Área de Proteção Ambiental das Nascentes do Rio Vermelho
Área de Proteção Ambiental das Nascentes do Rio Vermelho
A Área de Proteção Ambiental das Nascentes do Rio Vermelho (APANRV) pertence ao grupo de unidades de conservação de Uso Sustentável, conforme definido pelo Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC), esse tipo de grupo concilia a conservação da natureza com o uso sustentável de parte dos recursos naturais. Está localizada no bioma Cerrado do estado de Goiás, abrangendo os municípios de Buritinópolis, Damianópolis, Mambaí, Posse e Sítio d'Abadia., com uma área de 176.324,3 hectares e está inserida na bacia hidrográfica do Rio Tocantins. O Decreto responsável pela criação da APA Nascentes do Rio Vermelho (APANRV) é o de 27 de setembro de 2001.[1][2][3]
A Área de Proteção Ambiental das Nascentes do Rio Vermelho visa ordenar a ocupação nas áreas de influência do patrimônio espeleológico e fiscalizar atividades turísticas, culturais e econômicas, sempre alinhadas à conservação. A unidade foca no controle ambiental, monitoramento, educação ambiental e pesquisa científica, além de proteger a biodiversidade hídricos (com ênfase na preservação das nascentes do rio Vermelho, que é um importante curso d'água da região) e os recursos e o patrimônio espeleológico. O planejamento e gestão envolvem a colaboração de órgãos públicos, prefeituras, ONGs e comunidades locais, visando a sustentabilidade e a melhoria da qualidade de vida da região.[1][2][3]
Localização:
A Área de Proteção Ambiental das Nascentes do Rio Vermelho está localizada no Brasil, no bioma Cerrado, no estado de Goiás, inserida na bacia hidrográfica do Tocantins, abrangendo os municípios de Buritinópolis, Damianópolis, Mambaí, Posse e Sítio d'Abadia.[2][3]
| Estado | Município | Área da UC no Município (ha) | Área da UC no Município (%) |
| GO | Buritinópolis | 15891,97 | 8,94 |
| GO | Damianópolis | 40067,38 | 22,55 |
| GO | Mambaí | 84138,53 | 47,36 |
| GO | Sítio d'Abadia | 698,63 | 0,39 |
| GO | Posse | 36876,76 | 20,76 |
Relevo e geomorfologia
A geomorfologia da APA Nascentes do Rio Vermelho é caracterizada pela Superfície Regional de Aplainamento IV (SRA-IV A), com a presença de Cobertura Detrito-Laterítica. A paisagem é composta por colinas alongadas que podem atingir altitudes próximas a 1.000 metros, sustentadas por formações de calcários, dolomitos e folhelhos pertencentes aos Grupos Areado, Bambuí e Urucuia. A presença dessas formações geológicas contribui para a diversidade geomorfológica e a riqueza em patrimônio espeleológico da APA Nascentes do Rio Vermelho. Destacam-se, especialmente, as áreas do Grupo Bambuí, que reforça para à região uma rica concentração de patrimônio espeleológico.[4][5]
A APA Nascentes do Rio Vermelho apresenta duas formações geológicas principais: o Chapadão Central e o Vão do Paramã. O Chapadão Central, remanescente da Superfície Sul-Americana, é composto por arenitos do Grupo Urucuia, com sedimentos siliciclásticos não consolidados e grandes estratificações cruzadas de origem eólica, típicas da Formação Posse. O Vão do Paramã, parte da Superfície Velhas, é formado por rochas do Grupo Bambuí, que incluem litofácies siliciclásticas e carbonáticas depositadas em uma plataforma marinha no Neoproterozoico. A APA abriga 148 ambientes cársticos, como cavernas, campos de lápias, vales cegos e desfiladeiros, registrados pelo CEVAC (2017). [6]
Flora
A APA Nascentes do Rio Vermelho abriga fitofisionomias típicas do Cerrado, como mata ciliar, cerrado stricto sensu, veredas e campos. Em 1995, a paisagem era dominada por formações savânicas (87%), distribuídas principalmente na porção nordeste, enquanto as formações florestais se concentravam em APPs ao longo dos canais de drenagem. As pastagens predominaram no extremo norte e sul, sem áreas agrícolas específicas. Entre 1995 e 2017, as pastagens aumentaram 12,3%, melhorando parte das formações savânicas, que diminuíram 48,6%, especialmente na região oeste. Também houve expansão urbana e agrícola no sul da APA. As formações campestres restritas a fragmentos em áreas de relevo acentuado. [7]
