Adelhida Talbot, Duquesa de Shrewsbury
| Adelhida | |
|---|---|
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| Duquesa de Shrewsbury | |
| Reinado | 20 de agosto ou 20 de setembro de 1705 – 1 de fevereiro de 1718 |
| Antecessor(a) | Novo título |
| Sucessor(a) | Título extinto |
| Dados pessoais | |
| Nascimento | 1660 ou 1680 |
| Morte | 29 de julho de 1726 Shropshire, Inglaterra |
| Cônjuge | Charles Talbot, 1.° Duque de Shrewsbury |
| Casa | Paleotti Talbot (por casamento) |
| Pai | Andrea Paleotti |
| Mãe | Maria Cristina Dudley |
| Religião | Igreja da Inglaterra Igreja Católica (anteriormente) |
Adelhida Talbot, também chamada de Adelaide[2] (nascida Paleotti; 1660 ou 1680 – Shropshire, 29 de junho de 1726)[3] foi uma nobre e cortesã italiana naturalizada britânica. Ela foi duquesa de Shrewsbury como esposa de Charles Talbot, 1.° Duque de Shrewsbury. Foi dama de companhia da futura rainha Carolina de Brandemburgo-Ansbach, de 1714 a 1726.
Família
Adelhida era filha de Andrea Paleotti, Marquês de Paleotti, de Bolonha,[4]e de sua esposa, Maria Cristina Dudley.
A sua mãe era filha de Carlo Dudley, que era filho do explorador Robert Dudley e de sua amante, Douglas Sheffield. Adelhida, portanto, descendia de Roberto Dudley, 1.º Conde de Leicester, o favorito da rainha Isabel I de Inglaterra.
Biografia
O seu primeiro casamento (ou talvez apenas caso amoroso) foi com um nobre italiano, o conde Roffeni, que estava a serviço da rainha Cristina da Suécia.[5]
Quando, na Itália, ela conheceu o duque de Shrewsbury, que também era conde de Waterford no Pariato da Irlanda, ela já estava, aparentemente, viúva. Segundo ele, ele a converteu ao Protestantismo ao emprestar-lhe uma Bíblia. Ela teria se convertido antes do casamento.[4] O duque era filho de Francis Talbot, 11. Conde de Shrewsbury e de sua segunda esposa, Anna Maria Brudenell.
Ela se casou com o duque no dia 20 de agosto ou setembro de 1705, na cidade alemã de Augsburgo.[6] Ele contou sobre o casamento apenas aos amigos mais próximos, dizendo que ele sabia que a circunstância de que a esposa era "estrangeira e sem fortuna" provocaria críticas.[5] Em uma carta que Charles escreveu para Robert Harley, 1.° Conde de Oxford e Mortimer, ele diz estar convencido de que Adelhida será "não apenas uma boa esposa, mas também uma boa protestante".[7] Em 23 de janeiro de 1706, foi promulgado um Ato pelo Parlamento que permitiu que a duquesa se naturalizasse.
Após o casal retornar à Grã-Bretanha, a duquesa de Shrewsbury se tornou bem conhecida nos círculos sociais londrinos, e foi favorecida pela rainha Ana, de quem Adelhida se compadeceu após a morte do príncipe Jorge da Dinamarca, consorte da monarca, dizendo: "Oh, minha pobre Rainha, eu posso ver o quanto você sente falta de seu querido marido."
Ela sempre foi vista com ignorância pelos nobres, devido a sua antiga religião e por ser estrangeira, tendo sido chamada de "ignorante", "volúvel" e "grosseira", e foi, até mesmo, descrita como a "praga constante" na vida do marido, por Dartmouth, além do "motivo real de sua morte".[4]
A extravagante duquesa[8] também fez muito sucesso com o sucessor de Ana, o rei Jorge I, o que levou as pessoas a dizerem que ela "rivalizava a Madame Killmansack".[4] O rei nomeou-a Senhora da Câmara de Carolina de Ansbach, a então princesa de Gales.[5][9] A situação causou ciúmes em outras damas da corte, inclusive na escritora Mary Wortley Montagu, que satirizou a duquesa em "Roxana", um de seus "Éclogas da Cidade" (Town Eclogues). Já Sarah Churchill, Duquesa de Marlborough, que havia sido favorita da rainha Ana no passado, e que pertencia a um partido político diferente do de Adelhida, fez comentários sobre o comportamento 'lascivo" da duquesa.[10] Também foi sugerido que ela teve um caso Charles Mohun, 4.° Barão Mohun de Okehampton, um mulherengo conhecido.
