Adelbert Ames, Jr.

Adelbert Ames, Jr.
Nascimento19 de agosto de 1880
Lowell
Morte3 de julho de 1955 (74 anos)
SepultamentoDartmouth College Cemetery
CidadaniaEstados Unidos
Progenitores
  • Adelbert Ames
  • Blanche Butler Ames
Alma mater
Ocupaçãooftalmologista, psicólogo, fisiólogo, advogado, pintor, físico, filósofo
Distinções
  • Edgar D. Tillyer Award (Charles Sheard, 2, Edgar Tillyer, 1955)
  • Doctor of Law (honorary) (1954, Faculdade de Dartmouth)
  • Membro da Academia Americana de Artes e Ciências
Empregador(a)Faculdade de Dartmouth, Exército dos Estados Unidos

Adelbert Ames Jr. (19 de agosto de 1880 – 3 de julho de 1955) foi um cientista norte-americano que contribuiu para as áreas da física, fisiologia, oftalmologia, psicologia e filosofia. Ames foi pioneiro no estudo da óptica fisiológica no Dartmouth College, onde foi professor investigador e, posteriormente, diretor de pesquisa do Dartmouth Eye Institute.[1]

Ames é muito conhecido pelas ilusões de ótica que inventou (ou construiu), incluindo a sala de Ames, a janela de Ames e a cadeira de Ames.

Biografia

Adalbert Ames Jr. era filho de Adelbert Ames, militar, empresário e político norte-americano, e neto de Benjamin Butler.

Ames frequentou a Philips Academy, em Andover (Massachusetts), e depois foi para a Harvard College, onde se formou em Direito, e onde seus professores mais influentes foram George Santayana e William James (de cuja filha também ficou noivo, mas não se casou). Após exercer a advocacia por alguns anos, Ames abandonou a profissão para se tornar pintor. Durante vários anos, enquanto colaborava com sua irmã, Blanche Ames (que também era pintora), as duas tentaram determinar se a qualidade da arte visual poderia ser aprimorada pelo estudo científico da visão. Ames dedicou-se a aprimorar seus conhecimentos sobre os componentes ópticos do olho, presumindo que, uma vez dominados, retornaria à pintura. No entanto, seus estudos o dominaram e Ames fez da visão o trabalho de sua vida.

Ames ingressou na Universidade Clark em 1914 para estudar óptica fisiológica, causando-lhe grande impacto a ponto de ser um dos dezoito membros fundadores da Sociedade Óptica da América em 1916. Quando os EUA entraram na Primeira Guerra Mundial, em 1917, serviu brevemente como capitão no serviço de aviação e, em seguida, como supervisor de uma oficina mecânica onde eram desenvolvidos protótipos de instrumentos. Enquanto estava no exército, continuou seus estudos de óptica, em parte porque um dos soldados daquela oficina (de quem se tornou amigo e colaborador) era Charles Proctor, professor de física no Dartmouth College.

Após a guerra, Ames foi para o Dartmouth College em 1919 para trabalhar com Proctor. Eles decidiram construir um modelo em grande escala do olho humano usando vidro para suas várias camadas, humores e lentes. Em 1921, esse trabalho levou à publicação do primeiro artigo científico de Ames, à obtenção do título honorário de Mestre em Artes e à sua eleição como professor e investigador num novo departamento de Óptica Fisiológica.

Em 1923, Ames começou a recrutar funcionários para o que viria a ser o Dartmouth Eye Institute. Da Eastman Kodak Company, ele recrutou o designer de lentes Gordon H. Gliddon. Mais funcionários se juntaram ao departamento ao longo dos anos, incluindo Kenneth N. Ogle, com quem Ames trabalhou em estereopsia e visão binocular. Ames foi eleito membro da Academia Americana de Artes e Ciências em 1928.[2]

Em 1935, o Departamento de Óptica Fisiológica tornou-se o Instituto Oftalmológico de Dartmouth, sob a direção geral de Alfred Bielschowsky, com Ames atuando como diretor de pesquisa. Ames obteve apoio de várias fontes, incluindo John D. Rockefeller Jr., a Fundação Rockefeller e a American Optical Company. O instituto, em diferentes períodos, empregou entre trinta e quarenta funcionários, incluindo pesquisadores e clínicos que examinavam os olhos dos pacientes e fabricavam óculos.

As pesquisas no instituto concentravam-se na visão binocular, incluindo cicloforia (a tendência dos olhos girarem em direções opostas nas órbitas) e aniseiconia (na qual cada olho tem uma imagem retiniana de tamanho diferente do mesmo objeto). Este último defeito podia ser corrigido por lentes que restauravam a igualdade usual de tamanhos de imagem.

