Acanthophis
Acanthophis
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![]() Acanthophis laevis | |||||||||||||||||
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Acanthophis é um gênero de serpentes da família Elapidae. São nativas da Austrália, Nova Guiné e ilhas próximas, e estão entre as serpentes mais venenosas do mundo. Em algumas línguas, como na inglesa (death adders), francesa (vipères de la mort) e na italiana (vipera della morte)[2] são comumente conhecidas como víboras da morte, porém não são víboras verdadeiras e pertencem à família Elapidae.
O nome do gênero vem do grego antigo akanthos (ἄκανθος, 'espinho')[3] e ophis (ὄφις, 'serpente'), em referência ao espinho na cauda das espécies do gênero.
Oito espécies são reconhecidas pelo ITIS em julho de 2025.[1]
Taxonomia
O naturalista francês François Marie Daudin criou o gênero Acanthophis em 1803, com A. cerastinus (hoje sinônimo de A. antarcticus) como sua única espécie.[4]
Embora as serpentes Acanthophis se assemelhem às víboras da família Viperidae, elas pertencem à família Elapidae, que inclui cobras-corais, mambas e najas.[5]
Tradicionalmente, apenas A. antarcticus, A. praelongus e A. pyrrhus eram reconhecidas. Em 1985, Wells e Wellington propuseram quatro novas espécies – A. armstrongi, A. hawkei, A. lancasteri e A. schistos – mas essas não foram amplamente aceitas na época.[6] Em 1998, cinco novas espécies foram descritas (A. barnetti, A. crotalusei, A. cummingi, A. wellsi e A. woolfi)[7] e, em 2002, mais três foram adicionadas (A. groenveldi, A. macgregori e A. yuwoni).[8] Essas descrições foram recebidas com ceticismo,[9][10][11] e apenas A. wellsi, com uma descrição ampliada publicada, foi amplamente reconhecida.[1][12] Há maior confusão sobre as Acanthophis de Papua Nova Guiné e Indonésia. Elas foram variavelmente classificadas como A. antarcticus ou A. praelongus. Em 2005, foi demonstrado que nenhuma dessas classificações é apropriada, e as Acanthophis da Nova Guiné se dividem em dois clados principais:[13] o complexo de A. laevis, com escamas relativamente lisas (incluindo as populações de Seram), e o complexo de A. rugosus, com escamas ásperas. Este último pode ser dividido em dois sub-clados: A. rugosus sensu stricto, do sul da Nova Guiné, e A. hawkei, do norte de Queensland e do Território do Norte, na Austrália. É provável que algumas dessas espécies incluam mais de uma espécie, já que populações como as de A. laevis apresentam grande variação em padrões e escamas.[13]
Espécies
| Imagem | Espécie[1][12] | Autoridade[12] | Subespécies* | Distribuição geográfica |
|---|---|---|---|---|
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A. antarcticusT | (Shaw, 1802) | 2[14] | Austrália[13] |
| A. cryptamydros | Maddock, Ellis, Doughty, L.A. Smith & Wüster, 2015 | 0[15] | Austrália[15][16] | |
| A. hawkei | Wells & Wellington, 1985 | 0[17] | Austrália[17] | |
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A. laevis | Macleay, 1877 | 0[18] | Indonésia, Papua Nova Guiné[18] |
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A. praelongus [en] | Ramsay, 1877 | 0[19] | Austrália[13] |
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A. pyrrhus [en] | Boulenger, 1898 | 0[20] | Austrália[20] |
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A. rugosus | Loveridge, 1948 | 0[21] | Austrália, Indonésia[21] |
| A. wellsi | Hoser, 1998 | 1[22] | Austrália[22] |
* Não incluindo a subespécie nominotípica.
T - Espécie-tipo.
