1.º Batalhão de Operações Psicológicas
| 1.º Batalhão de Operações de Apoio à Informação | |
|---|---|
| País | |
| Corporação | Exército Brasileiro |
| Subordinação | Comando Militar do Planalto |
| Sigla | 1.º BOAI / 1.° Btl Op Ap Info |
| Criação | Janeiro de 2002 |
| Lema | Conquistar Corações e Mentes. |
| Grito de Guerra | APOIO À INFORMAÇÃO! |
| Sede | |
| Guarnição | Brasília, DF |
O 1.° Batalhão de Operações de Apoio à Informação (1.° BOAI / 1.° Btl Op Ap Info), anteriormente 1.° Batalhão de Operações Psicológicas (1.° B Op Psico), é a unidade especializada de guerra psicológica do Exército Brasileiro,[1] subordinada ao Comando Militar do Planalto, em Brasília, onde estará sediada a partir de 2026.[2] Sua função é alterar o comportamento de forças amigas, forças inimigas e da população civil por diversos meios não-letais, da simples transmissão de informações até as operações de dissimulação.[1] É um emprego estratégico, que pode, conforme a necessidade, ser disponibilizado aos comandos táticos.[3]
Antes de 2021/2025 (não confirmado), o 1.º Batalhão de Operações de Apoio à Informação se chamava 1.° Batalhão de Operações Psicológicas e atuava no Comando de Operações Especiais, porém, após investigações de corrupção e outras coisas, o Batalhão foi deslocado para Brasília, virando subordinado do Comando Militar do Planalto (CMP) e tendo o nome alterado para 1.º Batalhão de Operações de Apoio à Informação.
Organização
A unidade é organizada num comando e Estado-Maior, uma companhia de apoio ao comando e duas companhias de operações psicológicas, cada qual com uma seção de comando, seção de produção/disseminação e grupo tático. O efetivo tem educação prévia em diversas áreas das ciências sociais e humanas, incorporando-se através de dois cursos, respectivamente de 17 e 18 semanas, no currículo vigente em 2024.[4][1]
O planejamento do Exército começou em 1999, com base em experiências de países como o Reino Unido, Colômbia, Peru e Estados Unidos. A unidade foi implementada na forma de um destacamento, em janeiro de 2002, e convertida a batalhão em 2005, dentro da estrutura da Brigada (posterior Comando) de Operações Especiais.[4] O Exército foi a primeira das Forças Armadas a implantar o treinamento de operações psicológicas. Entretanto, não há uma unidade específica para Assuntos Civis.[5]
Em 2025 o Comando de Operações Terrestres foi encarregado de reestruturar a capacidade de operações psicológicas do Exército, o que engloba sua estrutura, organização interna, treinamento, armamento, efetivo e outros pontos.[2] Como parte das mudanças, ele foi transferido da subordinação do Comando de Operações Especiais, em Goiânia, ao Comando Militar do Planalto, em Brasília, onde estará mais próximo da tutela do comandante do Exército.[6]
Atuação
Desde sua criação ele participou, conforme uma fonte militar, de "diversas operações reais e exercícios de adestramentos que permitiram a atualização de manuais e consolidação de uma doutrina militar de emprego". O Jornal do Brasil afirmou em 2024 que as atividades do batalhão são pouco transparentes e permanecem pouco conhecidas à sociedade civil. Dentre as operações conhecidas, ele esteve três vezes em Mato Grosso e Rondônia em 2004, atuou em grandes eventos como os Jogos Pan-Americanos de 2007, a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016 e em operações nas favelas, como a Operação Arcanjo, em 2010.[4] Na ocupação dos complexos da Penha e da Rocinha, o batalhão dirigiu esforços tanto à tropa quanto à população local. No primeiro caso, para alterar a atitude dos soldados com a população, e no segundo, numa campanha de "corações e mentes", incluindo mensagens diretas e propaganda cinza (passada como uma mensagem de origem da própria comunidade).[7]
Outra fonte militar, da Escola Superior de Guerra, afirma que a "operação psicológica trabalha com a administração da percepção, tendo como base as mais diversas teorias do controle da mente". Tais operações "facilitam a conquista de objetivos políticos" e "podem ajudar o Ministério da Defesa a conseguir o incremento de recursos para a defesa do país. Essa ‘ajuda’ pode ocorrer, principalmente, através de Campanhas de Operações Psicológicas, visando o reconhecimento da nação e das autoridades competentes, do trabalho das Forças Armadas".[2]
As investigações sobre tentativas de golpe de Estado em 2022–2023 apontaram a participação de vários oficiais do batalhão, incluindo por operações psicológicas para pressionar o Alto Comando do Exército.[6] O então comandante, tenente-coronel Guilherme Marques de Almeida, foi acusado de "operações estratégicas de desinformação" pela Procuradoria-Geral da República. Áudios atribuídos ao comandante mencionam "direcionar o povo" para "a frente do Congresso" e "explorar a dimensão informacional".[2] Outros componentes do Comando de Operações Especiais também foram implicados nas investigações. Foi neste contexto que o Exército realocou o batalhão, transferiu o curso ao Centro de Estudos de Pessoal, no Rio de Janeiro,[6] e ordenou a integração das operações psicológicas ao setor de comunicação estratégica.[2] Oficialmente, as mudanças tiveram causas técnicas e não políticas, retirando do batalhão um caráter tático errôneo e harmonizando as operações psicológicas às determinações do Estado-Maior do Exército e Centro de Comunicação Social do Exército.[6]
Referências
- ↑ a b c Pinheiro, Alvaro de Sousa (2012). «Knowing your partner: the evolution of Brazilian special operations forces» (PDF). JSOU Report (12-7). p. 58-59.
- ↑ a b c d e Freitas, Caio de (25 de abril de 2025). «Exército decide tirar Operações Psicológicas do comando dos "kids pretos"». A Pública. Consultado em 22 de julho de 2025
- ↑ Guedes, Octavio (22 de julho de 2025). «Exército muda estrutura e tira poder dos kids pretos». G1 Política. Consultado em 22 de julho de 2025
- ↑ a b c Valente, Rubens (20 de fevereiro de 2024). «O enigma do Batalhão de Operações Psicológicas». Jornal do Brasil. Consultado em 22 de julho de 2025
- ↑ Sá, Maurício Bruno de (2011). As forças armadas brasileiras frente ao terrorismo como nova ameaça (PDF) (Tese). Programa de Pós-Graduação em Ciência Política da Universidade Federal Fluminense. Cópia arquivada (PDF) em 5 de dezembro de 2022. p. 211-212.
- ↑ a b c d Godoy, Marcelo (14 de abril de 2025). «Exército conclui reforma dos kids pretos, grupo envolvido na tentativa de golpe; veja o que mudou». O Estado de S. Paulo. Cópia arquivada em 15 de abril de 2025
- ↑ Schmitt, Moacir Fabiano (2016). «As operações psicológicas desenvolvidas nos complexos do Alemão e da Penha». Desafios gerenciais em defesa. Rio de Janeiro: Editora FGV. ISBN 978-85-225-1912-5. p. 308-312.
Ligações externas
- Silveira, Fábio Martins da (2021). A evolução das Operações Psicológicas no Exército Brasileiro (PDF) (Trabalho de Conclusão de Curso). Escola de Comando e Estado-Maior do Exército