Alaranjado (heráldica)
| Alaranjado | |
|---|---|
| Classe | Cor |
| Nomes alternativos | Aurora, laranja |
| Representações monocromáticas | |
| Padrão de hachura | ![]() |
| Simbologia | |
| Corpo celeste | Não atribuído |
| Pedra preciosa | Não atribuída |
| Metal | Não atribuído |
| Virtudes | Indeterminadas |
Na heráldica, o alaranjado - ocasionalmente referido como aurora - é um esmalte que corresponde à coloração laranja. É um esmalte não tradicional, usado em algumas tradições heráldicas como a francesa, a catalã e a sul-africana, mas não admitido na maioria das restantes, incluindo a portuguesa, a alemã e a italiana. Na armaria britânica, a coloração laranja é admitida, mas é designada "sépia" (tenné, na terminologia heráldica inglesa).[1][2]
No âmbito da vexilologia, o alaranjado é também usado como coloração de diversas bandeiras, mas neste caso é usualmente referido como "laranja". Nas bandeiras do subcontinente indiano, o alaranjado é oficialmente referido como "açafrão", cor associada ao nacionalismo hindu.
O termo "alaranjado" deriva de "laranja" que, alguns autores dizem vir do latim aurantium(dourado), em referência à cor dos frutos da laranjeira. Outros referem uma origem no sânscrito narangah, que literalmente significa "veneno para elefantes", numa referência a uma lenda de um elefante glutão que morrera de tanto comer laranjas. Do sânscrito, a palavra teria passado ao persa narang, deste ao árabe narandja e deste último ao português "laranja".
O uso mais conhecido do alaranjado foi como cor principal do libré da Casa de Orange (reinante nos Países Baixos), constituindo um símbolo falante da mesma. Acabou por deixar simbolizar meramente a Casa Real e tornar-se a cor nacional dos Países Baixos.[3]
Uso e representação
Na primitiva heráldica de origem europeia, os esmaltes clássicos limitavam-se a dois metais (ouro e prata) e a cinco cores (vermelho, azul, negro, verde e púrpura). Contudo, em épocas posteriores, foram introduzidos esmaltes adicionais no âmbito de determinadas heráldicas nacionais ou regionais, os quais não foram contudo aceites fora das mesmas. O alaranjado foi um desses esmaltes adicionais, o qual é geralmente apenas aceite e usado no seio da heráldica de tradição francesa, catalã, polaca e sul-africana. Nestas heráldicas, o alaranjado é incluído na classe das cores (não metais). O esmalte sépia (tenné, tenny ou tawny) usado na heráldica de tradição inglesa é representado por uma coloração próxima do alaranjado, sendo considerado uma "mancha" (marca de difamação).[4][2][5]
Como é prática comum na heráldica, a tonalidade em que o alaranjado deve ser representado não se encontra definida com exatidão, devendo ser deixada à liberdade e ao critério do artista heráldico. Importa contudo que a tonalidade escolhida não o faça confundir-se com um esmalte distinto, como por exemplo o ouro (no caso de um tom muito claro) ou com o vermelho (no caso de um tom muito escuro).[6]
Apesar do alaranjado não ter sido incluído no sistema de representa monocromática, por hachura, criado por Silvestre Petra Sancta e publicado originalmente em 1638, foi desenvolvida posteriormente uma representação para o mesmo. Esta consiste em linhas verticais alternadas com pontos.[5]
Exemplos de utilização
Heráldica
Brasões cívicos
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Armas da comuna de Anthy-sur-Léman, França -

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Arma da comuna de Coutarnoux, França -
Armas da comuna de Le Sap, França -
Armas da comuna de Monchy-sur-Eu, França -
Armas do município de Nuevo Colón, Colômbia -

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Armas da cidade de Saint-Honoré, Quebec -
Armas da comuna de Tavel, França -

Brasões pessoais e familiares
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Armas do clã Delpacy, Polónia -
Armas da família Lagouanelle-Dély, França -
Armas do bispo John Lu Pei Sen de Yanzhou, China
Vexilologia
Bandeiras nacionais
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Antiga bandeira da África do Sul
(1928-1994) -

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Antiga bandeira do Império Marata
(séculos XVII-XIX) -
Antiga bandeira do Ducado de Nassau
(1806-1866) -

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Antiga bandeira do Estado Livre de Orange
(1857-1902) -
Antiga bandeira dos Países Baixos
(séculos XVI-XVIII) -

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Antiga bandeira do Tibete
(1920-1925) -

Bandeiras regionais
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Bandeira do estado de Akwa Ibom, Nigéria -

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Bandeira do território de Caxemira Livre, Paquistão -
Bandeira do estado de Cojedes, Venezuela -
Bandeira do condado de Homa Bay, Quénia -
Bandeira da província de Nakhon Ratchasima, Tailândia -
Bandeira do condado de Nassau, Nova Iorque, EUA -
Bandeira da província da Nova Irlanda, Papua Nova Guiné -
Bandeira do condado de Orange, Califórnia, EUA
Bandeiras locais
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Bandeira da cidade de Ascalão, Israel -
Bandeira do município de Baix Pallars, Catalunha -
Bandeira do burgo do Bronx, cidade de Nova Iorque, EUA -
Bandeira da cidade de Fukushima, Japão -
Bandeira da cidade de Juba, Sudão do Sul -
Bandeira da cidade de Lima, Perú -
Bandeira da cidade de Miami, Flórida, EUA -

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Bandeira da vila de Orânia, África do Sul -
Bandeira do município de Remolino, Colômbia
Bandeiras de chefes de Estado e de governo
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Antiga bandeira do Presidente da África do Sul (1984–1994) -
Estandarte do chefe do executivo municipal (mayor) de Nova Iorque -
Estandarte real dos Países Baixos
Bandeiras políticas, sociais e religiosas
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Bandeira da Ordem de Orange -
Bandeira do Partido Social-Democrata, Portugal -
Bandeira sique
Bandeiras corporativas
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Bandeira da Administração Federal de Aviação (FAA), EUA -
Bandeira da Real Força Aérea dos Países Baixos -
Bandeira da Guarda Costeira dos Países Baixos -
Antigo distintivo do armador Safmarine, África do Sul (1969-2020)
Referências
- ↑ BANDEIRA, Luis Stubbs Saldanha Monteiro, "Alaranjado", Vocabulário Heráldico, Lisboa, Mama Sume, 1985
- ↑ a b LANGHANS, F.P. de Almeida, "A teoria das cores", Heráldica - Ciência de temas vivos, Lisboa: Gabinete de Heráldica Corporativa - FNAT, 1966
- ↑ Heráldica: As Armas: O Escudo: Os Esmaltes: As Cores. Atelier Heráldico. Disponível em: <http://www.heraldica.net.br/3_1_2_2_cores.htm>. Acesso em: 17 jul. 2020.
- ↑ ARTHUR, C. A Complete Guide to Heraldry, Londres: T.C. & E.C. Jack, 1909
- ↑ a b NEUBECKER, Ottfried, HARMIGNIES, Roger (adaptação francesa), "Les émaux et les fourrures", Le grand livre de l'héraldique, Paris: Bordas, 1988
- ↑ CARL, A., The Art of Heraldry, Londres: Tiger Books International, 1991
