1601 (Mark Twain)
| 1601 | |
|---|---|
| 'Conversation, as it was by the Social Fireside, in the Time of the Tudors' | |
![]() Edição de 1882 | |
| Autor(es) | Mark Twain |
| Idioma | Inglês |
[Date: 1601.] Conversation, as it was by the Social Fireside, in the Time of the Tudors. ou simplesmente 1601 é o título de um breve epigrama picante de Mark Twain, publicado anonimamente pela primeira vez em 1880 e finalmente reconhecido pelo autor em 1906.[1]
Escrito como um extrato do diário de um "velho", copeiro da rainha Isabel I, o panfleto finge registrar uma conversa entre Isabel e vários escritores famosos da época. Os temas discutidos são escatológicos, principalmente flatulência, humor baseado em flatulência e sexo.
Segundo Edward Wagenknecht, 1601 foi "a peça mais famosa de pornografia na literatura americana."[2] No entanto, trata-se mais de obscenidade cômica do que de pornografia; o conteúdo possui caráter irreverente e vulgar, mais voltado ao choque humorístico do que à excitação sexual.
Antes das decisões judiciais nos Estados Unidos entre 1959 e 1966 que legalizaram a publicação de O Amante de Lady Chatterley, Trópico de Câncer e Fanny Hill, a peça era considerada imprópria para impressão. Era circulada clandestinamente em edições limitadas, impressas privadamente.
Conteúdo
O diarista descreve uma conversa na presença da rainha entre várias figuras elisabetanas famosas, durante a qual um dos presentes solta um gás:
- "No calor da conversa, aconteceu que alguém soltou um pum, produzindo um fedor extremamente potente e angustiante, ao que todos riram em demasia."
A rainha pergunta sobre a origem e recebe várias respostas. "Lady Alice" e "Lady Margery" negam ter sido as autoras, sendo que a primeira diz:
- "Boa alteza, se eu tivesse espaço para tamanha tempestade trovejante dentro de minhas antigas entranhas, não é razoável que eu pudesse descarregá-la e viver para agradecer a Deus por ter escolhido uma serva tão humilde para demonstrar Seu poder. Não, não fui eu quem trouxe à luz essa neblina opressora, esse nevoeiro perfumado, por isso vos rogo que procureis além."
Ben Jonson, Francis Bacon e William Shakespeare (referido como 'Shaxpur') também negam a autoria do gás, embora tenham opiniões diferentes sobre os méritos da flatulência. Bacon a considera uma "grande realização" além de suas capacidades, e Shakespeare se mostra atônito com sua "putrefação que obstrui o firmamento". Walter Raleigh admite ter sido o autor, mas confessa que não foi seu melhor desempenho, demonstrando suas habilidades com outro ainda mais barulhento.
A conversa então se volta aos costumes. Shakespeare conta a história de um príncipe com apetite sexual enorme, que tomava dez "hímenes" por noite, seguidos de copiosa masturbação. Raleigh descreve uma tribo americana cujos membros fazem sexo apenas uma vez a cada sete anos. A rainha fala com uma jovem dama de companhia que comenta sobre o crescimento de seus pelos pubianos, que recebem um elogio de Francis Beaumont. A rainha afirma que François Rabelais certa vez lhe contou sobre um homem com "duplo par" de testículos, o que leva a uma discussão sobre a ortografia correta da palavra.
Shakespeare então lê trechos de suas obras Henrique IV, Parte 1 e Vênus e Adônis, que a diarista considera tediosos. Ela então comenta sobre as desventuras sexuais dos presentes, observando que "quando os paus estavam rijos e as conas não relutavam em tirar-lhes a rigidez, quem nesta companhia era isento de pecado". Alice e Margery eram "prostitutas desde o berço", mas agora são velhas e pregam religião. Os personagens discutem então a obra de Miguel de Cervantes e um jovem pintor promissor chamado Rubens.
O "diário" termina com uma história contada por Raleigh sobre uma mulher que evitou ser estuprada por um "velho arcebispo" pedindo-lhe que urinasse diante dela, o que o tornou impotente.
Histórico de publicação
O epigrama foi originalmente escrito em 1876 para "um grupo altamente respeitável de escritores, todos homens", como um exercício no estilo de Rabelais.[3] Foi publicado pela primeira vez na edição "incrivelmente rara" de Cleveland, em 1880, da qual acredita-se existirem apenas quatro cópias.[4] A edição original era anônima. Durante uma visita a West Point em 1881, Twain descobriu que um homem que conheceu, Charles Erskine Scott Wood, tinha acesso a uma prensa particular. Twain pediu a Wood que imprimisse uma nova edição com cinquenta cópias (agora conhecida como "edição de West Point"), lançada em 1882.[4] Twain reconheceu a autoria em 1906.
A sátira permaneceu imprópria para publicação por editoras tradicionais até a década de 1960. Continuou a ser publicada por pequenas editoras particulares. Sua classificação como "pornografia" foi satirizada por Franklin J. Meine na introdução da edição de 1939. Outra edição pouco conhecida[5] foi impressa com tipos manuais por John Hecht em Chicago em 1951.
Em 1978, foi publicada a "Edição Lázaro" com 200 cópias. Ela consistia em páginas recém-descobertas de uma impressão privada da década de 1920, com um novo retrato em xilogravura de Mark Twain, feito por Barry Moser.
Referências
- ↑ Mark Twain's [Date 1601.] Conversation as It was by the Social Fireside in the Time of the Tudors : Embellished with an Illuminating Introduction by Franklin J. Meine. New York: Privately Printed for Lyle Stuart. 1962. Consultado em 3 de agosto de 2017 – via Internet Archive
- ↑ John Daniel Stahl (1994). Mark Twain, culture and gender: envisioning America through Europe. [S.l.]: University of Georgia Press, p. 56 "Como Franklin Meine apontou, Edward Wagenknecht de forma enganosa a chamou de 'a peça mais famosa de pornografia na literatura americana'."
- ↑ Fisher Fishkin, Shelley, A Historical Guide to Mark Twain, Oxford University Press, Nova Iorque, 2002, p. 172
- ↑ a b Wecter, Dickson, Mark Twain in Three Moods: Three New Items of Twainiana, Friends of the Huntington Library, San Marino, CA., 1948, p. 29
- ↑ Conhecimento pessoal: meu pai era John Hecht e conheci Meine.
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