Fauna
Na APA Nascentes do Rio Vermelho, foram registradas 180 espécies de aves, distribuídas em 21 ordens e 47 famílias. Tyrannidae (22 espécies), Psittacidae (12) e Thraupidae (12) foram as famílias mais representativas. A predominância de Tyrannidae, composta por espécies insetívoras, reflete sua ampla distribuição nos neotrópicos, ocupando todos os estratos florestais. Essa diversidade está ligada à variedade de nichos ecológicos e à riqueza da fauna local. Os registros foram compilados a partir de literatura específica sobre a APA e o Vale do Paranã, fornecendo uma visão abrangente da biodiversidade avifaunística na região. [8]
A APA Nascentes do Rio Vermelho, em Goiás, abriga 28 espécies de morcegos, representando seis das oito famílias encontradas no Brasil. Cerca de 75% das espécies foram capturadas em cavernas, destacando sua importância como refúgios no Cerrado. Entre as espécies predominantes estão Carollia perspicillata , Glossophaga soricina , Lonchophylla dekeyserii (endêmica do Cerrado) e Desmodus rotundus , sendo Lonchorhina aurita a mais capturada. Os morcegos apresentam hábitos alimentares variados, como frugívoros, nectarívoros, insetívoros e hematófagos, desempenhando funções ecológicas essenciais, como dispersão de sementes e controle de insetos. A riqueza de espécies aumenta na estação seca. [9]
Valores e Atributos ecológicos e ambientais
Patrimônio Espeleológico
A APA Nascentes do Rio Vermelho apresenta uma riqueza de formações cársticas, como cavernas e grutas, que possuem grande importância ecológica, científica e turística. Essas formações abrigam ecossistemas únicos. Pesquisas revelam que uma área conta com cerca de 148 ambientes cársticos já catalogados, reforçando sua relevância geológica e o potencial para práticas de educação ambiental e turismo sustentável. [10] [11]
Biodiversidade do Cerrado
A APA fica no bioma Cerrado, conhecida por ter muitas espécies de plantas e animais únicos, que só existem nessa região. Algumas dessas espécies estão ameaçadas de extinção, o que torna a proteção da área ainda mais importante. [10] [11]
Recursos Hídricos
A APA cuida das nascentes e dos rios que são essenciais para os ecossistemas da região e para o fornecimento de água para as comunidades locais. Protege essas nascentes ajuda a garantir água limpa e em quantidade suficiente. [10][11]
Principais Atrativos
Cachoeira e Lapa do Funil
Localizada em Mambaí, é o principal atrativo da APA Nascentes do Rio Vermelho. Ela deságua na Lapa do Funil, uma caverna que dá nome ao local. Os visitantes podem percorrer uma trilha que passa por dentro da caverna, atrás da cachoeira. A área oferece atividades de aventura, como Rapel, e é acessível por estrada asfaltada, com uma curta trilha de 1,1 km até o local. Recomenda-se o uso de protetor solar, repelente e calçado adequado. [12] [13][14]
Cachoeira Paraíso do Cerrado
localizada em Damianópolis, a cachoeira chama bastante atenção pela beleza. Formada por rochas calcárias de 100 metros, ela cria um cânion que direciona o Córrego São Vidal para o Rio Correntes, com um lago cristalino perfeito para banhos. A área também conta com uma ilha e piscinas naturais formadas por tufas calcárias. O acesso é feito por estrada asfaltada até Damianópolis, seguido de uma trilha de 800 metros. O local oferece um almoço regional sob encomenda e recomenda-se levar protetor solar, repelente e calçados adequados. [12][13][14]
Lapa do Penhasco
Localizada em Buritinópolis, é uma caverna imponente com grandes salões e espeleotemas raros. Sua entrada fica no fundo de um vale cercado por escarpas de 80 metros e abriga uma pequena cachoeira e lagos. O local oferece um mirante com vista para os cânions, além de atividades de aventura como tirolesa e rapel. O acesso é feito por estrada asfaltada e uma trilha íngreme até a caverna. [12] [13][14]
