Abu Abedalá Axii

Abu Abedalá Alhuceine ibne Amade ibne Maomé ibne Zacaria (em árabe: أبو عبد الله الحسين بن أحمد بن محمد بن زكريا; romaniz.: Abū ʿAbd Allāh al-Ḥusayn ibn Aḥmad ibn Muḥammad ibn Zakariyyā),[1] mais conhecido como Abu Abedalá Axii (em árabe: ابو عبد الله الشيعي; romaniz.: Abū ʿAbd Allāh ash-Shīʿī), foi um missionário ismaelita (dāʿī) ativo no Iêmem e no Norte da África. Ele teve sucesso em converter e unificar grande parte da tribo berbere cotama, conduzindo-a na conquista de Ifríquia de 902 a 909 e na derrubada do Emirado Aglábida. Isso levou, por fim, ao estabelecimento do Califado Fatímida na Ifríquia sob o governo do imamecalifa Abedalá Almadi Bilá. Contudo, Abedalá Almadi Bilá logo entrou em conflito com Axii e mandou executá-lo em 18 de fevereiro de 911.

Vida

Primeiros anos

Abu Abedalá Axii nasceu como Huceine ibne Amade ibne Maomé ibne Zacaria em Cufa no Iraque.[1] Segundo as fontes, pode ter sido inicialmente um adepto do sufismo ou do xiismo duodecimano antes de ser convertido em 891, juntamente com seu irmão Abu Alabas Maomé, ao xiismo ismaelita por um missionário local (da'i), Abu Ali, ou, de acordo com outras fontes, por Hamadane Carmate, o líder do ramo iraquiano da rede missionária ismaelita (da'wa).[2][3] Abu Abedalá e Abu Alabas tornaram-se membros da própria rede missionária ismaelita (da'wa), sendo iniciados por Firuz, o representante do imame oculto, e logo enviados a missões no exterior: Abu Alabas para o Egito e Abu Abedalá para o Iêmem.[4] Abu Abedalá reuniu-se à caravana do Haje para Meca e juntou-se aos peregrinos iemenitas em seu retorno à pátria. Ele chegou ali em abril de 892 e permaneceu aprendendo com o principal dai ismaelita no Iêmem, ibne Hauxabe, em preparação para liderar uma missão ao Magrebe.[2][4]

Após menos de um ano, ibne Hauxabe enviou novamente Abu Abedalá a Meca, de onde ele deveria seguir para o Magrebe. Seguindo a prática usual, ele deveria ser acompanhado por outro dai, Abedalá ibne Abi Almalaife, mas este foi substituído por Ibraim ibne Isaque Azabidi. Ibraim tornou-se o tenente de Abu Abedalá, ficando conhecido como “o senhor menor” (Assaíde Açaguir) entre os seguidores de Abu Abedalá, e permaneceu com ele até a conquista de Ifríquia em 909.[2] Em Meca, Abu Abedalá encontrou um grupo de berberes cotamas que estavam no Haje, aos quais se apresentou como natural de Saná. Segundo fontes posteriores, após conversar com eles, tomou conhecimento da situação em sua terra natal, da fragilidade do governo aglábida fora dos territórios centrais de Ifríquia e do potencial militar dos berberes. Vendo uma oportunidade, conseguiu convencê-los a convidá-lo para ir ensinar-lhes sua doutrina.[2][5]

Estudiosos modernos, por outro lado, lançam dúvidas sobre a narrativa de um encontro fortuito e não planejado, enfatizando que a da'wa e o próprio Abu Abedalá escolhiam seus alvos de forma intencional: existem relatos de missionários xiitas anteriores enviados ao Magrebe, o grupo dos cotamas incluía ao menos dois que já eram xiitas, portanto receptivos à causa ismaelita.[2][6] Além disso, os cotamas, ao contrário da maioria dos berberes, não eram seguidores do imamado ibadita carijita de Taerte; vivendo às margens da sociedade muçulmana estabelecida de Ifríquia, podem ter sido apenas superficialmente islamizados, preservando muitas práticas pagãs.[7]

