13º Congresso do Partido Comunista Russo (Bolcheviques)
O 13º Congresso do Partido Comunista Russo (Bolchevique) foi realizado de 23 a 31 de maio de 1924, em Moscou. Dos delegados presentes, 748 tinham direito a voto e 416 tinham direito a voto consultivo. O congresso elegeu o 13º Comitê Central.
Este congresso foi o primeiro do Partido Comunista Russo (Bolchevique) após a morte de Vladimir Lênin e representa uma transição entre os regimes de Lênin e Josef Stálin. Foi também o primeiro confronto entre a Oposição de Esquerda (liderada por Leon Trótski) e a "troica" (liderada por Stálin, Grigori Zinoviev e Lev Kamenev).
Contexto
Na época da morte de Lênin, em 21 de janeiro de 1924, a Nova Política Econômica (NEP) havia produzido alguma estabilidade econômica após as fomes e crises que assolaram a economia soviética pós-Guerra Civil, como a "crise de vendas" de 1922.[1] O culto póstumo a Lênin tornou-se uma ferramenta estratégica para vários líderes do Partido que disputavam a liderança. A adesão ao Partido expandiu-se em mais da metade durante o "Recrutamento Lênin" de fevereiro, enquanto Stálin deu uma série de palestras mais tarde intitulada Fundamentos do Leninismo.[2] Embora Stálin tivesse sido condenado como 'muito rude e... intolerável' e recomendado para ser demitido pelo falecido Lênin em seu "Último Testamento" [3], Stálin, apesar disso, conseguiu manter sua posição como Secretário-Geral e elaborou uma poderosa associação pública com o culto à personalidade de Lênin. Os apoiadores de Stálin usaram as antigas disputas de Trótski com Lênin para condená-lo, e sua teoria da "revolução permanente" se tornaria o principal objeto de ataque nos grandes debates teóricos que se seguiram ao 13º Congresso do Partido.[2]
Discussões
Entre as muitas questões que dominaram o 13º Congresso do Partido, a divisão faccional entre a Oposição de Esquerda e a "troica" foi um grande fator de discórdia. Trótski e a Oposição de Esquerda defendiam que a revolução mundial era necessária para o sucesso do socialismo, visto que a União Soviética não poderia sobreviver sozinha sem qualquer ajuda das economias ocidentais. Por outro lado, Stálin, Zinoviev e Kamenev, da 'troica', argumentavam que o Politburo deveria prosseguir com a organização do socialismo em escala nacional, uma política conhecida como "socialismo em um só país". [1] Em 27 de maio, Stálin declarou a linha de Trotsky um "desvio pequeno-burguês". [4]
A "Carta ao Congresso" de Lênin também foi lida em voz alta no 13º Congresso do Partido e, entre as suas críticas às diferentes personalidades líderes do Politburo, a mais condenatória era a respeito de Stálin. Apesar disso, o Congresso optou por não publicar esta carta, e Stálin manteve seu posto como Secretário-Geral até sua morte em 1953. [5]
Consequências
O 13º Congresso do Partido marcou o início da era stalinista, e o faccionalismo que emergiu preparou o terreno para os cinco anos seguintes, durante os quais surgiriam novas lutas entre as facções em relação às políticas soviéticas e internacionais. [6]
Veja também
Referências
- ↑ a b Suny, Ronald Grigor (1998). The Soviet experiment : Russia, the USSR, and the successor states. New York: Oxford University Press. 151 páginas. ISBN 0-19-508104-8. OCLC 36800716
- ↑ a b Suny, Ronald Grigor (1998). The Soviet experiment : Russia, the USSR, and the successor states. New York: Oxford University Press. 148 páginas. ISBN 0-19-508104-8. OCLC 36800716
- ↑ Lenin, Vladimir. «Letter to the Congress». www.marxists.org. Consultado em 9 de abril de 2021. Arquivado do original em 22 de janeiro de 2000
- ↑ «Thirteenth Congress of the R.C.P.(B.)». www.marxists.org. Consultado em 10 de abril de 2021
- ↑ Yurchak, Alexei (Setembro de 2017). «The canon and the mushroom: Lenin, sacredness, and Soviet collapse»
. HAU: Journal of Ethnographic Theory (em inglês). 7 (2): 165–198. ISSN 2575-1433. doi:10.14318/hau7.2.021
- ↑ Suny, Ronald Grigor (1998). The Soviet experiment : Russia, the USSR, and the successor states. New York: Oxford University Press. 167 páginas. ISBN 0-19-508104-8. OCLC 36800716