Adalberto da Prússia (1811–1873)

 Nota: Não confundir com Adalberto da Prússia (1884–1948) (o terceiro filho do imperador Guilherme II da Alemanha).
Adalberto
Príncipe da Prússia
Dados pessoais
Nascimento29 de outubro de 1811
Berlim, Reino da Prússia
Morte6 de junho de 1873 (61 anos)
Karlsbad, Grão-Ducado de Baden, Império Alemão
Sepultado emCatedral de Berlim, Berlim, Alemanha
Nome completo
nome pessoal em alemão: Heinrich Wilhelm Adalbert
EsposaTherese Elssler (morganática)
Descendência
Adalbert, Freiherr von Barnim
CasaHohenzollern
PaiGuilherme da Prússia
MãeMaria Ana de Hesse-Homburgo
ReligiãoLuteranismo
Carreira militar
País Reino da Prússia
Império Alemão
Serviço/ramo Exército Prussiano
Marinha Real da Prússia
Marinha Imperial Alemã
PatenteAlmirante
Comando(s)Comandante em Chefe
Conflitos/guerrasGuerra dos Ducados do Elba
Guerra Franco-Prussiana

Henrique Guilherme Adalberto da Prússia (Berlim, 29 de outubro de 1811Karlsbad, 6 de junho de 1873) foi um teórico naval, almirante e príncipe alemão. Foi fundamental durante as Revoluções de 1848 na fundação da primeira frota alemã unificada, a Reichsflotte. Durante a década de 1850, ajudou a estabelecer a Marinha Prussiana.

Início de vida

Filho da princesa Maria Ana de Hesse-Homburgo e do príncipe Guilherme da Prússia, era neto paterno do rei Frederico Guilherme II da Prússia e, portanto, príncipe do Reino da Prússia.[1]

Quando jovem, Adalberto entrou para o exército prussiano e em 1839, tornou-se comandante da brigada de artilharia da Guarda, posição que ocupou até 1842. Várias viagens o levaram entre 1826 e 1842 para os Países Baixos, Grã-Bretanha, Rússia, Império Otomano, Reino da Grécia e Brasil. Ele reconheceu durante suas muitas viagens marítimas a importância que o domínio do mar tinha para uma nação comercial e industrial moderna. Ele estudou cuidadosamente a teoria da guerra naval e em 1836 escreveu um plano para a construção de uma frota prussiana, que seria centrada em três vapores de rodas de 1.000 toneladas (980 toneladas longas; 1.100 toneladas curtas). No entanto, o alto custo dos navios significava que não havia chance do plano ser levado adiante.[2]

Viagem ao Brasil

Depois de viajar com o pai e o irmão pela Europa, conhecendo a Inglaterra, a Rússia, a Grécia, a Turquia e a Itália, o príncipe Adalberto vem para o Brasil em 1842, aos 31 anos, a bordo da fragata São Miguel, cedida a ele pelo rei da Sardenha. Chegou ao Rio de Janeiro em 5 de setembro de 1842 trazendo cartas de seu pai, o príncipe Guilherme, que o ajudam a ser recebido pela corte brasileira. Visitou o imperador D. Pedro II, então com 17 anos, e conheceu a colônia alemã de Nova Friburgo. Permaneceu nos arredores do Rio de Janeiro por cerca de dois meses e decidiu seguir para a Amazônia, atrás de áreas pouco visitadas por seus antecessores. O cruzador inglês Growler o levou por mar até Belém, no Pará, de onde seguiu em uma pequena embarcação a remo, subindo o rio Amazonas até Sousel no Xingu.[3]

Amazonas. Gurupa den 25" Dec. 1842 / Ilha Tarazeda den 30" Nov. 1842 / Villarinho den 30" Nov. 1842 / Ilha do Chapeo virado den 30" Nov. 1842

Dia a dia, o príncipe descreve as paisagens que vê enquanto navega, como as da gravura acima. "Perto da Ilha Tarazeda fica a aldeia de Carrezedo, na margem direita do rio, que continua mais ou menos com a mesma largura de dois quilômetros, mas não a pudemos distinguir. Não muito tempo depois, cerca de 8 horas da manhã, passamos velejando por Vilarinho; duas casas sob uma grande árvore com duas ilhas defronte assinalavam o lugar. Depois passamos pela Ilha do Chapéu Virado, um grupo de árvores quase asfixiado pelas lianas, isolado no meio do rio e cercado de Caladium arborecens de altos troncos e grandes folhas".[3]

No dia 30 de novembro, o Brasileiro, como foi nomeado o igaraté (embarcação) que levava o príncipe e seus companheiros de viagem, alcançou o rio Xingu. "Já por muito tempo antes o Xingu se tinha anunciado pela sua clara água verde cor de garrafa a que pouco a pouco a turva amarelada do Amazonas tinha tido de ceder o lugar. Uma meia hora depois, ancorávamos em Porto de Moz", escreveu.[3]