Missão entre os cotamas =

Abu Abedalá acompanhou os cotamas de volta à sua terra natal, na Pequena Cabília, chegando ali em junho de 893.[2] Seu irmão, Abu Alabas, permaneceu no Egito e forneceu o vínculo com a sede da da'wa em Salamia.[2] Abu Abedalá obteve a proteção do clã Sactane e imediatamente iniciou seu trabalho missionário, estabelecendo uma base na área pouco povoada de Icjane.[2][8] O dai conquistou alguns convertidos influentes entre os chefes Abu Muça ibne Iunus Alazai, líder do clã Massalta, e Zaqui Tamame ibne Muarique, sobrinho do líder dos Ijana.[2] Ao mesmo tempo, seus ensinamentos despertaram oposição, não apenas entre os adeptos do carijismo, que rejeitavam suas doutrinas,[2] mas também devido a rivalidades políticas: à medida que alguns líderes de clãs ou tribos se associavam a Abu Abedalá, seus inimigos passavam a se opor a ele.[8] Como resultado, ele logo teve de transferir sua base de operações de Icjane para Tasrute.[2][8]

Como um verdadeiro profeta no meio de um povo ignorante, Abu Abedalá modelou suas atividades segundo o exemplo de Maomé: Icjane e Tasrute tornaram-se uma “morada de refúgio” (dar al-hijra), seus seguidores eram chamados de “amigos” (awliya) ou “fiéis” (mu'minun), um povo escolhido.[9] A conversão e a participação na nova comunidade implicavam o abandono de práticas e vínculos anteriores: sob a nova doutrina e seu pregador, os adeptos eram forjados em unidade. Desconsiderando antigas afiliações tribais ou clânicas, Abu Abedalá dividiu seus seguidores armados em sete partes (asba') e nomeou um comandante (almocadém) para cada uma, enquanto os novos dais eram encarregados da administração dos distritos sob seu controle.[10] De acordo com a prática xiita, um quinto (khums) de todo o saque era reservado para o messias, o mádi, quando este viesse a assumir seu reino. Essa quantia cresceu até se tornar um tesouro considerável, que servia tanto como exemplo da própria integridade do dai — ele nunca o utilizou e confiou sua gestão a seus oficiais — quanto como prova de lealdade para seus oficiais — aqueles que o desviavam eram rapidamente punidos.[11]

= Conquista fatímida de Ifríquia

Mapa da queda do Emirado Aglábida para os cotamas liderados por Abu Abedalá

Enquanto permaneciam confinadas às montanhas da Pequena Cabília, as atividades de Abu Abedalá eram ignoradas pelo governo aglábida em Racada.[2] Essa complacência chegou ao fim no final de 902, quando Abu Abedalá atacou e capturou a cidade fortificada de Mila.[2][12] O movimento nasceu tanto da força quanto da fraqueza: embora Abu Abedalá tivesse consolidado o controle sobre a maior parte dos cotamas, aqueles chefes que permaneciam em oposição a ele agora recorreram ao governo aglábida em busca de apoio e ajuda militar contra o dai e seus seguidores.[13] A captura de Mila forçou os Aglábidas a reagir, enviando um exército para o oeste para recuperar a cidade, sob o comando do príncipe Abu Abedalá Alaual, filho do emir Abedalá II. Como a maior parte das tropas regulares havia seguido o antigo emir Ibraim II para a Itália, o exército era composto principalmente por recrutas inexperientes; e sua chegada tão tarde no ano significava que, embora Abu Abedalá tivesse recuado para seus redutos montanhosos, as tropas aglábidas não podiam segui-lo devido à neve.[2][13] A expedição estava ainda condenada ao fracasso devido às disputas dinásticas aglábidas: em julho de 903, o emir Abedalá II foi assassinado por seu filho, Ziadate Alá III, que então chamou de volta e executou seu irmão Abu Abedalá Alaual.[14]

Em 904, Abu Abedalá capturou outra cidade importante, Setife. O emir Ziadate Alá III obteve um parecer jurídico condenando os seguidores do “homem de Saná” como hereges, mas sua resposta militar mostrou-se tão ineficaz quanto a anterior. Um exército sob o príncipe Ibraim Alhabaxi foi enviado para o oeste, mas passou o inverno em Constantina, antes de ser reforçado pelas forças de Xabibe ibne Abi Xadade, governador da província fronteiriça de Zabe. Ibraim Alhabaxi conduziu o exército aglábida combinado às montanhas em perseguição aos cotamas, mas em Caiuna ele foi atacado e destruído pelos homens de Abu Abedalá.[15] O governo aglábida imediatamente levantou outro exército e o posicionou em Alurbus (a antiga Láribo bizantina), bloqueando o caminho para Cairuão e Racada. Como observa o historiador Michael Brett, “este era um exército na defensiva”;[16] como resultado, Abu Abedalá simplesmente o ignorou e voltou-se contra Tubna (a antiga Tubunas), sede de Xabibe ibne Abi Xadade, centro administrativo e militar da fronteira aglábida, e último refúgio dos chefes cotamas renegados.[17] Tubna foi sitiada por quase um ano, antes de capitular mediante acordo em outubro de 906: a guarnição foi poupada, mas o chefe cotama renegado Fate ibne Iáia Almassaliti foi executado.[18]