A duquesa de Shrewsbury encantou os franceses durante um visita oficial em Paris, feita pelo marido, no ínicio do ano de 1713. Louis de Rouvroy, duque de Saint-Simon, achava que a sua excentricidade beirava à loucura, entretanto, ele concordou com as críticas dela em relação ao extremo das modas das moças francesas, e elogiou o penteado de cabelo simples e prático que ela transformou em moda.[11]
De 1723 a 1726, Adelhida foi a benfeitora de seu compatriota, o médico Antonio Cocchi, de Florença.[8]
O casal não teve filhos. Portanto, quando o duque de Shrewsbury morreu em 1718, o título foi extinto. Já o condado de Shrewsbury passou para um primo, Gilbert Talbot. A duquesa viúva faleceu oito anos mais tarde, em 29 de junho de 1726.
Legado
Adelhida é tema de um poema intitulado The Ambassadress's Speech: The Br[iti]sh Embassadress's Speech to the French King, de 1713. Nele, a embaixatriz é a duquesa que avisa o rei Luís XIV de França que a rainha Ana está estabelecendo as bases para a restauração de Jaime Francisco Eduardo Stuart, ao assegurar uma paz ruinosa e selecionar ministros traidores, particularmente Oxford. O poema foi muito disseminado nas formas de manuscrito e impressão. No dia 23 de março de 1713, Jonathan Swift escreveu:[12]
- "Aqui está a calúnia em verso mais maldita que já foi publicada, que jamais foi vista, chamada The Ambassadress; é muito tedioso também. Foi impresso de 3 ou 4 formas diferentes, & é entregue por aí, mas não vendido; abusa a rainha - horrivelmente".
Referências
- ↑ «18th Century Portrait Of Duchess Of Shrewsbury». Antique Atlas. Consultado em 21 de Outubro de 2024
- ↑ «Printed Exchequer receipt for annuities, with manuscript insertions, signed by the Duchess and a witness.». Richard Ford Books, Printed Ephemera and Manuscripts. Consultado em 21 de Outubro de 2024
- ↑ «Adelhida Palliotti». The Peerage. Consultado em 21 de Outubro de 2024
- ↑ a b c d Leslie Stephen, Sir Sidney Lee, ed. (1898). «TALBOT». Dictionary of National Biography. [S.l.]: Smith, Elder, & Company. p. 305
- ↑ a b c Nicholson; Turberville, T.C.; A.S. (2015). Charles Talbot, Duke of Shrewsbury. [S.l.]: Cambridge University Press. 262 páginas
- ↑ Sessional Papers, Volume 42. [S.l.]: H.M. Stationery Office. 1904
- ↑ «Letters addressed to Robert Harley, Earl of Oxford, by Charles Talbot, Duke of...». The National Archives. Consultado em 21 de Outubro de 2024
- ↑ a b Claire Dubois, Vanessa Alayrac-Fielding, ed. (2015). «Chapter Two». The Foreignness of Foreigners Cultural Representations of the Other in the British Isles (17th-20th Centuries). [S.l.: s.n.] p. 24. 245 páginas. Consultado em 21 de Outubro de 2024
- ↑ «Household of Princess Caroline 1714-27». Institute of Historical Research (via Web Archive). Consultado em 21 de Outubro de 2024
- ↑ Greig, Hannah (2013). «Politics and Fashionable Life». The Beau Monde: Fashionable Society in Georgian London. [S.l.]: OUP Oxford. p. 134. 346 páginas. Consultado em 21 de Outubro de 2024
- ↑ Rouvroy, Louis de (1857). «The Duchess of Shrewsbury». The memoirs of the duke of Saint Simon, abridged from the Fr. by B. St. John, Volume 3. [S.l.: s.n.] p. 70. Consultado em 21 de Outubro de 2024
- ↑ Defoe, Daniel (2022). «Defoe to [Earl of Oxford], 12 April 1713». The Cambridge Edition of the Correspondence of Daniel Defoe. [S.l.]: Cambridge University Press. p. 743. Consultado em 21 de Outubro de 2024
