Ação Social Brasileira
Partido Nacional Fascista Ação Social Brasileira | |
|---|---|
| Presidente | José Fabrino |
| Fundação | junho de 1933 |
| Dissolução | setembro de 1933 (3 meses) |
| Sede | Rio de Janeiro |
| Ideologia | |
| Espectro político | Terceira Posição |
| Publicação | A Batalha |
| Milícia | Milícia Voluntária de Segurança Nacional |
| Sucessor | Nenhum (extinto) |
| Membros | 20.000 membros[2] |
| País | |
| Bandeira do partido | |
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A Ação Social Brasileira (Partido Nacional Fascista) foi uma organização e partido político fascista brasileiro fundado pelo futuro diplomata do Estado de Israel, José Fabrino, atuante durante 1933 no Rio de Janeiro.
História e Doutrina
Durante a década de 30 no Brasil, vários grupos de caráter fascista foram surgindo no cenário político brasileiro, esparsos em território nacional, dando "palestras a porta de livrarias" e discutindo entre si. Dentre estes grupos, surgiu, então, a Ação Social Brasileira, fundada pela figura mineira de José Fabrino, que buscava ser uma união dos fascistas que se encontravam espalhados no Brasil e de partidários dos fascismos fracassados da década de 20 no Brasil[3][2]. O partido, tendo certa relevância no periódico 'A Batalha', — seu principal propagador —, este que fora dirigido pelo membro do Estado-Maior do partido, Júlio Barata[4], se propunha a instaurar um Estado corporativo totalitário aos moldes fascistas no Brasil.[5][6][2][7]
O partido procurou apoio principalmente entre os meios da imprensa da época, afirmando que, em outros países onde triunfara o fascismo, a imprensa fora a última a ser conquista pelo regime; mas no Brasil o fascismo deveria ser construído "pela e com a imprensa"; recebendo inúmeras adesões de jornalistas cariocas, — sabidamente ao menos 110 signatários jornalistas do Rio de Janeiro em seu manifesto —, que se mostravam curiosos pelo regime de Benito Mussolini e creiam na implantação dele sob a legenda da ASB uma solução para os problemas nacionais brasileiros.[8][9][10]
A doutrina do "fascismo fabrinista" era cópia fac-símile do fascismo italiano; alegando o Duce brasileiro que "é preferível copiar o que é bom" do que "seguir o que não presta", e que não via motivos para que não se importassem as ideias fascistas para terras tropicais, embora abrindo concessões para a "índole e os interesses" da população[11][12]. Então, lançando estatutos próprios, com respaldo nas doutrinas de Giovanni Gentile e Benito Mussolini, o Partido tinha como expressão máxima de suas ideias "a Disciplina a serviço da Vontade, a Lei acima do Homem, a Ordem acima da Lei, o Direito acima da Ordem e a Pátria acima de tudo."[5] Era, sobretudo, contundentemente messiânico, — apesar de não necessariamente na figura de Fabrino —, totalitário e miseravelmente carecia de fontes intelectuais, que, ou não buscava, ou, por vezes, até rejeitava, tornando os jornalistas o seu "apoio intelectual" máximo.[13][9] Os fascistas vestiriam camisas azuis como indumentária e contavam com um juramento, que consistia:[14]
Em nome de Deus e da Pátria, juro seguir, sem discuti-las, as ordens do Chefe e servir, com todas as minhas forças, quaisquer que sejam os sacrifícios, pessoais ou de família, o programa da ASB (PNF), que resume os meus anseios de ver grande o Brasil e o seu povo!
Ao realizar tal juramento, o Chefe faria, em troca, outro:
E eu juro, sobre o que juraste, porque creio em ti, porque o crer em nós fará grande a história que temos e até o futuro que almejamos!