Descrição

As serpentes Acanthophis têm aparência semelhante às víboras da família Viperidae, com corpo curto e robusto, cabeças triangulares, escamas suboculares pequenas, muitas escamas pequenas no topo da cabeça e escamas supraoculares elevadas. As escamas dorsais podem ser lisas ou quilhadas. A padronagem do corpo geralmente apresenta faixas transversais, e as pupilas são elípticas verticais.[23] Suas presas venenosas são mais longas e móveis do que as de outros elapídeos, embora ainda menores que as das víboras. Não são relacionadas às víboras e sua semelhança é resultado de evolução convergente.[24]
Elas geralmente levam de 2 a 3 anos para atingir o tamanho adulto. As fêmeas são ligeiramente maiores que os machos. Podem ser facilmente distinguidas de outras serpentes australianas por um pequeno apêndice semelhante a um verme na ponta da cauda, usado para atrair presas.[25] A maioria apresenta grandes faixas ao redor do corpo, com cores variando entre preto, cinza, vermelho e amarelo, além de tons de marrom e cinza-esverdeado, dependendo da localidade.[24]
São ovovivíparas, com os embriões desenvolvendo-se em sacos membranosos dentro da fêmea, que dá à luz ninhadas de 8 a 30 filhotes vivos.[23]
Caça
Diferentemente da maioria das serpentes, as Acanthophis não caçam ativamente, mas permanecem em emboscada, atraindo presas.[26] Quando famintas, elas se enterram no substrato, que pode ser folhagem, solo ou areia, dependendo do ambiente. Apenas a cabeça e a cauda ficam expostas, ambas bem camufladas. A ponta da cauda é usada para atrair presas, e, quando mexida, pode ser confundida com uma minhoca ou larva. Quando a presa tenta capturá-la, a serpente ataca. Embora se diga que elas têm o ataque mais rápido entre as serpentes do mundo,[27] esse tópico não foi suficientemente estudado para comparações confiáveis.[28]
A dieta é generalista e se alimentam de pequenos mamíferos, pássaros, lagartos e sapos,[23] mas os mais comumente registrados foram lagartos.[25]
Veneno
As serpentes Acanthophis podem injetar, em média, 40 a 100 mg de veneno altamente tóxico com uma mordida. A dose letal mediana (LD50) do veneno foi reportada como 0,4–0,5 mg/kg por via subcutânea, sendo completamente neurotóxico, sem hemotoxinas ou miotoxinas, ao contrário do veneno da maioria das serpentes venenosas.[29]
Uma mordida de Acanthophis pode causar paralisia, que inicialmente parece leve, mas pode levar à morte por insuficiência respiratória completa. A progressão dos primeiros sinais para a paralisia respiratória total geralmente leva cerca de 6 horas, muitas vezes mais de 12 horas, embora ocasionalmente possa ocorrer mais rapidamente. Os sintomas de envenenamento podem ser revertidos com o uso de soro antiofídico específico para Acanthophis ou com anticolinesterases, que quebram o bloqueio sináptico ao aumentar a disponibilidade de acetilcolina no sistema nervoso parassimpático, mitigando os efeitos do veneno.[30]
Antes da introdução do soro antiofídico, cerca de 50% das mordidas de Acanthophis eram fatais.[30] Hoje, com o soro amplamente disponível e a progressão lenta dos sintomas de envenenamento, uma mordida fatal é menos provável.
Referências
- ↑ a b c d «Acanthophis» (em inglês). ITIS (www.itis.gov). Consultado em 28 de julho de 2025
- ↑ «género Acanthophis». iNaturalist. Consultado em 28 de julho de 2025
- ↑ S.A, Priberam Informática. «acanto». Dicionário Priberam da Língua Portuguesa. Consultado em 28 de julho de 2025
- ↑ Daudin, François Marie (1802). Histoire naturelle, générale et particulière, des reptiles : ouvrage faisant suite à l'Histoire naturelle générale et particulière, composée par Leclerc de Buffon, et rédigée par C.S. Sonnini. 97. Paris: F. Dufart. pp. 289–296
- ↑ Shine, Richard; Spencer, Carol L.; Keogh, J. Scott (9 de abr. de 2014). «Morphology, Reproduction and Diet in Australian and Papuan Death Adders (Acanthophis, Elapidae)». PLOS ONE (em inglês) (4): e94216. ISSN 1932-6203. PMC 3981772
. doi:10.1371/journal.pone.0094216. Consultado em 28 de julho de 2025
- ↑ Ellis, Ryan J.; Kaiser, Hinrich; Maddock, Simon T.; Doughty, Paul; WüSter, Wolfgang (29 de junho de 2021). «An evaluation of the nomina for death adders (Acanthophis Daudin, 1803) proposed by Wells & Wellington (1985), and confirmation of A. cryptamydros Maddock et al., 2015 as the valid name for the Kimberley death adder». Zootaxa (1): 161–172. ISSN 1175-5334. doi:10.11646/zootaxa.4995.1.9. Consultado em 28 de julho de 2025
- ↑ Hoser, R. (1998). «Death Adders Acanthophis: An overview, including descriptions of FIVE new species and ONE subspecies.». Monitor 9 (2). Consultado em 28 de julho de 2025
- ↑ Hoser, R. (2002). «Death Adders (Genus: Acanthophis): An Updated overview, including descriptions of 3 New Island species and 2 New Australian subspecies.». Crocodilian - Journal of the Victorian Association of Amateur Herpetologists. Consultado em 28 de julho de 2025
- ↑ Aplin, K.P. & S.C. Donnellan (1999): An extended description of the Pilbara Death Adder, Acanthophis wellsi Hoser (Serpentes: Elapidae), with notes on the Desert Death Adder, A. pyrrhus Boulenger, and identification of a possible hybrid zone. Records of the Western Australian Museum 19: 277-298.