A Caverna da Clarabóia
Localizada em Buritinópolis, é uma caverna ampla por onde passa o Córrego das Dores e que recebe luz natural através de uma fenda no teto, chamada de Clarabóia. O acesso é fácil, com estrada asfaltada e uma trilha de 450 metros até a entrada. No local, os visitantes podem praticar rapel contemplativo de 25 metros. A atividade é realizada pela fenda que deixa entrar os raios de sol, dispensando iluminação artificial. A recomendação é usar roupas leves. [12] [13] [14]
Referências
- ↑ a b «APA das Nascentes do Rio Vermelho». Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. Consultado em 21 de janeiro de 2025
- ↑ a b c «APA das Nascentes do Rio Vermelho | Unidades de Conservação no Brasil». uc.socioambiental.org. Consultado em 21 de janeiro de 2025
- ↑ a b c «DNN9335». www.planalto.gov.br. Consultado em 21 de janeiro de 2025
- ↑ Junior, Wellington; Gomes, Ilza; Silva, Karla (2009). «Diagnósticos das nascentes urbanas de Caldas Novas-GO, da bacia hidrográfica do Rio Pirapitinga, como subsídio para recuperação ambiental.». Instituto de Pesquisas Ambientais em Bacias Hidrográficas (IPABHi): 233–238. doi:10.4136/serhidro.30. Consultado em 21 de janeiro de 2025
- ↑ Momoli, Renata Santos; Oliveira, Thaynnara Borges; Santos, Ludimilla Oliveira; Correchel, Vladia; Faria, Karla Maria Silva de (25 de março de 2022). «ATRIBUTOS MORFOLÓGICOS E FÍSICOS DOS SOLOS DAS TRILHAS TURÍSTICAS DA APA NASCENTES DO RIO VERMELHO, GOIÁS». Formação (Online) (54): 167–197. ISSN 2178-7298. doi:10.33081/formacao.v29i54.8243. Consultado em 21 de janeiro de 2025
- ↑ Nunes, José Gustavo da Silva; Uagoda, Rogério (7 de abril de 2020). «Análise da eficiência dos métodos indiretos para o mapeamento de solos frente às técnicas diretas, e suas possíveis associações: Uma revisão metodológica.». Revista Brasileira de Geografia Física (2): 487–509. ISSN 1984-2295. doi:10.26848/rbgf.v13.2.p487-509. Consultado em 26 de janeiro de 2025
- ↑ Queiroz, Edileuza Dias de (31 de dezembro de 2013). «CONTRIBUIÇÕES DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL CRÍTICA PARA O USO PÚBLICO SUSTENTÁVEL EM UNIDADES DE CONSERVAÇÃO». Anais do Uso Público em Unidades de Conservação (1): 88–99. ISSN 2318-2148. doi:10.47977/2318-2148.2013.v1_n1p88. Consultado em 26 de janeiro de 2025
- ↑ Hübel, Marcelo; Aximoff, Izar; Freitas, Antonio Carlos de; Rosa, Clarissa (15 de setembro de 2021). «MAMÍFEROS DE MÉDIO E GRANDE PORTE NA ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL MUNICIPAL DO RIO VERMELHO EM SANTA CATARINA, SUL DO BRASIL». Oecologia Australis (03): 722–737. ISSN 2177-6199. doi:10.4257/oeco.2021.2503.08. Consultado em 26 de janeiro de 2025
- ↑ Hübel, Marcelo; Aximoff, Izar; Freitas, Antonio Carlos de; Rosa, Clarissa (15 de setembro de 2021). «MAMÍFEROS DE MÉDIO E GRANDE PORTE NA ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL MUNICIPAL DO RIO VERMELHO EM SANTA CATARINA, SUL DO BRASIL». Oecologia Australis (03): 722–737. ISSN 2177-6199. doi:10.4257/oeco.2021.2503.08. Consultado em 26 de janeiro de 2025
- ↑ a b c Afonso, Anice (16 de julho de 2013). «CONTRIBUIÇÃO DA GEOGRAFIA FÍSICA E DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES DE GEOGRAFIA A PARTIR DO ESTUDO DE BACIAS HIDROGRÁFICAS EM ÁREAS URBANAS». Revista Tamoios (1). ISSN 1980-4490. doi:10.12957/tamoios.2013.4874. Consultado em 26 de janeiro de 2025
- ↑ a b c «Ações de Educação Ambiental para a APA Nascentes do Rio Vermelho». LABOGEF. Consultado em 26 de janeiro de 2025
- ↑ a b c d «Descubra o lugar em Goiás que é repleto de cachoeiras e atrações em meio à natureza - O Hoje». 30 de outubro de 2024. Consultado em 26 de janeiro de 2025
- ↑ a b c d «APA das Nascentes do Rio Vermelho». Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. Consultado em 26 de janeiro de 2025
- ↑ a b c d Turismo, Portal Goiás. «Turismo em Goiás | Área de Proteção Ambiental (APA) das...». Portal Goiás Turismo. Consultado em 26 de janeiro de 2025