A Garra Cinzenta

A Garra Cinzenta
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País de origem  Brasil
Editora(s) Rio Gráfica Editora
Conrad Editora
Fascículos 100 tiras
Periodicidade semanal
Formato de publicação Formato magazine (21 x 27 cm)
Encadernação Capa dura, Lombada quadrada, preto e branco
Lançada em 27 de julho de 1937
Terminou em 1939
Número de álbuns 1
Primeira publicação A Gazetinha, suplemento do jornal A Gazeta
Género aventura, policial, terror[1]
Argumento Francisco Armond
Desenho Renato Silva
ISBN ISBN 9788576164708
Número de páginas 100

A Garra Cinzenta é uma história em quadrinhos brasileira, que foi publicada originalmente no formato de tira no suplemento "A Gazetinha" do jornal A Gazeta[2] entre 1937 e 1939 e que conseguiu reconhecimento mundial na época, sendo publicada no México, França e Bélgica. O personagem principal é um vilão, perseguido pelos inspetores de polícia Higgins e Miller.[3] [nota 1]

Na França e na Bélgica, a série era conhecida como La Griffe Grise, os europeus achavam que a história fosse de origem mexicana e não brasileira.[5]

Em 2011 a história foi republicada pela Editora Conrad em uma edição encadernada de luxo.

Publicação

Entre 1937 e 1939, o único arco de história do Garra Cinzenta foi publicada no formato de pranchas no suplemento A Gazetinha do jornal A Gazeta com roteiros de Francisco Armond e arte de Renato Silva, totalizando 100 páginas, a série tem forte influência dos pulps da época.[6] Silva iniciou a carreira nos quadrinhos em 1937 nas páginas do Suplemento Juvenil de Adolfo Aizen, onde ilustrou uma história protagonizada pelo detetive Nick Carter,[7][8] um personagem da literatura pulp.[9][10] o jornal compilou a tira em dois álbuns, publicados entre dezembro de 1939 e janeiro de 1940.[3]

Armond também roteirizou a série O enigma do espectro de James Hull, ilustrada por Messias de Mello[11] e também publicada em A Gazetinha entre agosto de 1939 e março de 1940.[12][13]

Entre 1944 e 1947 foi publicado na Bélgica na revista semanal Le Moustique com o título La Grife Grise, apesar da periodicidade irregular, todas as 100 páginas foram publicadas. Os belgas e os franceses chegaram pensar que a série era de origem mexicana. Em 1977, a Rio Gráfica Editora publica parte da pranchas da A Garra Cinzenta em seu Almanaque do Gibi[14] Em 1988, Worney Almeida de Souza publicou todas as 100 páginas da série no seu fanzine Seleções do Quadrix # 3. Em 2011, Worney lança pela Conrad Editora, o álbum de luxo Garra Cinzenta. Em setembro de 2024, a Editora Criativo republicou a série em 3 volumes.[15]

Sinopse

Na história passada em Nova York, Garra Cinzenta é um vilão, que apesar de não possuir nenhum poder, tem um grande conhecimento de vários ciências, como química, cirurgia e mecânica, que usa para realizar experimentos macabros e assassinatos elaborados. Não se sabe com certeza sua origem, sabendo-se apenas que foi um grande cientista no passado, mas como ele virou um vilão ou se a caveira de sua cara é uma mascara ou um acidente que deixou sua caveira exposta não é revelado. Seus principais inimigos eram os inspetores de polícia Higgins e Miller, que apesar de tentarem de tudo, nunca conseguiam pegá-lo. Seus capangas eram um gorila com um cérebro transplantado de um antigo amigo, o professor Cuberry; sua antiga secretária Katty, que sofreu lavagem cerebral e virou a Dama de Negro; e um robô construído pelo próprio Garra, chamado Flag, que apesar de ter enorme força, podia falar apenas por barulhos.

A trama começa com a morte do Professor Cuberry, assassinado por ter descoberto algo terrível sobre a Garra Cinzenta. Higgins e Miller investigam o caso, mas logo percebem que estão lidando com um criminoso que usa a ciência como arma. A Garra Cinzenta sequestra pessoas para seus experimentos, cria armas químicas e deixa pistas enigmáticas, como cartões com o desenho de uma garra cinzenta em suas vítimas.

Em um dos momentos mais chocantes, Kathy é morta por saber demais, mas a Garra Cinzenta a "revive" através de técnicas de reanimação e controle mental, transformando-a na Dama de Negro, uma assassina obediente. Enquanto isso, o gorila com o cérebro de Cuberry age como um monstro incontrolável, e Flag, o robô, é usado para ataques brutais.

A perseguição culmina em um confronto final no covil subterrâneo da Garra Cinzenta, onde Higgins e Miller enfrentam seus horrores. Em uma reviravolta, Flag se volta contra seu criador, destruindo-o em um acesso de fúria. Kathy, liberta do controle mental, recupera sua consciência, mas o trauma a deixa marcada para sempre.

