Advertência de Miranda

A Advertência de Miranda (em inglês Miranda warning) ou Direitos de Miranda (Miranda rights) é uma advertência que deve se dar a um imputado que se encontra em custódia da polícia dos Estados Unidos, antes de que lhe façam perguntas relativas a comissão do ilícito. A polícia pode requerer informação biográfica como o nome, data de nascimento e o endereço do suspeito. A Quinta e Sexta Emendas da Constituição dos Estados Unidos garantem, respectivamente, ao cidadão detido pela Polícia o direito de permanecer em silêncio e de dispor de representação legal para defender-se.[1]

A Advertência de Miranda passou a ser praticada após o caso chamado de Miranda versus Arizona, em 1966, quando o júri foi obrigado a desconsiderar as declarações feitas pelo acusado antes de ser explicitamente advertido de seu direito de recusar-se a falar à polícia.[2] Ernesto Arturo Miranda foi condenado por estupro e sequestro em um tribunal de primeira instância, levando em conta apenas a confissão do acusado. Após a Suprema Corte julgar o caso Miranda contra Arizona, foi revogada a prisão, alegando que o acusado não conhecia os direitos e foi ordenada a Advertência de Miranda como meio de proteção para um imputado de evadir a auto incriminação, proibida pela Quinta Emenda (direito ao silêncio). Para ser aceita a autoincriminação, o acusado deve ser advertido sobre os direitos dele. Para renunciar esses direitos, o acusado deve fazer uma declaração de renúncia "consciente, inteligente e voluntária". Caso contrário, a autoincriminação não deve ser aceita no tribunal.[1]

Há variações da Advertência de Miranda, tanto no nível de instrução para entender a advertência, o tamanho, o número de palavras, dependendo do Estado onde é dado essa advertência. Em alguns casos, a advertência tem setecentas palavras. Em alguns casos, para menores de idade, a Advertência de Miranda é mais complexa devido ao fato que ela precisa ser voltada para o jovem, com mais explicações sobre seus direitos.[1]

Texto

Tem o direito de permanecer em silêncio e recusar-se a responder a perguntas.

Se abdicar do direito de permanecer em silêncio, tudo o que disser poderá e será utilizado contra si num tribunal.

Tem o direito de consultar um advogado antes de falar com a polícia e de ter um advogado presente durante o interrogatório, agora ou no futuro.

Se não puder pagar um advogado, ser-lhe-á nomeado um antes de qualquer interrogatório, se assim o desejar.

Se decidir responder às perguntas agora sem a presença de um advogado, terá ainda o direito de parar de responder a qualquer momento até falar com um advogado.

Conhecendo e compreendendo os seus direitos tal como os expliquei, está disposto a responder às minhas questões sem a presença de um advogado? [3][4][5]

Referências

  1. a b c «Direito de permanecer calado gera confusão nos EUA». Conjur. Consultado em 25 de julho de 2016 
  2. «O Direito ao silêncio nos EUA: análise dos precedentes Miranda vs Arizona e outros julgados da Suprema Corte americana». Jusbrasil. Consultado em 25 de julho de 2016 
  3. Leo, Richard (1996). «The Impact of Miranda Revisited». Northwestern University School of Law. Journal of Criminal Law & Criminology. 86 (3): 621–692. JSTOR 1143934. doi:10.2307/1143934. Cópia arquivada em 13 de Maio de 2023 
  4. «Miranda warning». Cornell Law School / Legal Information Institute (em inglês). Consultado em 6 de abril de 2025 
  5. Ruschmann, Paul (2007). Miranda Rights. [S.l.]: Chelsea House Publications. p. 11. ISBN 0-7910-9229-1