Adelino Nunes
| Adelino Nunes | |
|---|---|
| Nome completo | Adelino Alves Nunes |
| Nascimento | 14 de julho de 1903 |
| Morte | 7 de dezembro de 1948 (45 anos) Santa Isabel, Lisboa |
| Nacionalidade | portuguesa |
| Ocupação | Arquiteto |
Adelino Alves Nunes (Santo Estêvão, Lisboa, 14 de julho de 1903 – Santa Isabel, Lisboa, 7 de dezembro de 1948) foi um arquitecto português.
Datada das décadas de 1930 e 1940, a sua obra reflete a multiplicidade estilística da época, com momentos claramente modernistas a par de outros em que segue as normas da arquitetura oficial do Estado Novo.[1][2]
Biografia / Obra
Nasceu na freguesia de Santo Estêvão, em Lisboa. Era filho do lojista José Alves Nunes, natural da freguesia e concelho de Pampilhosa da Serra, e de Raquel da Conceição Nunes, doméstica, natural de Lisboa (freguesia de São Vicente de Fora).[3]
A 21 de dezembro de 1935, casou civilmente em Lisboa com Emília de Almeida Segurado (Lapa, Lisboa, c. 1906), doméstica, irmã do arquiteto Jorge Segurado, filha do engenheiro e funcionário público João Emílio dos Santos Segurado (autor de um conjunto de livros técnicos sobre construção), natural de Santarém (freguesia de Marvila), e de Georgina de Figueiredo de Almeida Segurado, natural de Lisboa (freguesia de Santa Catarina).[4]
Pertence à geração de Pardal Monteiro, Cassiano Branco e Cristino da Silva.
Trabalhou sobretudo para os CTT, onde era funcionário.
Participou no I Salão dos Independentes, SNBA, Lisboa, 1930[5]. Projetou alguns edifícios de cunho tipicamente modernista, como o da Emissora Nacional em Barcarena, dos Correios de Leiria, "dos Correios e da Central Telefónica do Estoril, com os seus notáveis corpos cilíndricos, fórmula a que era afeiçoado e que teve talvez a mais notável expressão em Setúbal (1941)"[6]. Noutros casos, sobretudo nas povoações menores, iria utilizar um tipo de idioma mais tradicionalista / regionalista que então dominava as encomendas oficiais (habitualmente denominado Português Suave), como em Alcobaça, Abrantes, Loulé, Fafe ou Santo Tirso[2], mas também na Central Telegráfica e Telefónica de Lisboa, projetada em 1942 e inaugurada em 1953 (provavelmente executada, contra sua vontade, a partir de um desenho irónico que então produziu) e que, "embora contrariado, Adelino Nunes assinou"[7].
Morreu a 7 de dezembro de 1948, aos 45 anos, em sua casa, na Rua Luís Derouet, n.º 16, R/C direito, freguesia de Santa Isabel, em Lisboa, vítima de obesidade e hipertensão. Foi sepultado no Cemitério dos Prazeres.[8]
O espólio bibliográfico do arquitecto Adelino Nunes encontra-se no Acervo Nacional da Biblioteca da Ordem dos Arquitectos[9]
Obras[10]
- 1930 – Liceu Júlio Henriques (atual Escola Secundária José Falcão), Coimbra; com Carlos Ramos e Jorge Segurado (construída em 1931-41).
- Edifício da Emissora Nacional em Barcarena (com Amílcar Pinto e Jorge Segurado) [11].
- 1935-38 – Estação de Correios de Alcobaça.
- 1937-40 – Estação de Correios de Estremoz.
- 1937-42 – Estação de Correios de Fafe; Estação de Correios de Santo Tirso.
- 1938-41 – Estação de Correios de Setúbal; Estação de Correios da Horta, Faial.
- 1938-46 – Estação de Correios de Leiria.
- 1939-42 – Estação de Correios do Estoril.
- 1939-43 – Estação de Correios de Abrantes.
- 1940 – Estação de Correios de Grândola.
- 1941 – Estação de Correios do Crato.
- 1942-50 – Estação de Correios do da Av. Gonçalves Zarco, Funchal.
- 1942-53 – Central Telegráfica e Telefónica de Lisboa (ou Palácio das Comunicações), Praça D. Luís, Lisboa.
- Realizou outros Projectos de arquitectura de edifícios dos CTT,[12], entre os quais a Central Telefónica do Estoril (1937) (atual "Espaço Memória dos Exílios") e a estação de correios de Santarém (com Amílcar Pinto) [11][7].
-
Edifício dos Correios de Leiria -
Edifício dos Correios de Leiria
-
Central Telefónica do Estoril -
Central Telefónica do Estoril
-
Correios do Estoril -
Correios do Estoril -
Correios do Estoril
-
Central Telegráfica e Telefónica de Lisboa -
Central Telegráfica e Telefónica de Lisboa
Ver também
Referências
- ↑ André Cruz. «O Estádio Nacional e os novos paradigmas do culto». Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias. Consultado em 14 de Novembro de 2011
- ↑ a b Fernandes, José Manuel – Português Suave: Arquiteturas do Estado Novo. Lisboa: IPPAR, Departamento de Estudos, 2003, p. 88. ISBN 972-8736-26-6
- ↑ «Livro de registo de batismos da paróquia de Santo Estêvão - Lisboa (1904)». digitarq.arquivos.pt. Arquivo Nacional da Torre do Tombo. p. 20, assento 11
- ↑ «Livro de registo de casamentos da 5.ª Conservatória do Registo Civil de Lisboa (1935-12-16 - 1935-12-31)». digitarq.arquivos.pt. Arquivo Nacional da Torre do Tombo. p. fls. 15 e 15v, assento 614
- ↑ França, José Augusto – História da Arte em Portugal: o modernismo. Lisboa: Presença, 2004, p. 60
- ↑ França, José Augusto – A arte em Portugal no século XX. Lisboa: Livraria Bertrand, 1991, p. 248
- ↑ a b FRANÇA, José Augusto – A arte em Portugal no século XX. Lisboa: Livraria Bertrand, 1991, p. 248
- ↑ «Livro de registo de óbitos da 5.ª Conservatória do Registo Civil de Lisboa (1948-09-28 - 1948-12-31)». digitarq.arquivos.pt. Arquivo Nacional da Torre do Tombo. p. fls. 92, assento 983
- ↑ «Bibliotecas e Acervo Nacional». Ordem dos Arquitectos. Consultado em 28 de novembro de 2011
- ↑ A.A.V.V. – Inquérito à Arquitetura do Século XX em Portugal. Lisboa: Ordem dos Arquitetos, 2006. ISBN 972-8897-14-6
- ↑ a b «Amílcar Pinto, um arquitecto na província» (pdf). Coimbra.academia.edu. 2009. Consultado em 28 de novembro de 2011
- ↑ «Arquitectos e Políticos. A arquitectura institucional em Portugal nos anos 30", / As Comunicações Postais, Telefónicas e Telegráficas» (PDF). Universidade de Coimbra. 2005. Consultado em 28 de Novembro de 2011. Arquivado do original (PDF) em 7 de junho de 2007