Abu Isaque Ibraim (buída)
| Abu Isaque Ibraim | |
|---|---|
| Nascimento | 21 de setembro de 953 |
| Morte | depois de 978 Egito (?) |
| Religião | Islamismo xiita |
Abu Isaque Ibraim, também conhecido por seu título honorífico de Undate Adaulá ("Sustentáculo do Império"), foi um príncipe buída, que era o filho mais novo do governante buída Muiz Adaulá.
Vida
Família e conflito com os hamadânidas

Abu Isaque nasceu em 21 de setembro de 953,[1] seu pai era Muiz Adaulá, enquanto sua mãe era filha do oficial dailamita Ispadoste. Abu Isaque tinha quatro irmãos chamados Bactiar, Habaxi, Marzubã, Abu Tair, e uma irmã chamada Zubaida. Abu Isaque, durante sua juventude, foi tutelado em Bagdá.[2] Em 967, Muiz Adaulá morreu e foi sucedido por Bactiar, que então recebeu o título de "'Ize Adaulá". Em ca. 972, Abu Isaque recebeu o título honorífico de "Undate Adaulá.[3]
Em 973, enquanto Ize Adaulá e seu general turco Sabuqueteguim Almuizi estavam fazendo campanha nos territórios do governante hamadânida Abu Taglibe, este último flanqueou o exército buída e marchou em direção a Bagdá. Abu Isaque, junto com sua mãe, o Califa abássida Almuti, incluindo as mulheres e crianças da cidade, se fortificaram em um castelo, aguardando que Sabuqueteguim retornasse a Bagdá.[4] O vizir de Ize Adaulá, Ibne Baquia, chegou pouco depois a Bagdá e ajudou Abu Isaque a fortalecer as defesas de Bagdá.[4] No final, um tratado foi feito, que resultou na restauração de Mosul e suas áreas circundantes aos hamadânidas.[5]
Rebelião de Sabuqueteguim
Alguns meses depois, Ize Adaulá, que tinha dificuldades financeiras, tentou resolvê-las apreendendo os feudos turcos, a maioria dos quais estava no Cuzistão. Ao mesmo tempo, ele demitiu Sabuqueteguim de seu posto. Essas ações fizeram com que a maior parte do exército se tornasse hostil a Ize Adaulá, e enquanto Ize Adaulá estava longe de Bagdá, o exército sob Sabuqueteguim então desejou fazer de Abu Isaque o novo governante buída do Iraque. Abu Isaque logo recebeu essas notícias, e a princípio pensou em se juntar a eles, mas após a insistência de sua mãe, ele recusou a proposta.[6]
O exército então logo se rebelou abertamente, e Abu Isaque junto com sua mãe e irmão Abu Tair, incluindo seus seguidores, então fizeram um acordo com Sabuqueteguim para parar a resistência em troca de segurança.[7] Os rebeldes logo conseguiram capturar Bagdá, e então marcharam em direção a Uacite, onde Ize Adaulá havia se fortificado. Durante o cerco, Sabuqueteguim morreu, e foi sucedido por Alpetaquim como líder dos rebeldes.
Felizmente para a família de Ize Adaulá, seu primo, Adude Adaulá, o governante de Fars, que havia sido ordenado por seu pai Roquém Adaulá a ajudar Ize Adaulá, chegou ao Iraque, e em 974, junto com Ize Adaulá e Abu Isaque, incluindo outros oficiais, avançou em direção a Almadaim, e em 975 os rebeldes foram completamente derrotados.[8] Após a ordem ser estabelecida no Iraque, Abu Isaque recebeu uma veste de honra de Roquém Adaulá.[9] Ele também foi nomeado como governador de Ahvaz por Ize Adaulá.[10]

Invasão de Adude Adaulá e a fuga para a Síria
Em 976, após a morte de Roquém Adaulá, a guerra logo se seguiu entre Ize Adaulá e Adude Adaulá. Abu Isaque foi então enviado para Ascar Mucrã no Cuzistão para proteger a fronteira do reino de Ize Adaulá.[11] Enquanto isso, Adude Adaulá estava avançando em direção a Ramhurmuz, onde derrotou o exército da cidade e a capturou. Após receber as notícias da queda de Ramurmuz, Ize Adaulá ordenou que Abu Isaque se retirasse de Ascar Mucrã e retornasse ao Iraque.[12] Adude Adaulá então avançou em direção ao Iraque, e derrotou outro exército, o que fez Abu Isaque, seu irmão, e ibne Baquia fugirem da fronteira.
Adude Adaulá eventualmente conseguiu capturar Bagdá, e deu a Ize Adaulá e seus irmãos permissão para se estabelecerem na Síria. Ize Adaulá, junto com seu filho Marzubã ibne Bactiar e seus irmãos Abu Isaque e Abu Tair, então foram para Damasco, que havia sido capturada pelo rebelde Alpetaquim e seus seguidores. Alpetaquim recebeu calorosamente os irmãos buídas e seus seguidores, mas então os envolveu em seu conflito com o Califado fatímida do Egito. Uma batalha logo se seguiu em Ramla. No entanto, durante a batalha, Marzubã traiu Alpetaquim e abandonou o campo de batalha.[13]
As forças de Alpetaquim foram logo derrotadas, e Abu Tair foi morto, enquanto Abu Isaque foi capturado pelos fatímidas.[14] Após este evento, Abu Isaque não é mais mencionado em nenhuma fonte. Ele morreu em 994/95.[15]
Referências
- ↑ Amedroz & Margoliouth 1921, p. 156.
- ↑ Donohue 2003, p. 51.
- ↑ Amedroz & Margoliouth 1921, p. 335.
- ↑ a b Amedroz & Margoliouth 1921, p. 342.
- ↑ Kennedy 2004, p. 272.
- ↑ Amedroz & Margoliouth 1921, p. 353.
- ↑ Amedroz & Margoliouth 1921, p. 354.
- ↑ Kennedy 2004, p. 224.
- ↑ Amedroz & Margoliouth 1921, p. 384.
- ↑ Amedroz & Margoliouth 1921, p. 390.
- ↑ Amedroz & Margoliouth 1921, p. 401.
- ↑ Amedroz & Margoliouth 1921, p. 401-402.
- ↑ Amedroz & Margoliouth 1921, p. 422.
- ↑ Amedroz & Margoliouth 1921, p. 423.
- ↑ Busse 2004, p. 519.
Bibliografia
- Amedroz, Henry F.; Margoliouth, David S., eds. (1921). The Eclipse of the 'Abbasid Caliphate. Original Chronicles of the Fourth Islamic Century, Vol. V: The concluding portion of The Experiences of Nations by Miskawaihi, Vol. II: Reigns of Muttaqi, Mustakfi, Muti and Ta'i. Oxford: Basil Blackwell
- Busse, Heribert (2004). Chalif und Grosskönig – Die Buyiden im Irak (945-1055) [Caliph and Great King – The Buyids in Iraq (945-1055)] (em alemão). Würzburg: Ergon Verlag. ISBN 3-89913-005-7
- Donohue, John J. (2003). The Buwayhid Dynasty in Iraq 334 H./945 to 403 H./1012: Shaping Institutions for the Future. Leiden e Boston: Brill. ISBN 90-04-12860-3
- Kennedy, Hugh (2004). The Prophet and the Age of the Caliphates: The Islamic Near East from the 6th to the 11th Century (Segunda ed.). Harlow: Longman. ISBN 978-0-582-40525-7