O partido negava a democracia em suas duas facetas, presidencialista ou parlamentar.[15]
Apesar das tendências da época, os fascistas brasileiros não eram antissemitas, com o Chefe do movimento sendo admirador de Israel, e, não obstante, futuramente diplomata deste Estado[12]; embora apresentavam ter tendências eugenistas, não permitindo em suas fileiras, segundo seus estatutos, pessoas com deficiência e nem homens abaixo de 1,60m.[14]
Relação com outros nacionalismos

Ao contrário de outros partidos políticos brasileiros de caráter fascista da época, a ASB não buscava ser um "núcleo de metafísicos", mas uma solução "econômica" e "prática" para os dias de então.[3]
Demonstrou antipatia à Ação Integralista Brasileira em seu início, sinalizando que não podia-se atribuir ao integralismo uma cor fascista, pois este movimento havia renegado tal palavra e isso lhe custaria qualquer chance de vitória política.[3]
O líder do movimento chegou a afirmar que de comum entre a Ação Integralista Brasileira e a Ação Social Brasileira, havia apenas "o primeiro e último nome", sendo este um partido "fascista, francamente fascista, rigidamente fascista, corajosamente fascista", enquanto aquele "não só riscou a palavra 'fascismo' de todas as suas obras", como fogem do vocábulo e davam ênfase em acentuar, principalmente através de seu chefe, Plínio Salgado, como o integralismo "não se parece nada com o fascismo, do qual se encontra bastante distanciado por estar mais acima".
Mostrando coerência doutrinária, Fabrino declarou que, enquanto os fascistas buscavam na resolução superficial da economia, da política e do financeiro o seu sistema, os integralistas expunham sua visão estritamente revolucionária de "reforma social, moral e cultural", onde, se não triunfasse tais reformas, estaria tudo acabado. Faz tal análise para dizer que os fascistas achavam os problemas superficiais, enquanto os camisas-verdes filiavam-se em um "movimento de imaginação", mencionando que os fascistas estavam com a "pura realidade", enquanto os integralistas com a "pura filosofia". Fez oposição, dizendo que os elementos verdes buscavam no campo dos poetas e sociólogos os seus adeptos, enquanto os fascistas eram do povo, estes que não pediam intelectualidade; mas "escolas, tarifas baratas, hospitais, cambio firme, dinheiro fácil, proteção à lavoura, principalmente ao café, [...] boas estradas, unidade da Pátria, arrecadação honesta das rendas, justiça, honestidade, decisão, firmeza...", que pediam, em síntese, pelo fascismo.[9]
Legado
O movimento, que aparentava funcionar bem, repentinamente desapareceu, tendo sofrido de problemas financeiros em seu final.[2]
Ver também
- Fascismo
- Fascismo no Brasil
- José Fabrino
Referências
- ↑ GONÇALVES, Leandro Pereira; NETO, Edilon Caldeira (2020). O Fascismo em Camisas-Verdes: Do Integralismo ao Neointegralismo. Rio de Janeiro, RJ: FGV Editora.
- ↑ a b c d ROCHA, Gustavo Binhardi (11 de outubro de 2019). «A TRAJETÓRIA POLÍTICA DE J. FABRINO, UM FASCISTA BRASILEIRO»
- ↑ a b c DE FREITAS, Bezerra (2 de junho de 1933). «O Fascismo no Brasil». A Batalha. Rio de Janeiro.
- ↑ BARATA, Júlio (7 de junho de 1933). «Um novo partido político em São Paulo?». A Batalha. Rio de Janeiro.
- ↑ a b TRINDADE, Hélgio (1974). Integralismo: O Fascismo Brasileiro na Década de 30. São Paulo: Difusão Europeia do Livro.
- ↑ «Justo castigo de um indesejável». A Batalha. 22 de junho de 1933
- ↑ MUNIZ, Josué; LIMA, Matheus (15 de junho de 2023). «O Verdadeiro Fascismo à Brasileira». Nova Acção. Consultado em 28 de setembro de 2025
- ↑ FABRINO, José (26 de julho de 1933). «Algumas palavras à Imprensa Brasileira». A Batalha
- ↑ a b c FABRINO, José (6 de agosto de 1933). «O primeiro choque». Rio de Janeiro. A Batalha
- ↑ FABRINO, José (26 de julho de 1933). «Algumas palavras à Imprensa Brasileira». A Batalha
- ↑ «Pela implantação do Fascismo no Brasil». A Batalha. Rio de Janeiro. 20 de julho de 1933
- ↑ a b FABRINO, José (10 de agosto de 1933). «Queremos imitar Mussolini». Rio de Janeiro. A Batalha
- ↑ FABRINO, José (19 de agosto de 1933). «Quem será o nosso Mussolini?». Rio de Janeiro. A Batalha
- ↑ a b CUNHA, Euclides da (17 de setembro de 1933). «Regimento interno da Ação Social Brasileira (Partido Nacional Fascista)». Rio de Janeiro. A Batalha
- ↑ FABRINO, José (30 de agosto de 1933). «Nem presidencialismo, nem parlamentarismo, mas fascismo». Rio de Janeiro. A Batalha
