Afonso Casasnovas

Afonso Casasnovas
Nascimento
Morte
17 de dezembro de 2009 (84 anos)
Ocupaçãomissionário salesiano

Afonso Casasnovas (11 de maio de 192517 de dezembro de 2009) foi um padre salesiano espanhol.[1]

Biografia

Afonso Casasnovas nasceu em 11 de maio de 1925.[2] Foi missionário na região do rio Negro,[3] no Brasil, onde viveu por 40 anos entre povos indígenas e caboclos.[1]

Vista aérea da comunidade de Assunção do Içana, no município de São Gabriel da Cachoeira, na região do Alto Rio Negro

Seu nome está associado ao movimento indígena. Na década de 1980, o projeto Calha Norte, conduzido pelo regime militar, começou a ser implantado na região do rio Içana, com o objetivo de introduzir empresas de mineração como a Paranapanema e a Goldamazon. Na época, Casasnovas, então pároco de Assunção do Içana, alertou os indígenas de que essas empresas e suas atividades poderiam resultar no "roubo e a tomada" de suas terras.[4] Ele denunciou a entrada ilegal das mineradoras, com o apoio dos militares, da Fundação Nacional dos Povos Indígenas em São Gabriel da Cachoeira e do governo do estado do Amazonas; posteriormente, a Goldamazon desistiu da mineração na região.[5] Em 1988, helicópteros do Exército Brasileiro pousaram no pátio da missão salesiana trazendo soldados fortemente armados. Além de destruírem as comunicações por rádio e queimarem toda a documentação que registrava a violência estatal, também detiveram Casasnovas por várias horas.[6]

Casasnovas escreveu uma gramática da língua nheengatu, usada em escolas de toda a região do rio Negro.[3][7][8] A obra Noções de língua geral ou Nheengatú foi publicada em 2000, com uma segunda edição lançada em 2006.[9][10] A primeira parte trata da gramática da língua, enquanto a segunda reúne lendas e histórias, incluindo traduções de dez narrativas tradicionais e mais duas apresentadas apenas em português – idioma em que possivelmente foram originalmente registradas.[10] Segundo Casasnovas, as lendas foram escolhidas porque "ainda estão vivas na memória do nosso povo", entre as muitas que já "foram escritas por diversos autores".[11] Em 2001, ele ministrou um curso de nheengatu na sede do Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações, em Manaus, no Amazonas.[1]

Morte

Afonso Casasnovas morreu em 17 de dezembro de 2009. Na semana de sua morte, foi levado ao hospital para exames de rotina; por volta do meio-dia do dia de sua morte, sofreu uma parada cardíaca e foi encaminhado à unidade de terapia intensiva, onde, mais tarde, teve novas paradas cardíacas e morreu por volta das 21h30.[12]

Referências

  1. a b c «Companhia de teatro resgata o nheengatu». Jornal do Commercio. 12 de março de 2001. Consultado em 17 de outubro de 2025 
  2. «Parabéns ao Pe. Afonso Casasnovas». Inspetoria Salesiana São Domingos Sávio. 12 de maio de 2006. Consultado em 16 de outubro de 2025. Cópia arquivada em 8 de agosto de 2025 
  3. a b Damian, Edson (17 de dezembro de 2009). «Nota de Solidariedade Bispo de São Gabriel da Cachoeira-AM». Inspetoria Salesiana São Domingos Sávio. Consultado em 16 de outubro de 2025. Cópia arquivada em 28 de junho de 2025 
  4. Luciano 2011, pp. 18–19.
  5. Casimiro 2022, p. 71.
  6. Luciano 2011, pp. 261–262.
  7. Lima 2018, p. 100.
  8. Lima 2018, p. 102.
  9. Barbosa 2019, p. 29.
  10. a b Barbosa 2019, p. 75.
  11. Barbosa 2019, p. 76.
  12. Lima, Francisco (16 de dezembro de 2009). «Falecimento do Pe. Afonso Casasnovas». Inspetoria Salesiana São Domingos Sávio. Consultado em 16 de outubro de 2025. Cópia arquivada em 28 de junho de 2025 

Bibliografia