Em 1940, Bielschowsky faleceu inesperadamente. Hermann Burian, um oftalmologista, trabalhou brevemente como diretor interino e, em seguida, foi substituído por Walter Lancaster. Ele não foi capaz de exercer a influência que desejava, renunciando em 1942. De acordo com Herman M. Burian, oftalmologista-chefe interino, Ames "havia realmente perdido seu interesse no trabalho ativo do Instituto, especialmente em sua divisão clínica" e "se voltou cada vez mais para as implicações filosóficas e sociais do trabalho".[3] Devido a conflitos, renúncia de funcionários e após várias tentativas mal sucedidas de reorganização, em 10 de maio de 1947 o instituto foi fechado.[4]

Em 1954, Ames recebeu o título de Doutor em Direito por Dartmouth. Em 1955, recebeu a Medalha Tillyer da Sociedade Óptica da América.

Ames faleceu em 3 de julho de 1955 e foi sepultado no Cemitério de Dartmouth. O seu nome e o de seus irmãos estão gravados na lápide de seus pais no Cemitério de Hildreth, em Lowell.

De acordo com o presidente da Sociedade da Medalha Tillyer, Ames escreveu 38 artigos e notas científicas, além de possuir 21 patentes.

Bibliografia

  • Behrens, R. R. (1987). The Life and Unusual Ideas of Adelbert Ames Jr. "Leonardo: Journal of the International Society of Arts, Sciences and Technology, 20," 273–279.
  • Behrens, R. R. (1994). Adelbert Ames and the Cockeyed Room. "Print magazine, 48:2," 92–97.
  • Behrens, R. R. (1997). Eyed Awry: The Ingenuity of Del Ames. "North American Review, 282:2," 26–33.
  • Behrens, R. R. (1998). The Artistic and Scientific Collaboration of Blanche Ames Ames and Adelbert Ames II. "Leonardo, 31," 47–54.
  • Behrens, Roy R. (1999). «Adelbert Ames, Fritz Heider, and the Chair Demonstration» (PDF). Gestalt Theory. 21 (3): 184–190 
  • Behrens, R. R. (2009a). "Adelbert Ames II" entry in Camoupedia: A Compendium of Research on Art, Architecture and Camouflage. Dysart IA: Bobolink Books, pp. 25–26. ISBN 0-9713244-6-8.
  • Behrens, R. R. (2009b). "Ames Demonstrations in Perception" in E. Bruce Goldstein, ed., Encyclopedia of Perception. Sage Publications, pp. 41–44. ISBN 978-1-4129-4081-8.
  • Bisno, D. C. (1994). "Eyes in the Storm: President Hopkin's Dilemma: The Dartmouth Eye Institute." Norwich, VT: Norwich Press Books.
  • Digital Library at Dartmouth. (ND). Blanche B. Marshall Mclane Bruner papers in the Dartmouth College Library. Hanover NH: Dartmouth College. Retrieved May 20, 2005, from https://web.archive.org/web/20050402231154/http://diglib.dartmouth.edu/library/ead/html/ms768.html
  • Digital Library at Dartmouth. (ND). Guide to the Records of the Dartmouth Eye Institute 1917–1952[1930–1945] in the Dartmouth College Library. Hanover NH: Dartmouth College. Retrieved May 20, 2005, from https://web.archive.org/web/20050402230617/http://diglib.dartmouth.edu/library/ead/html/da35.html
  • Gliddon, G. H. (1955). Necrology: Adelbert Ames Jr. Journal of the Optical Society of America, 45, 1003.
  • Gregory, R. L. (1987). Analogue transactions with Adelbert Ames. Perception, 16, 277–282.
  • Wade, N. J., & Hughes, P. (1999). Fooling the eyes: Trompe l'oeil and reverse perspective. Perception, 28, 1115–1119.
  • Wade, N. J., Ono, H., & Lillakas, L. (2001). Leonardo da Vinci's struggles with representations of reality. Leonardo, 34, 231–235.

Referências

  1. Arthur S. Koykka (1986). Project remember: a national index of gravesites of notable Americans. [S.l.]: Reference Publications. p. 382. ISBN 978-0-917256-22-6 
  2. «Book of Members, 1780–2010: Chapter A» (PDF). American Academy of Arts and Sciences. Consultado em 7 de abril de 2011. Cópia arquivada (PDF) em 10 de maio de 2011 
  3. Burian, Herman M. (1948). «The History of the Dartmouth Eye Institute». Archives of Ophthalmology. 40 (2): 163–175. doi:10.1001/archopht.1948.00900030168008 
  4. Burian (1948).