José Afonso Sancho

José Sancho
José Sancho
Senador pelo Ceará
Períodosetembro de 1986
a 1º de fevereiro de 1991
TitularVirgílio Távora
Dados pessoais
Nome completoJosé Afonso Sancho
Nascimento27 de abril de 1922
Massapê, CE
Morte7 de junho de 2005 (83 anos)
Fortaleza, CE
Nacionalidadebrasileiro
Prêmio(s)Ordem do Mérito Militar[1]
PartidoPDS (1982–1986)
PFL (1986–2005)
Profissãopolítico e empresário

José Afonso Sancho ComMM (Massapê, 27 de abril de 1922Fortaleza, 7 de junho de 2005) foi um político e empresário brasileiro filiado ao Partido da Frente Liberal (PFL). Pelo Ceará, foi senador.[2][3]

Biografia

Era filho de Francisco Rodrigues Sancho e Isabel Rodrigues Sancho. Começou a trabalhar aos oito anos, na fazenda do pai, em Massapê, onde nasceu. Mudou-se para Fortaleza sete anos para trabalhar em uma loja de louças de um tio. Em 1944, montou uma loja para vender couro curtido. Em 1946, inaugurou a Casa Sancho, de ferragens. Já era líder empresarial quando foi eleito presidente de uma cooperativa de capital, em 1950. Um ano depois, o capital da cooperativa superava o do Banco de Crédito Comercial, o maior do Ceará.

Insatisfeito com o espaço que os jornais do Estado davam aos empresários, fundou a Tribuna do Ceará, “o jornal das classes produtivas”. Em 1971, a experiência no setor financeiro rendeu-lhe o convite do arcebispo de Fortaleza, dom José Delgado, para salvar o Banco Popular, de propriedade daquela arquidiocese.[4] Em 1974, em sociedade com o empresário Edson Queiroz, sogro de Tasso Jereissati, comprou o banco. Queiroz vendeu sua parte, pois dizia-se sem vocação para banqueiro, sendo que voltariam a ser sócios quando Sancho lhe vendeu metade da Tribuna para comprar a primeira impressora offset do Estado. Queiroz desfez a sociedade em 1981, diante da insistência de Sancho em manter sob seu controle o conteúdo da Tribuna, e meses depois fundou o Diário do Nordeste, hoje o maior jornal cearense. Foram amigos até a morte de Queiroz, em 1982.

Sancho preservava tanto as amizades que se licenciou do Senado por quatro meses para que a segunda suplente do coronel Virgílio Távora, Alacoque Bezerra, assumisse o cargo. Deu prova de gratidão ao irmão de Alacoque, o ex-governador Adauto Bezerra, que o indicou para a suplência de Távora. “Fui criticado por essa atitude, mas pensei na biografia de Alacoque”, admite.

No exercício do mandato foi defensor dos interesses dos banqueiros - após assumir sua cadeira no Senado, deu entrevistas onde acusando a Constituinte de 1988 de "...estar sendo dominada pela esquerda".[5] Entre seus posicionamentos naquela casa legislativa, votou contra a limitação dos encargos da dívida externa, a criação de um fundo de apoio à reforma agrária e a desapropriação da propriedade produtiva. Também defendeu anistia aos micro e pequenos empresários e da legalização do jogo do bicho. Por não concordar com a presença do estado no mercado, voltou sua atenção especialmente para a estruturação do sistema financeiro nacional e para as propostas que visavam à fiscalização das instituições financeiras,

Em agosto de 1990, como senador, Sancho foi admitido pelo presidente Fernando Collor à Ordem do Mérito Militar no grau de Comendador especial.[1]

Foi casado com Elen Braga Sancho, com quem teve oito filhos.[5] Consta que nunca foi um homem festeiro e limitava-se às solenidades das associações classistas de que era membro - ainda assim, costumava deixar os salões antes de o jantar ser servido.

Referências

  1. a b Brasil, Decreto de 9 de agosto de 1990.
  2. «Morrem Afonso Sancho». Diário do Nordeste, Editora Verdes Mares. 8 de junho de 2005. Consultado em 11 de março de 2015 
  3. «José Afonso Sancho, Períodos Legislativos da Sexta República - 1987-1991». Senado Federal. Consultado em 11 de março de 2015. Arquivado do original em 2 de abril de 2015 
  4. VIANA, Carlos Negreiros. «Os bancos criados pela Ação Social Católica no Ceará: o Crédito Popular São José, o Banco do Cariri e o Banco Popular de Sobral» (PDF). Instituto Ceará. Consultado em 25 de julho de 2020 
  5. a b Brasil, CPDOC-Centro de Pesquisa e Documentação História Contemporânea do. «JOSE AFONSO SANCHO». CPDOC - Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil. Consultado em 25 de julho de 2020