Acidente aéreo da Embassy Hill
![]() Um Piper PA-23 similar ao avião acidentado | |
| Sumário | |
|---|---|
| Data | 29 de novembro de 1975 (50 anos) |
| Causa | Não determinada (possível erro do piloto) |
| Local | Arkley, Reino Unido |
| Coordenadas | 51°39″N 0°14″E |
| Origem | Aeroporto de Le Castellet Var, França |
| Destino | Aeródromo de Elstree Elstree, Reino Unido |
| Passageiros | 5 |
| Tripulantes | 1 |
| Mortos | 6 |
| Sobreviventes | 0 |
| Aeronave | |
| Modelo | Piper PA-23-250D Aztec |
| Operador | Grand Prix (Bahamas) Ltd |
| Prefixo | Não registrado (identificado como N6645Y) |
É conhecido como acidente aéreo da Embassy Hill ou acidente aéreo de Graham Hill ao acidente fatal sofrido pelo ex-campeão de Fórmula 1 e proprietário da equipe, Graham Hill, quando o Piper PA-23-250D Aztec que pilotava se espatifou. O acidente ocorreu em 29 de novembro de 1975 em um campo de golfe perto de Arkley (Hertfordshire), no Reino Unido, enquanto aproximava do aeródromo de Elstree. Os outros 5 passageiros a bordo, também integrantes da Embassy Hill, também morreram[1].
A equipe voltava de uma viagem ao sul da França para testar o novo Hill GH2, um mês após o final da temporada 1975 de Fórmula 1.[2] O acidente ocorreu na noite, com condições de nevoeiro na região. Um inquérito sobre o acidente não foi conclusivo, mas um erro do piloto foi considerada a explicação mais provável.
Aeronave
O avião do acidente foi um Piper PA-23-250D Aztec, construído em 1968, e registrado N6645Y. Foi vendido pela Melridge Aviation em abril de 1972 à Grand Prix (Bahamas) Ltd e foi solicitada a exclusão do avião do registro da Administração Federal de Aviação (FAA). Na verdade, isto não foi feito até agosto de 1974.
O avião foi legalmente apátrida desde abril de 1972, ainda que seu antigo registro N6645Y continuou sendo mostrado. A aeronave estava operando sem um certificado de aeronavegabilidade, já que a posse havia deixado de ser efetiva quando a aeronave foi retirada do registro da FAA. No momento do acidente, o avião havia voado 1131 horas[3].
Antecedentes
Em 28 de novembro, o dia anterior ao acidente, Graham Hill havia levado seu Aztec ao aeroporto de Le Castellet, ao lado do circuito de Paul Ricard, no sul da França. Se encontravam a bordo outros cinco membros da equipe Embassy Hill: o piloto Tony Brise, o gerente da equipe Ray Brimble, os mecânicos Terry Richards e Tony Alcock, e o engenheiro Andrew Smallman.
O grupo estava em Paul Ricard para testar o novo monoposto Hill GH2 da equipe, que seria usado na temporada de 1976[4][5]. Tinham previsto voltar no dia 30 de novembro, mas o teste foi reduzido. O fotógrafo Anthony Armstrong-Jones (futuro conde de Snowdon) havia considerado voar com o grupo, mas desistiu porque considerou que havia tirado fotografias suficientes[6].
Acidente
Às 15:30 UTC do dia 29 de novembro, o grupo partiu de Le Castellet e voou ao aeroporto de Marseille-Provence. Hill visitou a sala de informação e obteve informes meteorológicos para a região de Londres. Foi criado um IFR para um voo no aeródromo de Elstree, com alternativa ao aeroporto de Luton.
O Piper Aztec decolou de Marselha às 17:47. Se estabeleceu contato com o Centro de Controle de Tráfego Aéreo de Londres às 20:45 e obteve-se um informe meteorológico para Elstree, com uma visibilidade de 2000 metros e uma base de nuvens de 300 pés sobre o nível do solo. Às 21:19, a aeronave passou à London Heathrow Approach, e foi informado a Hill que a visibilidade em Elstree era de 1000 metros. Às 21:21, após descer a 4.000 pés (1.200 metros), passando ao sul do VOR de Lamborne, Hill foi informado que a visibilidade em Elstree foi reduzida a 800 metros. Posteriormente, foi autorizado à aeronave a descer a 1.500 pés (450 metros) por abaixo da qual qualquer descida adicional ficava a critério do piloto.
Às 21:28, o controlador do Aeroporto de Londres-Heathrow contatou o N6645Y para passar mais informações, mas não houve resposta. Pouco depois, foi perdido o contato do radar. O Aztec, já com seu trem de pouso e seus flaps estendidos, raspou a parte superior de uma grande árvore a uma altitude de 140 metros, dentro do campo de golfe em Arkley, a 3 milhas (5,6 km) a leste e 130 pés (40 metros) sobre o aeródromo de Elstree. Logo desceu ainda mais, chocando-se com mais árvores, rodando em direção à direita, batendo o solo com a ponta de sua asa e finalmente chocando-se contra um matagal. Um intenso fogo se desenvolveu após o impacto, que destruiu a maior parte da aeronave. Os seis ocupantes morreram instantaneamente[7].
