Aftônio
| Nascimento | |
|---|---|
| Período de atividade |
século V |
| Nome nativo |
Ἀφθόνιος Ἀντιοχεὺς ὁ Σύρος |
| Nome no idioma nativo |
Ἀφθόνιος Ἀντιοχεὺς ὁ Σύρος |
| Atividade |
Aftônio de Antioquia (em grego clássico: Ἀφθόνιος Ἀντιοχεὺς ὁ Σύρος;[1] em latim: Aphthonius) foi um sofista e retórico grego, que floresceu na segunda metade do século IV, ou mais tarde, na cidade de Antioquia-nos-Orontes.[2]
Biografia
Nada se sabe de sua vida, exceto que foi discípulo de Libânio e amigo de certo Eutrópio, que talvez seja o autor de uma epítome homônima da história romana.[2][3]
Segundo nos transmite Fócio, ele chegou a ler suas Declamações, hoje perdidas.[4] No entanto, o seu Progymnasmata (Προγυμνάσματα), um livro de ensino sobre os fundamentos da retórica, com exercícios para o uso dos jovens antes de entrarem nas escolas regulares retóricas.[2] Eles aparentemente formavam uma introdução para a tekné (τέχνη) de Hermógenes de Tarso.[2]
Ele frequentemente usava parábolas como material de ensino. Suas palavras sobreviveram até hoje: “Recontamos uma parábola, a modificamos, a transformamos em uma narrativa, a expandimos, a encurtamos. Além disso, compomos refutações e afirmações para a parábola.”[5] Seu estilo é puro e simples, e os críticos antigos louvaram o seu aticismo.[2] Particularmente conhecidos eram os problemas (exercícios escritos sobre um tópico específico conforme um plano específico — χρεια, chamado em sua homenagem Chria Aphtoniana).
O trabalho de Aftônio foi publicado pela primeira vez em Viena em 1508 na Collectio rhetorum graecorum de Aldo Manúcio; corrigido na coleção de Waltz, Rhetores graeci (volume 1; volume 2 foi publicado pela Spengel), e depois reimpresso diversas vezes. Uma das melhores edições do final do século XIX e início do século XX foi a de Petzhold, publicada em 1839 em Leipzig.[6] No período bizantino, muitos comentários foram escritos sobre o Progymnasmata. O livro manteve sua popularidade até o final do século XVII, especialmente na Alemanha.[2]
A história preservou cerca de quarenta fábulas de Aftônio no estilo de Esopo,[2] que, entre outras coisas, fez uma das primeiras tentativas de classificar as fábulas. Ele dividiu as fábulas em: lógicas (μϋθοι λογικοι), morais (μϋθοι ήθικοί) e mistas (μϋθοι μικτοί).[7]
Aftônio pode ter visitado Serapeu de Alexandria por volta de 315 d.C., segundo o arqueólogo britânico Alan Rowe e o acadêmico galês Brinley Roderick Rees.[8]
Referências
- ↑ Argirópulo, João, Prolegomena em Aphthonii progymnasmata
- ↑ a b c d e f g Chisholm, Hugh. «Aphthonius». Encyclopædia Britannica (em inglês). 2 1911 ed. Cambridge: Cambridge University Press. p. 168
- ↑ Conley, Thomas M. (1990). Rhetoric in the European tradition. Nova Iorque: Longman. 60 páginas. ISBN 0-8013-0256-0. OCLC 20013261
- ↑ Hans Gärtner: Aftônio. Em: Der Kleine Pauly (KlP). volume 1, Stuttgart 1964, página 431.
- ↑ Г.В, Писарук (6 de janeiro de 2022). «Parábolas bíblicas em aulas de russo no sistema de educação pública». Science and apologetics (em russo). Consultado em 12 de abril de 2025
- ↑ «Афтоний» [Aftônio] (em russo). São Petersburgo: Dicionário Enciclopédico Brockhaus e Efron. 1891. p. 523. Consultado em 11 de abril de 2025
- ↑ «Басня» [Fábula] (em russo). São Petersburgo: Dicionário Enciclopédico Brockhaus e Efron. 1891. pp. 150—153. Consultado em 11 de abril de 2025
- ↑ Alan Rowe; B. R. Rees (1956). «A Contribution To The Archaeology of The Western Desert: IV — The Great Serapeum Of Alexandria» (PDF). Manchester
Bibliografia
- Daniel Heinsius, Progymnasmata Apthonii sophistae Graece (1626)
- Rodolphus Agricola e Giovanni Maria Catanaeo, Aphthonii Progymnasmata (1655)
- Edição das fábulas por Francesco de Furia (1810)
- Leonhard von Spengel, Rhetores Graeci, vol.2 (1856), p.21f. Google Books aqui. — Os números das páginas deste são usados em textos posteriores de referência, de acordo com Kennedy p.95.
- Christoph Eberhard Finckh, Aphthonii et Nicolai Progymnasmata sophistarum progymnasmata (1865)
- Oskar Philipp Hoppichler, De Theone, Hermogene, Aphthonique Pro-gymnasmatum Scriptoribus (1884)
- Hugo Rabe, Leipzig: Teubner (1926) — edição crítica moderna
- Ray Nadeau, Speech Monographs 19 (1952), p. 264–85 - tradução para o inglês. Versão revisada em Readings from Classical Rhetoric, ed. Patricia P. Matsen &c, p. 266–288.
- George Alexander Kennedy, Progymnasmata: Greek textbooks of prose composition and rhetoric, pp.95f. — tradução para o inglês. Pré-visualização Google Books aqui.
- Malcolm Heath, Aphthonius Progymnasmata (1997). Tradução em inglês on-line, mas não inclui todo o material no final dado por Kennedy.