Abelardo de Lamare

Abelardo de Lamare
Abelardo de Lamare
Segundo no chão, no primeiro jogo da Seleção Brasileira
Informações pessoais
Nome completo Abelardo de Lamare
Data de nascimento 26 de novembro de 1892
Local de nascimento Belém, Pará, Brasil
Nacionalidade brasileiro
Data da morte 10 de outubro de 1979 (86 anos)
Local da morte Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil
destro
Informações profissionais
Posição atacante
Clubes profissionais
Anos Clubes Jogos e gol(o)s
1910–1911
1912
1913
1914
Botafogo
Fluminense
Botafogo
Fluminense

Seleção nacional
1914 Brasil 00001 0000(0)
O Botafogo campeão carioca de 1910. Abelardo de Lamare é o terceiro jogador no chão e o primeiro da fileira do meio é seu irmão Rolando de Lamare. A foto contém outros três de origem paraense: os irmãos Emanuel Sodré (primeiro no chão), Benjamin "Mimi" Sodré (penúltimo) e Lauro Sodré Filho (último).

Abelardo de Lamare (Belém, 26 de novembro de 1892Rio de Janeiro, 10 de outubro de 1979) foi um futebolista brasileiro que atuou como atacante.[1] Participou do primeiro jogo da Seleção Brasileira de Futebol, contra o Exeter City, em 1914, quando inclusive se tornou o primeiro nativo do Pará a jogar pela seleção.[2]

Origens

Ele e seus irmãos Rolando de Lamare (também presente naquela primeira partida do Brasil)[3] e Adhemaro de Lamare eram filhos do contra-almirante Joaquim Ribeiro de Lamare,[4] por sua vez filho de Joaquim Raimundo de Lamare,[5] governador do Pará no século XIX,[6] e também do Mato Grosso.[7]

Joaquim Raimundo pertencia à nona geração de descendentes de Jean de la Mare, normando do século XVI e integrante das forças armadas de Henrique IV de França. Avô e bisavô de Joaquim Raimundo eram portugueses que comandaram frotas navais que transportaram a corte portuguesa ao Brasil na fuga da invasão napoleônica; filho de descendentes dinamarqueses de Jean de la Mare, o bisavô de Joaquim Raimundo foi o capitão do navio que trazia o futuro Dom Pedro I.[5]

Joaquim Ribeiro, por sua vez, foi um dos primeiros presidentes do então Botafogo Football Club,[8] entre 1912 e 1914, clube do qual Adhemaro participara do jogo de estreia, em 1904.[9] Outro governador do Pará, Lauro Sodré, também tivera filhos integrantes da formação do clube: um deles, Emanuel,[10] fora um dos fundadores.[9]

Carreira clubística

O primeiro título isolado do Botafogo no Campeonato Carioca de Futebol deu-se em 1910,[11] tendo largo contingente de paraenses. Emanuel atuou ao lado de dois irmãos: além de Lauro de Almeida Sodré Filho,[12][13] Benjamin de Almeida Sodré, o "Mimi", igualmente era filho de Lauro Sodré.[14] Abelado, por sua vez, atuou ao lado do irmão Rolando de Lamare, e sagrou-se (com 22 gols) o artilheiro daquele estadual.[15][16]

Na descrição de O Jornal, "Mimi foi mesmo considerado o maior meia de sua época na direita, enquanto na esquerda Abelardo de Lamare pontificava como estrela inigualável, formando com Emanuel Sodré outra grande ala";[17] Abelardo era descrito pelo Jornal do Commercio como um inside right "ágil e forte", que "dispõe de um kick vigorosíssimo com ambos os pés, sendo extraordinário nas rebatidas e trocas de passes".[18]

Entretanto, em 1911, em clássico contra o América, Abelardo, junto com Flávio Ramos, envolveu-se numa briga com o jogador adversário Gabriel Carvalho,[19] que como consequências teve a invasão do Campo da Rua Voluntários da Pátria por torcedores. Devido à confusão, o Botafogo acabou abandonando o campeonato. Como pena, Abelardo de Lamare foi suspenso por um ano pela liga que organizava o Campeonato Carioca.[18] O próprio Botafogo, em solidariedade "ao seu mais querido jogador" de então (nas palavras de O Jornal), também interrompeu suas atividades, até 1913.[19]

Abelardo atuou em 44 jogos e marcou 66 gols, entre 1908 e 1919. Além do título estadual de 1910, também conquistando os seguintes troféus: Taça Interestadual (1910 – 7 x 2 A.A. Palmeiras) e Taça Prefeitura (1910 – 5 x 1 São Cristóvão A.C.).