- ↑ Wüster, W., B. Bush, J.S. Keogh, M. O'Shea & R. Shine (2001). «Taxonomic contributions in the "amateur" literature: comments on recent descriptions of new genera and species by Raymond Hoser» (PDF). Litteratura Serpentium. 21: 67-79, 86-91. Consultado em 28 de julho de 2025. Cópia arquivada (PDF) em 9 de agosto de 2007
- ↑ Williams, D., W. Wüster & B. Fry (2006). «The good, the bad and the ugly: Australian snake taxonomists and a history of the taxonomy of Australia's venomous snakes.» (PDF). Toxicon 48: 919-930. Consultado em 28 de julho de 2025. Cópia arquivada (PDF) em 24 de agosto de 2007
- ↑ a b c «Search results Acanthophis | The Reptile Database». reptile-database.reptarium.cz. Consultado em 28 de julho de 2025
- ↑ a b c d Wüster, Wolfgang; Dumbrell; Hay, C.; Pook, C.E.; Williams, D.J.; Fry, B.G. (2005). «Snakes across the Strait: Trans-Torresian phylogeographic relationships in three genera of Australasian snakes (Serpentes: Elapidae: Acanthophis, Oxyuranus and Pseudechis).» (PDF). Molecular Phylogenetics and Evolution. 34 (1): 1–14. Bibcode:2005MolPE..34....1W. PMID 15579378. doi:10.1016/j.ympev.2004.08.018
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- ↑ a b Maddock, Simon T.; Ellis, Ryan J.; Doughty, Paul; Smith, Lawrence A.; WüSter, Wolfgang (28 de agosto de 2015). «A new species of death adder (Acanthophis: Serpentes: Elapidae) from north-western Australia». Zootaxa (3). ISSN 1175-5334. doi:10.11646/zootaxa.4007.3.1. Consultado em 28 de julho de 2025
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- ↑ a b Shine, Richard (1980). «Ecology of the Australian Death Adder Acanthophis antarcticus (Elapidae): Evidence for Convergence with the Viperidae». Herpetologica (4): 281–289. ISSN 0018-0831. Consultado em 28 de julho de 2025
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- ↑ Baker, Kevin (4 de julho de 2016). The World's Most Dangerous Animals SUBTITLE (em inglês). [S.l.]: eBookIt.com. ISBN 9781456626976
- ↑ Penning, David A.; Sawvel, Baxter; Moon, Brad R. (2016). «Debunking the viper's strike: harmless snakes kill a common assumption». Biology Letters. 12 (3). 20160011 páginas. ISSN 1744-9561. PMC 4843225
. PMID 26979562. doi:10.1098/rsbl.2016.0011
- ↑ «WCH Clinical Toxinology Resources». www.toxinology.com. Consultado em 28 de julho de 2025
- ↑ a b Mackessy, Stephen P.; Mackessy, Stephen P., eds. (19 de abril de 2016). Handbook of Venoms and Toxins of Reptiles (em inglês) 0 ed. [S.l.]: CRC Press. Consultado em 28 de julho de 2025
Leitura adicional
- Daudin FM (1803). Histoire Naturelle, Générale et Particulière des Reptiles; Ouvrage faisant suite aux Œuvres de Leclerc de Buffon, et partie du Cours complet d'Histoire naturelle rédigé par C.S. Sonnini, membre de plusieurs Sociétés savantes. Tome Cinquième [Volume 5]. Paris: F. Dufart. 365 pp. (Acantophis, new genus, pp. 287–288). (em francês).
Ligações externas
- Um caso grave de estomatite (cancro ou podridão bucal) em uma víbora-da-morte (Acanthophis antarcticus) associado a uma infecção por reovírus. Boydii (Outono de 2004):16-17. Tratamento
- Manejo e reprodução de víboras-da-morte
- WCH Clinical Toxinology




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