Acordo de Cooperação Naval Brasil-Namíbia

Navios de patrulha namibiano (em primeiro plano, o Brendan Simbwaye, de construção brasileira) e brasileiro (Araguari, ao fundo)

O Acordo de Cooperação Naval Brasil-Namíbia, assinado em 4 de março de 1994, estabeleceu o apoio da Marinha do Brasil à criação, organização e desenvolvimento da Marinha da Namíbia.[1] Á época, a Namíbia era país recém-independente e precisava organizar suas forças armadas praticamente do zero.[2] Em busca de diversificar seus parceiros internacionais, o governo namibiano considerou outros países como os Estados Unidos e a Noruega até selecionar o Brasil, que foi um dos apoiadores da sua independência. Por sua vez, o governo brasileiro tinha interesse em dar uma missão de baixo custo aos seus militares, numa época de corte de gastos, e de conseguir apoio nas suas iniciativas de delimitação da plataforma continental.[3] O Brasil já tinha expertise acumulada no levantamento de dados geológicos do leito marítimo, e a Namíbia pretendia fazer o mesmo no seu lado do Oceano Atlântico.[4] Vínculos militares brasileiros com a África datam dos anos 1970 e abrem oportunidades de exportação de meios navais e contenção da influência de outros países.[5]

Nos primeiros anos, a assistência militar foi componente central nas relações entre Brasil e Namíbia; segundo o então embaixador brasileiro em Windhoek, a Embaixada via-se como administradora e auxiliadora do acordo naval.[3] A Missão Naval Brasileira na Namíbia (MNBN) foi instalada em 1994, enquanto militares namibianos seguiam a centros de instrução no Brasil. Os custos deste treinamento no Brasil passaram a ser cobertos pelo governo namibiano em 2001, mesmo ano em que a Empresa Gerencial de Projetos Navais (Emgepron) acertou o contrato para o levantamento da plataforma continental namibiana. A corveta Purus foi doada em 2003, e um navio de patrulha da classe Grajaú e dois da classe Marlim em 2009.[6] A parceria foi estendida em 2005 à capacitação de fuzileiros navais namibianos no Brasil, seguida pela instalação de um Grupo de Apoio Técnico de Fuzileiros Navais em território namibiano em 2009.[2]

Referências

  1. Araújo, Fernando (6 de setembro de 2024). «Namíbia celebra 30 anos do Acordo de Cooperação Naval com o Brasil». Agência Marinha de Notícias. Consultado em 1 de janeiro de 2026 
  2. a b Quero, Caio (16 de maio de 2013). «Fuzileiros brasileiros exportam organização e até expertise musical para Namíbia». BBC News Brasil. Consultado em 1 de janeiro de 2026 
  3. a b Seabra, Pedro (2016). «Defence cooperation between Brazil and Namibia: enduring ties across the South Atlantic». South African Journal of International Affairs. 23 (1). doi:10.1080/10220461.2016.1152910 . p. 1, 6-8.
  4. Ventura, Victor Alencar Mayer Feitosa (2020). Environmental Jurisdiction in the Law of the Sea: the Brazilian Blue Amazon. [S.l.]: Springer. ISBN 978-3-030-50543-1 . p. 275.
  5. Abdenur, Adriana Erthal; Souza Neto, Danilo Marcondes de (2014). «O Brasil e a cooperação em defesa: a construção de uma identidade regional no Atlântico Sul». Revista Brasileira de Política Internacional. 57 (1). doi:10.1590/0034-7329201400101 . p. 12-13.
  6. Rizzi, Kamilla Raquel; Cossul, Naiane Inez; Bueno, Patrick (2023). «Brazil's military-technical cooperation with Namibia: aspects of a strategic partnership». Brazilian Journal of African Studies. 8 (15) . p. 155-157.