Títulos

Seleção

O jogo de Abelardo contra o Exeter City em 1914 foi também seu único pela Seleção Brasileira,[20] bem como do irmão Rolando de Lamare.[21] Atuaram ao lado de Arthur Friedenreich na vitória de 2-1.[22]

Antes, Abelardo também participara de um dos combinados considerados precursores dela: em 1910, jogando ao lado de Lauro Sodré Filho, fez um dos gols de honra na derrota de 5-2 para o Corinthian inglês,[23] visto até a Primeira Guerra Mundial como equipe mais forte do mundo, inspirando tanto o Corinthians brasileiro (fundado naquele ano na repercussão da excursão dos britânicos) como o uniforme do Real Madrid.[24]

Após o futebol

Em paralelo ao futebol, tornou-se banqueiro, vindo a ser diretor-presidente do Banco Delamare na década de 1950;[25] chegara a ser detido em 1916 precisamente por exaltar-se contra jornalistas que cobriam polêmica envolvendo seu pai em uma das empresas da família.[4]

Referências

  1. «TU ÉS O GLORIOSO - 12». Botafogo.com.br. 7 de abril de 2015. Consultado em 17 de fevereiro de 2023 
  2. BRANDÃO, Caio (12 de janeiro de 2016). «Nos 400 anos de Belém, um timaço só com grandes jogadores paraenses que serviram a Seleção». Trivela. Consultado em 25 de julho de 2017 
  3. «OS MAIORES FEITOS DO ESPORTE BRASILEIRO». O Jornal. 12 de janeiro de 1944. Consultado em 25 de julho de 2017 
  4. a b «Os Srs De Lamare portadores de muitas acções». Gazeta de Notícias. 18 de janeiro de 1916. Consultado em 20 de março de 2025 
  5. a b «FAMÍLIA DE LAMARE - FRANÇA - DINAMARCA - PORTUGAL - BRASIL» (PDF). Memória de Família. Consultado em 20 de março de 2025 
  6. RIBEIRO, Erick Elisson Hosana (2013). «AS CONDIÇÕES DE EMERGÊNCIA DA ESCOLA DE ENGENHARIA DO PARÁ (1870 - 1931)» (PDF). Universidade Federal do Pará. Consultado em 20 de março de 2025 
  7. CANCIAN, Elaine Aparecida (27 de maio de 2021). «OCUPAÇÃO DE TERRAS E ESTRATÉGIAS DE CONSOLIDAÇÃO DO PODER: O CASO DA FAZENDA TABOCO (MIRANDA - SÉCULO XIX)». Universidade Federal do Mato Grosso do Sul. Consultado em 20 de março de 2025 
  8. «CHRONICA SPORTIVA» (PDF). Correio Paulistano. 22 de julho de 1913. Consultado em 20 de março de 2025 
  9. a b «#116ANOSGLORIOSOS». Botafogo de Futebol e Regatas. 12 de agosto de 2020. Consultado em 20 de fevereiro de 2025 
  10. «Várias Notícias». Jornal do Commercio. 21 de dezembro de 1904. Consultado em 20 de fevereiro de 2025 
  11. Resumo histórico do Campeonato Carioca (2004). Anuário Placar 2003. São Paulo: Editora Abril, p. 260
  12. «FOOT-BALL». Jornal do Commercio. 1914. Consultado em 20 de fevereiro de 2025 
  13. «Viajantes». O Paiz. 13 de agosto de 1910. Consultado em 20 de fevereiro de 2025 
  14. DA COSTA, Ferreira (2013). Mimi Sodré - O Garoto de Ouro do futebol brasileiro. Gigantes do futebol paraense. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 212-213
  15. «Veja algumas estatísticas do Carioca». Globo Esporte. 13 de janeiro de 2006. Consultado em 28 de janeiro de 2025 
  16. «Pedro, do Flamengo, é o artilheiro do Carioca 2024; veja lista de todos os goleadores». Globo Esporte. 7 de abril de 2024. Consultado em 28 de janeiro de 2025 
  17. «"Alas de Ouro"». Jornal do Commercio. 7 de novembro de 1941. Consultado em 20 de fevereiro de 2025 
  18. a b «FOOT-BALL». Jornal do Commercio. 19 de julho de 1913. Consultado em 20 de fevereiro de 2025 
  19. a b «O Botafogo F.C. sagrou-se campeão do football carioca em 1932». O Jornal. 4 de outubro de 1932. Consultado em 20 de fevereiro de 2025 
  20. «ABELARDO». Placar n. 1094, p. 70. Maio de 1994. Consultado em 26 de janeiro de 2025 
  21. «ROLANDO». Placar n. 1094, p. 101. Maio de 1994. Consultado em 26 de janeiro de 2025 
  22. «O Brasil em campo». Placar n. 1094, p. 6. Maio de 1994. Consultado em 26 de janeiro de 2025 
  23. «JOGO 13 - COMBINADO BRASILEIRO 2 X CORINTHIANS TEAM 5». Placar n. 1094, p. 4. Maio de 1994. Consultado em 26 de janeiro de 2025 
  24. STEIN, Leandro (24 de janeiro de 2015). «Mais do que inspiração no Brasil, o Corinthian-Casuals um dia já foi chamado de melhor time do mundo». Trivela. Consultado em 25 de julho de 2017 
  25. «BANCO DELAMARE S/A». Correio da Manhã. 7 de agosto de 1954. Consultado em 20 de fevereiro de 2025