tinha uma alta opinião sobre o xeique e costumava homenageá-lo todas as quintas-feiras. Um dia, quando Argum Cã o visitou, o xeique lhe disse que “um erudito persa havia implorado a ele um pedaço do inferno equivalente a um tapete de orações”. Argum Cã quiz mais explicações sobre a declaração. Diante disso, o xeique explicou a ele que o cádi Naceradim Baidaui queria o cargo de cádi de Fars. Argum Cã, por recomendação do xeique, o nomeou novamente cádi.
Albaidaui ouviu as observações do xeique e, consequentemente, ficou muito perturbado. Ele interpretou essas palavras como um aviso e se arrependeu, desistindo finalmente da ideia de alcançar o cargo desejado. Por fim, ele perdeu o interesse pelos assuntos mundanos e se estabeleceu definitivamente em Tabriz, onde passou o resto de sua vida.[16] Enquanto permaneceu em Tabriz, começou a visitar seu xeque regularmente até sua morte em Tabriz.[16] Há também uma narração de que ele completou seu comentário corânico seguindo uma sugestão do mesmo xeique. Ele passou sua velhice em atividades místicas em Tabriz.[17][18]
O imame Albaidaui, segundo Zarkobe, morreu em Tabriz e foi sepultado no cemitério de Charand-ab,[19][20] e seu túmulo ficava próximo ao santuário de seu guia espiritual, o xeique Muhammad bin Muhammad al-Kunjani.[21] Muhammad Ma'sum Shirazi relata seu sepultamento a leste do santuário do xeique Zia ud-Din Yahya, no mesmo cemitério.[14]
Obras
Albaidaui escreveu sobre diversos assuntos, incluindo fiqh (jurisprudência), história, gramática árabe, tafsir e teologia.
Sua principal obra é o comentário sobre o Alcorão intitulado “As Luzes da Revelação e os Segredos da Interpretação” (Anwar al-Tanzil wa-Asrar al-Ta'wil). Esta obra é, na maioria, uma edição condensada e corrigida do livro de al-Zamakhshari (al-Kashshaaf). Essa obra, que demonstra grande erudição, é influenciada pelas visões mutazilitas, que Albaidaui tentou corrigir, ora as refutando, ora as omitindo.[22][23] Além de se basear fortemente em al-Kashshaf, o tafsir de Albaidaui também se baseou nos tafsirs de Facradim Arrazi e al-Raghib al-Isfahani.[24] Foi editado por Heinrich Leberecht Fleischer (2 vols., Leipzig, 1846–1848; índices ed. W. Fell, Leipzig, 1878). Uma seleção com numerosas notas foi editada por David Samuel Margoliouth como Chrestomathia Beidawiana (Londres, 1894),[1] e seu comentário sobre a Sura 12 foi editado e traduzido por Alfred Felix Landon Beeston.[25]
Sua obra histórica Nizam al-Tawarikh (A Ordenação das Histórias) foi escrita em persa, sua língua nativa.[5] Parece fazer parte de um esforço para encorajar Abaca Cã, o governante budista do Iraque, a legitimar o domínio do Ilcanato no Iraque por meio da conversão ao islamismo.[26] Esta obra desempenhou um papel fundamental na formação da história étnico-nacional do Irã, sendo o primeiro livro dedicado à sua história nacional.[3]
Sua obra teológica/calâmica “Tawali' al-Anwar min Matali' al-Anzar” é sobre a lógica do calâm na tradição teológica islâmica.
Suas outras obras: al-Gayah al-Kusvâ, Minhaj al-Usul ila Ilm al-Usul, Lub al-Albâb, Risala fî Ta'rifat al-Ulûm, Tuhfeh al-Abrâr, Havâs al-Quran.[27]
Referências
- ↑ a b Thatcher 1911.
- ↑ Aykaç, Mustafa (28 de dezembro de 2016). Nâsıruddin El-Beyzâvî ve Osmanlı Kelâm Geleneğindeki Yeri - İslami Araştırmalar Dergisi (em turco). 3. [S.l.: s.n.] p. 389. Consultado em 3 de maio de 2025
- ↑ a b Ashraf 2006, pp. 507–522.
- ↑ a b Ibrahim 1979, p. 311.
- ↑ a b About this Collection | World Digital Library | Digital Collections | Library of Congress. [S.l.: s.n.] Consultado em 5 de maio de 2025
- ↑ Limbert 2004, p. 12.
- ↑ Shirazi, Muhammad Ma'sum. Trai'q al Haqaa'iq, vol 2. [S.l.: s.n.] p. 664
- ↑ Califa, Haji. Kashf al-Zanun. [S.l.: s.n.] pp. 186–194
- ↑ Ibrahim 1979, pp. 311–312.