Francisco Armond

Um dos fatos que contribui para que esse HQ se tornasse cult foram os mistério em tornos da autoria das histórias. O maior deles é o fato de por muito tempo, não se ter informações sobre o roteirista, Francisco Armond, o que levou muitos a acreditarem que ele seria um pseudônimo da jornalista Helena Ferraz de Abreu, que assinava no jornal independente Correio Universal com o nome de Álvaro Armando (pseudônimo que também era compartilhado pelo marido de Helena, Maurício Ferraz), e que Francisco seria uma variação desse pseudônimo já existente. O filho de Helena, Arnaldo Ferraz, entretanto, nega tal fato.[16] O suplemento de quadrinhos do jornal, publicou pela primeira vez no Brasil,[17] as tiras de O Fantasma de Lee Falk em 1937,[18] no entanto, Helena também escreveu histórias em quadrinhos, com o pseudônimo Álvaro Armando, Helena roteirizou O Marido da Madame, com desenhos de Alceu Penna, publicados entre 1948 e 1954 na revista A Cigarra.[19]

O desenhista da história, Renato Silva faleceu em 1981, o jornalista Álvaro de Moya, que foi amigo de Renato, nunca chegou a questionar sobre o roteirista.[3] Silva não teve uma carreira muito longa com histórias em quadrinhos, ficou mais conhecido pela ilustração de livros e pela publicação de livros que ensinam técnicas de desenho.[3]

Segundo a jornalista Raquel Cozer, em matéria publicada em 2011 pelo O Estado de S. Paulo, a hipótese foi levantada pelo quadrinista e jornalista Gedeone Malagola em artigo escrito em 2008 publicado na revista Mundo dos Super-Heróis da Editora Europa, Gedeone viria a falecer seis meses depois da publicação do artigo.[3] Em 2025, o jornalista Wagner Augusto investigou sobre Armond, descobrindo que foi um escritor e tradutor, além do trabalho editorial, foi escrevente da Estrada de Ferro Central do Brasil.[13]

Notas

  1. Semelhante ao Doutor Fu Manchu de Sax Rohmer, que era perseguido pelo policial Denis Nayland Smith e o Doutor Petrie.[4]

Referências

  1. «A trajetória das HQs de terror no Brasil». www.universohq.com 
  2. Zilda Augusta Anselmo. Vozes, ed. Histórias em quadrinhos. 1975. [S.l.: s.n.] 68 páginas 
  3. a b c d e Raquel Cozer (11 de junho de 2011). «O Mistério do Garra Cinzenta». O Estado de São Paulo 
  4. Cláudio Roberto Basílio (14 de setembro de 2006). «As Artes Marcias nas HQs - Parte 1». HQManiacs. Arquivado do original em 13 de fevereiro de 2019 
  5. Telio Navega (29/06/2011). O misterioso Garra Cinzenta. O Globo
  6. Selma Regina Nunes Oliveira (2007). Mulher ao quadrado: as representações femininas nos quadrinhos norte-americanos : permanências e ressonâncias, 1895-1990. [S.l.]: Editora Universidade de Brasília. 130 páginas. 9788523009205 
  7. «Biografia». Figura Humana. Col: A Arte de Desenhar. [S.l.]: Editora Criativo. 2011. ISBN 978-85-64249-31-8 
  8. SILVA, Diamantino da. Quadrinhos dourados: a história dos suplementos no Brasil. São Paulo, SP:Opera Graphica, 2003. ISBN 8589961109
  9. J. Randolph Cox. The Dime Novel Companion: A Source Book. Greenwood Publishing Group, 2000 52 p. ISBN 9780313256745
  10. Patrícia Galvão (1998). Safra macabra: contos policiais. [S.l.]: J. Olympio Editora. 9788503006330 
  11. Marco Aurélio Lucchetti e Franco de Rosa (org.). Fantasma – Biografia Oficial do Primeiro Herói Fantasiado dos Quadrinhos. 83 p. Opera Graphica, 2009.
  12. HERNANDES, Lucas. «Memória das histórias em quadrinhos no Brasil.» (PDF). Universidade Municipal de São Caetano do Sul 
  13. a b Augusto, Wagner (2025). Guimarães, Edgard, ed. «Francisco Armond» (PDF). EGO. QI (195) 
  14. Nobu Chinen. «Um Almanaque que não está mais no Gibi». Universo HQ 
  15. «A Garra Cinzenta». www.livrariacriativo.com.br. Consultado em 30 de setembro de 2024 
  16. Marcelo Soares (20 de Junho de 2011). «Garra Cinzenta Estadão tenta resolver o mistério da autoria da HQ». www.omelete.com.br  Omelete
  17. Gonçalo Junior Companhia das Letras, A Guerra dos Gibis - a formação do mercado editorial brasileiro e a censura aos quadrinhos, 1933-1964, 2004. ISBN 8535905820
  18. Sérgio Codespoti, sobre o press release (13 de fevereiro de 2006). «Opera Graphica comemora 70 anos do Fantasma». Universo HQ 
  19. «Madame vira a mesa». Revista de História da Biblioteca Nacional. Consultado em 1 de agosto de 2025. Cópia arquivada em 6 de agosto de 2016 

Bibliografia

  • Roberto Guedes (2005). A Saga dos Super-Heróis Brasileiros. [S.l.]: Opera Graphica. ISBN 8589961230 

Ligações externas