Alasraque
| Alasraque | |
|---|---|
| Nascimento | 1208 La Vall d'Alcalà |
| Morte | 1276 Alcoi |
| Cidadania | Taifa de Dénia |
| Ocupação | militar |

Abu Abedalá Maomé ibne Hudail Açaguir (em árabe: أبو عبد الله محمد بن حذيل الصغير; romaniz.: Abū ʿAbd Allāh Muḥammad ibn Hudhayl aṣ-Ṣaghīr; La Vall d'Alcalà, 1230 — Alcoi, 1276)[1], mais conhecido como Alasraque (em árabe: الأزرق; romaniz.: Al-Azraq, o dos olhos azuis), foi um líder do Alandalus. Chegou a tornar-se o senhor mudéjar mais famoso do século XIII.
Biografia
Era filho do váli Hudail Açaguir e de mãe cristã.
Culto e engenhoso, esteve longas temporadas nas cortes de Aragão, Valência e Granada. Teve a confiança e amizade dos reis Jaime I o Conquistador e Afonso X de Castela. Foi o caudilho das três revoltas mudéjares ao sul do Reino de Valência, que colocaram esse reino em perigo. Muitos autores consideram as revoltas de Alasraque como a origem das festas de Mouros e Cristãos de Alcoi.
A primeira revolta Mudéjar
Diante dos maus-tratos aos muçulmanos e do descumprimento dos acordos firmados pelos monarcas católicos, os mudéjares sublevaram-se em 1244. Sob o comando de Alasraque, esse mesmo ano controlavam os castelos de Ambra (vale de Pego) e de Alcalà, bem como numerosos castelos menores na região. A seguir foram tomados os castelos de Xàtiva, Dénia, e Alicante e, com a ajuda do sultanato de Granada e do apoio interessado do rei Afonso X de Castela, a região da margem sul do rio Júcar, no Reino de Valência, tornou-se independente.
Enquanto isso, Jaime I pediu ajuda econômica ao papa Clemente IV, em troca da isenção de dízimo e de ceder às suas pressões, assinando a expulsão dos muçulmanos de todo o território da Coroa de Aragão num decreto nas cortes de Valência. Isto levou uma parte importante dos muçulmanos expulsos a se somarem aos rebeldes, que se tornaram ainda mais fortes, conduzindo o reino a uma situação de guerra generalizada. Por outro lado, cerca de cem mil muçulmanos que aceitaram o exílio, provenientes primariamente da cidade de Valência, foram agrupados e conduzidos para a fronteira de Múrcia, sob escolta militar.
A segunda revolta
Na segunda revolta mudéjar (1247—1258) Alasraque esteve a ponto de matar o idoso Jaime I numa emboscada. Ao final, a traição do seu próprio conselheiro acabou por derrotá-lo. Dada a antiga amizade de ambos, Jaime I não o encarcerou, mas obrigou-o a se exiliar, deixando os seus domínios, já muito reduzidos, nas mãos de um irmão e de um tio, submetidos a contínuas pressões pelos novos senhores feudais catalães e aragoneses.
Em 1258 Jaime I recusou uma trégua oferecida por Alasraque através do rei Afonso X o Sábio, e recuperou sem maior resistência os castelos de Planes, Pego e Castell de Castells. Em poucos dias Alasraque rendeu-se, entregando Alcalà, Gallinera e o restante das fortificações. Alasraque foi expulso do Reino. Jaime I não cumpriu as condições da ajuda do papa Clemente VI de expulsar os muçulmanos, como fazia Castela, com medo de enfraquecer economicamente o reino, e preferiu iniciar uma série de ações legais com o objetivo de forçar os mudéjares a converter-se ao cristianismo, como condição para poderem manter os seus direitos e posses.
A terceira revolta
O ocorrido levou a que, longe de aplacar a revolta, esta se reavivasse e, em 1276, iniciou-se uma terceira revolta dos mudéjares, constituindo-se um exército comandado por Alasraque, desde o exterior para Alcoi. Jaime I combinou diplomacia e guerra para sufocar a revolta, provocando disputas internas entre os muçulmanos e recuperando terreno.
A terceira revolta mudéjar foi a que afetou mais diretamente Alcoi, nos antigos domínios de Alasraque (Alcalà, Benisili, Pego, Benigànim, ou Benissulema). Desta vez Alcoi foi defendida por quarenta cavaleiros que chegaram de Xàtiva e, numa manobra diversionista, derrotaram e mataram Alasraque. Porém, uma vez que o exército mudéjar iniciou a retirada, alguns cavaleiros de Xàtiva, improvisadamente, quiseram persegui-los, caindo numa emboscada militar às mãos de rebeldes encabeçados pelo filho de Alasraque. Alcoi, portanto, ficou desprotegida, e o filho de Alasraque conseguiu tomá-la, bem como Xàtiva.
A revolta estendeu-se por todo o território e colocou seriamente em perigo o Reino de Valência, com o filho de Alasraque como novo cabecilha: mil peões mouros atacaram Llíria, os mudéjares de Beniopa sublevaram-se, e o exército muçulmano destruiu Llutxent e avançou reino adentro pelo vale de Albaida. Enquanto isso, Jaime I caiu doente e faleceu a 27 de julho de 1276, herdando o trono valenciano o seu filho Pedro III de Aragão. O novo rei recuperou fortificações e acordou uma trégua de três meses. Depois submeteu vários castelos e teve que render à força o Castelo de Montesa. A revolta encerrou-se em outubro de 1277, antes de os granadinos e os norte-africanos poderem socorrer os mudéjares. Pedro I ordenou desarmá-los sem que fossem castigados, e em 1283 decretou uma lei permitindo-lhes a liberdade de deslocamento e de residência em todo o reino, bem como a liberdade de comércio.
Ver também
Notas
- ↑ Burns, Robert I.; Chevedden, Paul E. (março de 2000). «A unique bilingual surrender treaty from muslim-crusader Spain». The Historian. Consultado em 23 de outubro de 2021
- Este artigo foi inicialmente traduzido, total ou parcialmente, do artigo da Wikipédia em catalão cujo título é «Al-Àzraq».