O triunfo do dai foi favorecido pelo levante do exército aglábida sob Mudlije ibne Zacaria em março de 906.[2] Esse motim militar deixava claro que o Estado aglábida estava se desintegrando, e Abu Abedalá aproveitou a vantagem.[2] Na primavera de 907, os cotamas saquearam Bilisma, uma cidade que controlava a rota de Tubna para Cairuão; diferente de Tubna, sua guarnição não foi poupada.[18] Os cotamas então derrotaram uma expedição aglábida enviada contra eles de Bagaia, após o que Bagaia e Tijis abriram seus portões, dando a Abu Abedalá o controle da passagem do Magrebe central para a Tunísia.[18]

O último reduto entre os cotamas e Cairuão/Racada era agora Alurbus, onde os últimos exércitos aglábidas estavam reunidos. Abu Abedalá passou 908 mais ao sul, em Casserina e no Jeride, mas em março de 909 reuniu suas forças para o ataque final. O exército do dai havia crescido enormemente, à medida que muitas outras tribos se juntavam a ele; não muito voluntariamente, já que aqueles que recusavam eram massacrados em retaliação. Em 18 de março de 909, o exército aglábida foi esmagado, e os habitantes de Alurbus foram massacrados.[19][20] Ziadate Alá III fugiu de sua capital para o Egito, levando muitos de seus tesouros consigo, mas deixando para trás a maior parte de seu extenso harém, e tomando o cuidado de incendiar os escritórios do departamento de impostos sobre a terra e todos os registros fiscais ali contidos.[21][22] O caos se instaurou assim que isso se tornou conhecido, enquanto os palácios eram saqueados por cinco dias pelos habitantes locais e qualquer pensamento de resistência desaparecia. Abu Abedalá enviou mil cavaleiros sob o comando de um de seus oficiais para pôr fim ao saque, e seguiu em direção a Cairuão. Ali, ele foi recebido por uma delegação de notáveis que rendeu a cidade. No dia seguinte, 25 de março de 909, Abu Abedalá entrou em Racada e instalou-se no palácio do emir.[2][23]

Regência e o resgate de Almadi

Enquanto isso, o imame ismaelita oculto e verdadeiro mestre de Abu Abedalá, o futuro califa Abedalá Almadi Bilá, havia deixado Salamia para evitar a perseguição abássida. Com um pequeno séquito, seguiu para Ramla e daí para o Egito, onde foram abrigados pelo antigo mentor de Abu Abedalá, Abu Ali, durante um ano, entre 904 e 905.[24][25] Em vista dos sucessos de Abu Abedalá, Almadi decidiu então avançar para oeste, em direção à Ifríquia, e juntou-se a uma caravana de mercadores, acompanhado por Abu Alabas Maomé. No caminho, a caravana foi atacada por tribos berberes, o que deixou Abu Alabas Maomé ferido. Em Trípoli, Abu Alabas Maomé foi enviado adiante para Cairuão, a capital aglábida, para fazer o reconhecimento. Sem que ele soubesse, notícias sobre Almadi e sua identidade — como alguém procurado pelo governo abássida — já haviam chegado à cidade, e ele foi imediatamente preso.[2][26] Permaneceu encarcerado até a primavera de 906, quando conseguiu escapar e seguiu para Trípoli.[2] Informado sobre o destino de Abu Alabas, Almadi mudou seus planos: em vez de atravessar os domínios aglábidas e seguir para a terra dos cotamas, juntou-se a outra caravana em direção ao oeste, contornando o limite meridional do território aglábida. Ele estava acompanhado apenas por seu filho, o futuro Alcaim, e um escravo doméstico. Pressionando e até subornando o líder da caravana para que se apressasse, no final de 905 chegaram a Segelmeça, um oásis no leste do Marrocos, governado pela Dinastia midrárida e centro do comércio transaariano.[2][27] Antes mesmo da conclusão da conquista do Emirado Aglábida, Abu Abedalá enviou um destacamento cotama para escoltar seu mestre até a Ifríquia, mas eles foram interceptados pelo emir ibadita de Taerte e tiveram de retornar.[28]