A pista de Elstree estava equipada com luzes de bordo e um indicador de pendente visual de baixa intensidade, mas faltava ajuda por rádio e não havia procedimentos de aproximação por instrumentos publicados para o aeródromo, o que o tornava inadequado para operações de baixa visibilidade.
As testemunhas próximas ao local do acidente informaram que as condições climáticas naquele momento eram de neblina espessa, com uma visibilidade de 50 a 100 metros.
Cerca de três horas antes, um piloto de outro pequeno avião havia tentado três aproximações do aeroporto de Elstree, assistido por radares de direção e distâncias fornecidas por London Approach. Nas três tentativas, descendo a apenas 300 pés (90 m) AGL, as luzes do campo de aviação permaneceram invisíveis ou ou foram detectadas tarde demais para continuar com a aterrissagem. O piloto finalmente desviou para outro aeroporto. Foi informado que a visibilidade sobre as nuvens a 1000 metros (300 metros) era muito boa.
Não foram descobertos defeitos mecânicos que tivessem contribuído para o acidente. A fadiga do piloto não foi considerada um fator, e os exames toxicológicos nas seis vítimas foram negativos. Não se pôde determinar a causa exata do acidente. Os investigadores ofereceram três possíveis razões para que o piloto permitisse que a aeronave descesse ao solo:
• Erro na interpretação da altitude: nos movimentos finais do voo, o piloto pode haver mal-interpretado a leitura do altímetro como a altitude sobre o solo (especificamente acima acima da elevação do aeródromo), contrária à altitude sobre o nível médio do mar. Esta possibilidade foi considerada pouco provável.
• Desconhecimento da altitude: descendo desde 1500 pés com céu claro até a capa de neblina subjacente, o piloto pode ter centrado sua atenção em estabelecer contato visual com o solo, descuidando do monitor dos instrumentos da aeronave.
• Erro na estimativa do alcance: ao se aproximar da pista 27 de Elstree, um piloto normalmente sobrevoaria a localidade de Borehamwood, seguido de um setor de terra sem luz imediatamente antes do aeródromo. No entanto, o N6645Y se aproximava do campo de aviação vindo de uma rota mais meridional, e o piloto pode ter confundido as luzes de Barnet, visíveis através da neblina, com as de Borehamwood, e o campo de golfe adjacente de Arkley com o setor de terra escura anterior à pista. Isto pôde tê-lo levado a acreditar que estava muito mais próximo do aeródromo do que realmente estava, e iniciar prematuramente a descida final a terra. Esta hipótese foi considerada a mais provável.
Consequências
O The Times informou que Graham pôde ter superestimado sua habilidade de voar[8]. A viúva de Graham Hill, foi processada por perdas e danos pelos administradores do patrimônio do falecido Andrew Smallman. Em junho de 1977, foi emitida uma ordem judicial do Tribunal Superior[9]. Como Hill não tinha seguro, Bette teve que pagar uma grande soma de dinheiro[10].
Devido ao acidente ter matado seis membros da equipe Embassy Hill, incluindo seu fundador, seu piloto e seu principal engenheiro, esta ficou formada por apenas três pessoas: o subgerente do grupo, Allan Turner, e dois mecânicos. A Embassy Hill não pôde continuar competindo e logo fechou as portas[11][12].
Referências
- ↑ Bruno Ferreira (24 de junho de 2022). «Embassy Hill: a equipe de F1 que acabou após trágico acidente de avião». Projeto Motor. Consultado em 14 de setembro de 2025
- ↑ «Daytona Beach Morning Journal - Búsqueda en el archivo de Google Noticias». news.google.com. Consultado em 29 de novembro de 2019
- ↑ Piper PA-23 Turbo Aztec 'D' N6645Y Report on the accident at Arkley Golf Course, Arkley, Hertfordshire, on 29 November 1975 (PDF) (Relatório). Accidents Investigation Branch. 29 de setembro de 1976. Consultado em 20 de janeiro de 2018
- ↑ Tremayne, David. «So Little Time». Motorsport (Dezembro de 2000): 33. Consultado em 20 de janeiro de 2018
- ↑ «Graham Hill, 46, Retired Racer, In Fatal Crash Piloting His Plane». The New York Times. 1 de dezembro de 1975
- ↑ «Lord Snowdon missed Hill death flight». The Times (59567). London. 2 de dezembro de 1975. col B, p. 3
- ↑ Report on the accident at Arkley Golf Course, Arkley, Hertfordshire on 29 November 1975 – Appendix B (PDF) (Relatório). Accidents Investigation Branch. 29 de setembro de 1976. Consultado em 4 de março de 2018
- ↑ «Graham Hill 'too optimistic of flying ability'». The Times (59877). London. 3 de dezembro de 1976. col F, p. 7
- ↑ «Graham Hill's widow sued». The Times (60026). London. 10 de junho de 1977. col A, p. 2
- ↑ Viner, Brian (3 de março de 1999). «Motor racing: Hill driven on by quest for true respect». The Independent. Consultado em 20 de janeiro de 2018
- ↑ «Motor racing legend Graham Hill killed in a plane crash». The Guardian. London: Guardian Newspapers. 2 de dezembro de 2008. Consultado em 24 de outubro de 2011
- ↑ Bardon, P. «Report on the accident at Arkley Golf Course». AAIB Formal Reports. Air Accidents Investigations Branch. Consultado em 24 de outubro de 2011
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