Chegando a Sousel, também no Pará, o príncipe procurou o vigário local que lhe fora recomendado em Belém para ajudá-lo a encontrar as tribos indígenas da região. O padre Torquato Antônio de Sousa passou a ditar o percurso da viagem e a acompanhá-los. "Resolveu-se então, por proposta do padre Torquato, subir o Xingu e o Tucuruí no igaraté até a Boca da Estrada e seguir daí a pé pela vereda para o Anauraí, para o que se calculava ser necessário quatro dias. Em Porto Grande embarcaríamos em canoas descendo o Anauraí e subindo o Xingu até a última maloca dos jurunas", escreveu em seu diário.[3]

O príncipe percorreu a região do Xingu em canoas e teve contato com alguns indígenas jurunas. Ao todo, sua estadia na Amazônia durou cerca de seis semanas. Voltou para Belém a bordo do Brasileiro e lá embarcou novamente no Growler para a Bahia e de lá, na mesma fragata que o trouxe ao Brasil, a São Miguel, voltou para a Europa.[3]

Carreira naval

Adalberto da Prússia em 1870

Em 1843, ao retornar do cruzeiro ao Brasil, Adalberto foi nomeado Inspetor-Geral de Artilharia. Ele recrutou o então Major Albrecht von Stosch como seu ajudante em 1847; Stosch se tornaria o primeiro chefe do Almirantado Imperial Alemão em 1871.[2]

Durante as Revoluções de 1848, e contemporaneamente durante a Primeira Guerra do Eslésvico contra a Dinamarca, o Parlamento de Frankfurt embarcou em um projeto para estabelecer uma frota alemã unificada para combater o bloqueio dinamarquês dos estados do norte da Alemanha. A assembleia nomeou o príncipe Adalberto para liderar a Technische-Marine-Commission (Comissão Técnica Naval), juntamente com Karl Rudolf Brommy, Jan Schröder, entre outros; ele também foi encarregado da própria iniciativa da Prússia de construir uma frota.[4]

Durante a Segunda Guerra do Eslésvico de 1864 (também conhecida como a "Guerra Dano-Prussiana"), ele comandou a Marinha Prussiana, embora o comando operacional de sua unidade principal, o Esquadrão Báltico, tenha caído para Eduard von Jachmann.[5] Ele passou um tempo a bordo do aviso SMS Grille e, em 14 de abril, conduziu uma varredura na Baía da Pomerânia que resultou em um encontro com o navio dinamarquês da linha Skjold e a fragata a vapor Sjælland. Grille abriu fogo a longa distância, levando a uma batalha indecisa de duas horas e meia na qual Grille facilmente ultrapassou os navios dinamarqueses mais poderosos e escapou de volta para Świnoujście.[6]

Família

Adalberto foi casado morganaticamente com a dançarina Therese Elssler, Frau von Barnim; seu único filho, Adalbert, Freiherr von Barnim (nascido em 22 de abril de 1841), morreu em julho de 1860 durante uma expedição no Nilo.[7]

Morte

Alberto morreu em 6 de junho de 1873, aos 61 anos, sendo sepultado na Catedral de Berlim.[8]

Honras

O SMS Prinz Adalbert (1901) foi nomeado em homenagem a Alberto

Adalberto recebeu as seguintes ordens e condecorações:[9]

Referências

  1. Handbuch über den Königlich Preußischen Hof und Staat (em alemão). Berlim: [s.n.] 1824. p. 21 
  2. a b Sondhaus, p. 14.
  3. a b c d e Equipe Brasiliana Iconográfica. «A aventura do príncipe da Prússia pela Amazônia». Brasiliana Iconográfica. www.brasilianaiconografica.art.br. Consultado em 19 de maio de 2025 
  4. Sondhaus, pp. 19–21.
  5. Sondhaus, pp. 75–76.
  6. Embree, p. 279.
  7. Robert Hartmann; Adalbert Freiherr von Barnim (Post mortem) (1863). Reise des Freiherrn Adalbert von Barnim durch Nord-Ost-Afrika in den Jahren 1859 und 1860 (em alemão). [S.l.]: Reimer. p. 487 
  8. Túmulo de Adalberto da Prússia na Catedral de Berlim. Consultado em 19 de maio de 2025.
  9. Handbuch, p. 7.
  10. Stillfried, p. 18.
  11. Lehmann, p. 461.
  12. a b Staat Hannover, pp. 37, 74.
  13. a b Baden, pp. 32, 44.
  14. Tarlier, p. 52.
  15. Bayern, p. 9.
  16. Hessen, p. 8.
  17. Oldenburg, p. 28.
  18. Württemberg, p. 31.

Bibliografia

  • Embree, Michael (2007). Helion & Co, ed. Bismarck's First War: The Campaign of Schleswig and Jutland 1864. Solihull: [s.n.] ISBN 978-1-906033-03-3 
  • Sondhaus, Lawrence (1997). Preparing for Weltpolitik: German Sea Power Before the Tirpitz Era. Annapolis: Naval Institute Press. ISBN 978-1-55750-745-7