Com seu mestre ainda na distante Segelmeça, cabia a Abu Abedalá estabelecer o novo regime xiita na Ifríquia.[29] Ele emitiu uma carta de perdão (amã) aos habitantes de Cairuão e a todos os antigos servidores do regime aglábida, fez inventário dos conteúdos dos palácios, nomeou governadores e ordenou mudanças na cunhagem, nos chamados à oração e no sermão, além dos selos oficiais, para refletir o novo regime. O novo governante ainda não era nomeado publicamente; em vez disso, as novas fórmulas utilizavam versos ou paráfrases do Alcorão que exaltavam a família de Maomé, o cumprimento da promessa divina, a vitória da verdade de Deus (haqq) e da prova (huja) de Deus.[22][30] Abu Alabas Maomé, que havia escapado da prisão e saído do esconderijo após a vitória do irmão, começou a difundir a doutrina ismaelita, mantendo debates com os juristas sunitas locais na Grande Mesquita de Cairuão.[31] Abu Abedalá também escolheu um novo qadi (juiz-chefe), o xiita local Maomé ibne Omar Almaruarrudi.[32]

Assim que seu governo esteve suficientemente estabilizado, em 6 de junho de 909, Abu Abedalá partiu de Racada à frente de um grande exército, para encontrar seu mestre e entregar-lhe o poder. Em seu lugar em Racada, deixou Abu Zaqui Tamame ibne Muarique, tendo seu irmão Abu Alabas Maomé como adjunto.[33] Abu Zaqui foi nomeado regente devido à sua influência entre os cotamas, já que Abu Alabas carecia da autoridade do irmão sobre os berberes; mas foi esclarecido que, na realidade, especialmente em assuntos religiosos, a opinião de Abu Alabas deveria ser decisiva.[2] No caminho para Segelmeça, Abu Abedalá recebeu a submissão de Maomé ibne Cazar, líder dos berberes nômades zenetas,[33] e derrubou o imame ibadita rustâmida de Taerte, instalando ali um governador cotama.[34] Ao saber da aproximação do exército cotama, o emir de Segelmeça mandou interrogar Almadi e o colocou em prisão domiciliar, juntamente com seu filho, embora fosse tratado com consideração.[35] Em 26 de agosto de 909, o exército cotama chegou a Segelmeça e exigiu a libertação de seu imame cativo. Após rápidos confrontos com as tropas midráridas, o emir Aliaça fugiu da cidade, que foi então ocupada e saqueada. Montados a cavalo e vestidos com trajes finos, Almadi e Alcaim foram apresentados ao exército, entre gritos e lágrimas de exaltação religiosa. No dia seguinte, 27 de agosto, Almadi foi entronizado e aclamado pelas tropas.[36] Como explica o historiador Michael Brett, a ocasião tinha um duplo significado: por um lado, reconhecia-se o califado de Almadi; por outro, confirmava-se o estatuto excepcional da soldadesca cotama como “fiéis” (mu'minun) ou “amigos de Deus” (awliya), uma elite distinta da massa dos muçulmanos comuns.[22]

Queda e morte

As tradições proféticas sobre o mádi, embora difusas, insistiam que sua vinda seria anunciada por sinais e presságios celestes, que ele seria um jovem de excepcional beleza e que conduziria seus exércitos à vitória de modo rápido e miraculoso. Em comparação, a realidade de Almadi como homem e governante foi decepcionante: um ex-mercador de 35 anos acostumado a uma vida fácil, vinho e roupas luxuosas, cujo estilo de vida suntuoso contrastava com as doutrinas austeras propagadas por Abu Abedalá e até então seguidas pelos cotamas. Até mesmo Abu Abedalá criticou seu mestre, acusando-o de corromper os cotamas com poder, dinheiro, luxo e presentes.[37] Abu Abedalá jamais havia encontrado seu mestre antes de ir a Segelmeça e, evidentemente, desconhecia seu caráter ou intenções; e agora ele pode ter sentido, nas palavras do historiador Michael Brett, "como se seu próprio movimento tivesse sido tomado por algo completamente diferente".[38]

Um conflito imediato foi evitado quando Abu Abedalá foi convocado para liderar um exército rumo ao leste, em julho de 910. Nos meses anteriores, Segelmeça havia sido perdida para os midráridas, Taerte estava novamente sob forte cerco dos zenetas, e uma revolta eclodira entre os cotamas, liderada por um certo Babane. Este foi rapidamente subjugado pelos cotamas lealistas, e Abu Abedalá conseguiu derrotar os zenetas perto de Tubna, aliviando o cerco de Taerte e alcançando até a costa mediterrânea em Tenés. Ele então fez campanha contra as tribos zenetas e Sadina na atual região central da Argélia, antes de retornar a Racada no inverno de 910/11.[39]

