A Lenda de Uma Quinta Senhorial
| En Herrgårdssägen | |
|---|---|
| Da Vida e da Morte [PT] A Lenda de uma Quinta Senhorial [BR] | |
| Autor(es) | Selma Lagerlöf |
| País | Suécia |
| Gênero | Romance |
| Edição portuguesa | |
| Tradução | Cabral do Nascimento |
| Editora | Minerva |
| Lançamento | 1953 |
| Edição brasileira | |
| Tradução | Araújo Ribeiro |
| Editora | Cia Brasil |
| Lançamento | 1937 |
En Herrgårdssägen ("A Lenda de Uma Quinta Senhorial") é um romance da escritora sueca Selma Lagerlöf, primeira mulher laureada com o Prêmio Nobel de Literatura. Foi publicado originalmente em 1899. A história descreve o desafio de uma jovem órfã para resgatar o estudante Gunnar Hede de seus problemas mentais, tais como depressão severa e ansiedade. [1] [2]
Trama
Gunnar Hede é um jovem estudante que se dedica mais ao prazer de tocar o antigo violino herdado de seu pai, do que a seus próprios estudos ou mesmo à sua jovem noiva. Após tomar ciência de que Munkhyttan, a propriedade no qual vive com a mãe, está correndo sério risco de ser vendida, Gunnar decide abrir mão de sua vocação como músico e fazer tudo o que está ao seu alcance a fim de impedir a perda da propriedade.
Pouco depois, chega para se apresentar em Munkhyttan uma comitiva circense composta por um velho cego, sua neta, Ingrid, e o casal de saltimbancos proprietários da trupe. Quando o cego põe-se a tocar violino, Gunnar não se contém e desce até o terraço, onde a trupe se apresenta, desejoso de pedir o instrumento emprestado. O moço se põe a tocar, Logo o publico que o assiste é cativado por ele. Mas Gunnar não tarda a perceber que o velho casal de saltimbancos encontra-se contrariado devido à recusa de Ingrid em não querer se envolver com as artes circenses, mesmo tendo sido acolhida, ela e o avô, piedosamente por eles. É quando Gunnar principia um discurso em defesa da moça, o qual faz com que os proprietário da trupe tornem-se condescendentes à cerca do assunto.
Todavia, com o passar do tempo, Gunnar concebe a ideia de que o estudo é um caminho muito longo e demorado para se ganhar o dinheiro necessário a fim de que possa salvar a Munkhyttan da ruína. Decidido a encontrar uma solução mais rápida para o seu problema, ele passa a trabalhar como um mercador andarilho tal como era seu avô quando este construiu a casa senhorial que sua família habitava desde então.
Afoito, entretanto, Gunnar acaba por embarcar em um empreendimento desastroso. Com a ajuda de um amigo, ele decide transportar cem cabras de Norrland até as florestas de Värmland durante um rigoroso inverno. Durante a travessia, uma nevasca repentina se instala sobre eles, fazendo com que Gunnar assista as cabras perecerem, uma a uma, diante de seus olhos. Impotente, sem forças para se reerguer após o inevitável fracasso financeiro no qual sucumbira e o consequente rompimento de seu noivado, Hede acaba entrando em um colapso emocional que o faz perder completamente o juízo. Incapaz de retomar a sanidade de outrora, ele passa a transitar pela região como uma espécie de mercador louco, a quem a população apelida de "O Bode".
Por seu turno, Ingrid, agora orfã, abandona a trupe circense após a morte do avô e passa a viver no presbitério de Roglanda, junto ao pastor e sua família. Sentindo-se abandonada e rejeitada pelos novos pais adotivos, Ingrid cai numa espécie de torpor mortal, o que leva todos a acreditarem a tratar-se de um morte súbita, a ponto de velarem seu corpo no presbitério e, em seguida, conduzirem-no no caixão até a sepultada onde será enterrada. No entanto, durante os momentos finais do enterro, o "Bode" aproxima-se do túmulo e se põe a toca seu violino. Ingrid desperta de seu torpor como que ressuscitada pela música do andarilho e é então que seus destinos se cruzam mais uma vez numa história de realidade e fantasia, loucura e sanidade, escuridão e luz, amor e perda, vida e morte.
Crítica e temática
A temática psicológica do livro tem sido alvo de debate por parte de pesquisadores da obra de Lagerlöf tais como Henrik Wivel, Vivi Edström e Birgitta Holm. Conforme Edström escreve em "Selma Lagerlöf Livets vågspel": "Muito antes do conceito de identidade se tornar central dentro psicologia, Selma Lagerlöf abordou questões como a busca pelo eu, e o subconsciente". [3]
O escritor alemão Thomas Mann teceu elogios ao romance por sua "percepção da natureza da loucura como refúgio e esquiva". Ademais, o autor descreve a loucura de Gunnar Hede, em sua lamentação demoníaca, como sendo "de forma alguma uma fábula romântica vazia, mas um estudo clínico perfeitamente fundamentado, de autenticidade convincente". [4]
Adaptações
O romance de Lagerlöf já foi adaptado para cinema, televisão, ópera e teatro. Sua adaptação mais famosa foi em 1923, onde foi levado às telas por Mauritz Stiller e Alma Söderhjelm no filme Gunnar Hedes saga ("The Blizzard", em inglês).
No entanto, o filme difere muito do romance e, no prefácio, é chamado de "uma adaptação livre baseada em "En herrgårdssägen". Lagerlöf não gostou do roteiro e relutantemente se deixou persuadir a filmá-lo.[5]
Referências
- ↑ «The Lagerlöf in English series – updates». Consultado em 10 de março de 2025
- ↑ «Acervo Unicamp - A Lenda de Uma Quinta Senhorial». Consultado em 10 de março de 2025
- ↑ Edström, Vivi. Selma Lagerlöf. Livets vågspel. 2002. [S.l.]: Stockholm: Natur och Kultur
- ↑ Thomas Mann. "Große Unterhaltung" .
- ↑ «A Saga de Gunnar Hede (1923)». p. Svensk Filmdatabas. Consultado em 10 de março de 2025