- ↑ Esposito, John L. (2004). The Oxford Dictionary of Islam. [S.l.]: Oxford University Press. p. 39. ISBN 0195125592
- ↑ Ibrahim 1979, p. 312.
- ↑ Zarkobe. Shiraz Nama. [S.l.: s.n.] 136 páginas
- ↑ Rehmani, Dr. Anjum. Nizam ut-Tawarikh by Qadi Baydawi, Traduzido para o inglês [(Organização de Histórias)]. [S.l.]: Institute of Islamic Culture, Lahore. 22 páginas
- ↑ a b Shirazi, Muhammad Ma'sum. Tari'q al-Haqaa'iq. 2. [S.l.: s.n.] p. 664
- ↑ Baqir, Muhammad. Rauzat al-Jannah. [S.l.: s.n.] p. 435
- ↑ a b Rana, Baha ul-Haq. Nizam ul Tawarikh (tradução para urdu). [S.l.: s.n.] p. 18 (prefácio)
- ↑ Khafaji. Hashiya Tafsir al-Baydawi. [S.l.: s.n.] p. 1
- ↑ Califa, Haji. Kashf al-Zanun. 1. [S.l.: s.n.] p. 187
- ↑ Zarkobe. Shiraz Nama. [S.l.: s.n.] p. 65
- ↑ Saleh 2017, Sua data de morte é controversa, mas 1319 d.C. / 719 a.H. é a data provável. Outras datas citadas às vezes incluem 1286 d.C. / 685 a.H. e 1292 d.C. / 691 a.H..
- ↑ Califa, Haji. Kashf al-Zanun. 1. [S.l.: s.n.] pp. 186–194
- ↑ Gibb, H.A.R.; Kramers, J.H.; Levi-Provencal, E.; Schacht, J. (1986) [1st. pub. 1960]. Encyclopaedia of Islam. I (A-B) Nova ed. Leiden, Países Baixos: Brill. p. 1129. ISBN 9004081143
- ↑ Thatcher 1911, cita cf. Theodor Nöldeke's Geschichte des Qorans, Göttingen, 1860, p. 29.
- ↑ Muhammad Husayn, al-Dhahabi (2000). التفسير والمفسرون. Cairo, Egito: Maktabah Wahbah. pp. 1/212
- ↑ A. F. L. Beeston, Baiḍawiʼs Commentary on Surah 12 of the Qurʾan: Text, Accompanied by an Interpretative Rendering and Notes (Oxford: Oxford University Press, 1963).
- ↑ Peacock 2007.
- ↑ Aykaç, Mustafa (28 de dezembro de 2016). Nâsıruddin El-Beyzâvî ve Osmanlı Kelâm Geleneğindeki Yeri = Naser Addin al-Baidawi and His Place on Ottoman Theology Tradition (em turco). 3. [S.l.: s.n.] p. 390. Consultado em 3 de maio de 2025
Bibliografia
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- Fleet, Kate; Krämer, Gudrun; Matringe, Denis; Nawas, John; Stewart, Devin J. (eds.). Encyclopaedia of Islam Three Online (em inglês). [S.l.: s.n.] Consultado em 5 de maio de 2025
- Ibrahim, Lutpi (1979). «Al-Baydāwī's Life and Works». Islamic Studies. 18: 311–321. JSTOR 20847119
- Thatcher, Griffithes Wheeler (1911). «Baiḍāwī». Encyclopædia Britannica (em inglês). 3. Cambridge: Cambridge University Press. p. 214 Esta por sua vez cita:
- Carl Brockelmann, Geschichte der arabischen Litteratur (Weimar 1898), vol. i. pp. 416–418.
- Peacock, A. C. S. (2007). Mediaeval Islamic Historiography and Political Legitimacy: Balʿamī's Tārīkhnāma. Londres e Nova Iorque: Routledge. ISBN 978-0-415-40025-1
- Ashraf, Ahmad (2006). «Iranian identity iii. Medieval Islamic period». Encyclopaedia Iranica, Vol. XIII, Fasc. 5. pp. 507–522
- Jackson, Peter (2017). The Mongols and the Islamic World: From Conquest to Conversion. [S.l.]: Yale University Press. pp. 1–448. ISBN 9780300227284. JSTOR 10.3366/j.ctt1n2tvq0
- Lane, George E. (2012). «The Mongols in Iran». In: Daryaee, Touraj. The Oxford Handbook of Iranian History. [S.l.]: Oxford University Press. pp. 1–432. ISBN 978-0-19-987575-7
- Lane, George (2014). «Persian Notables and the Families Who Underpinned the Ilkhanate»: 182–213