Em Tenés, contudo, uma conspiração havia começado entre os chefes cotamas: liderados por Abu Abedalá, decidiram confrontar Almadi e pôr suas reivindicações à prova.[39] As fontes divergem quanto aos detalhes, mas os cotamas confrontaram Almadi em uma audiência pública, exigindo que ele realizasse um milagre. Abu Abedalá, seu irmão Abu Alabas Maomé, Abu Zaqui e o “xeique supremo” Abu Muça Harune o acusaram abertamente de fraude e impostura.[40] Quando Abu Muça Harune foi assassinado pouco depois, os outros conspiradores decidiram matar Almadi. Possivelmente devido às dúvidas de Abu Abedalá, ou porque não conseguiam concordar sobre seu sucessor, retardaram a ação. Informado das intenções deles pelo comandante cotama Gazuia, Almadi moveu-se primeiro. Comandantes cuja lealdade era suspeita foram enviados a missões longe da capital e substituídos por homens fiéis, de modo que, em 18 de fevereiro de 911, Abu Abedalá e Abu Alabas Maomé foram assassinados por soldados cotamas leais no próprio palácio do califa.[41][42]

A notícia da morte de Abu Abedalá Axii espalhou-se rapidamente. Almadi hesitou por dois dias, mas então executou os demais líderes cotamas envolvidos na conspiração.[43] Dado seu papel vital no estabelecimento do Califado Fatímida, Abu Abedalá recebeu um funeral formal, com a presença de Almadi;[44] e as fontes pró-fatímidas se esforçam para retratar sua morte como uma "queda lamentável de um servo até então leal, cuja fé foi finalmente vencida pela ambição", colocando a culpa sobre Abu Alabas e os chefes cotamas, sobretudo Abu Zaqui; afirma-se que o período de poder de Abu Zaqui e Abu Alabas como regentes durante a ausência de Abu Abedalá os corrompeu e levou-os a desafiar seu legítimo soberano.[45]

Referências

  1. a b Brett 2001, p. 86.
  2. a b c d e f g h i j k l m n o p q r s t u Walker 2008.
  3. Brett 2001, pp. 86–87.
  4. a b Brett 2001, p. 87.
  5. Brett 2001, pp. 87–88.
  6. Brett 2001, p. 88.
  7. Brett 2001, p. 85.
  8. a b c Brett 2001, p. 89.
  9. Brett 2001, pp. 89, 105.
  10. Brett 2001, pp. 89–90.
  11. Brett 2001, pp. 90–91.
  12. Brett 2001, pp. 92, 94.
  13. a b Brett 2001, p. 94.
  14. Brett 2001, pp. 94–95.
  15. Brett 2001, p. 95.
  16. Brett 2001, p. 96.
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  18. a b c Brett 2001, p. 97.
  19. Brett 2001, p. 98.
  20. Halm 1991, pp. 111–112.
  21. Halm 1991, p. 113.
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  23. Halm 1991, pp. 113–114.
  24. Halm 1991, pp. 73–76, 86–88.
  25. Daftary 2007, pp. 123, 125.
  26. Halm 1991, pp. 89–90.
  27. Halm 1991, pp. 90–91.
  28. Halm 1991, p. 121.
  29. Daftary 2007, p. 127.
  30. Halm 1991, pp. 115–117.
  31. Halm 1991, pp. 117–119.
  32. Halm 1991, p. 120.
  33. a b Halm 1991, p. 122.
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  40. Halm 1991, pp. 153–154.
  41. Halm 1991, pp. 154–156.
  42. Brett 2001, p. 109.
  43. Halm 1991, p. 156.
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  45. Brett 2001, pp. 108–110.

Bibliografia

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  • Brett, Michael (2017). The Edinburgh History of the Islamic Empires. Edinburgh. The Fatimid Empire. Edimburgo: Imprensa da Universidade de Edimburgo. ISBN 978-0-7486-4076-8 
  • Daftary, Farhad (2007). The Isma'ilis: Their History and Doctrines. Cambrígia: Imprensa da Universidade de Cambrígia. ISBN 978-0-521-61636-2 
  • Halm, Heinz (1991). The Empire of the Mahdi: The Rise of the Fatimids [Das Reich des Mahdi: Der Aufstieg der Fatimiden]. Munique: C. H. Beck. ISBN 978-3-406-35497-7